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6.10.26

Doces e ultraprocessados podem aumentar risco de miopia em jovens

 Estudo com adolescentes relaciona consumo elevado de doces e carboidratos a maior risco de miopia e reforça cuidados com alimentação e telas.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, com 2.473 participantes entre 12 e 18 anos, aponta uma relação entre o consumo abusivo de doces e carboidratos e o aumento do risco de miopia. Segundo o levantamento, adolescentes que mantêm uma alimentação com excesso desses alimentos apresentam 41% mais risco de desenvolver a condição.

O cenário chama atenção também pelos índices de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes. De acordo com o relatório de 2026 da Federação Mundial de Obesidade, essas condições atingem 40% dos brasileiros de até 18 anos e são mais frequentes entre os jovens de baixa renda, grupo que apresenta maior consumo de alimentos ultraprocessados ricos em gordura e carboidratos.

Como a alimentação pode influenciar a miopia

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro fundador da Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia (ABRACMO), a esclera, parte branca do olho, funciona como uma estrutura de sustentação do globo ocular.

Na avaliação do especialista, o excesso de doces, carboidratos e alimentos ultraprocessados pode comprometer o fornecimento de oxigênio e nutrientes e a circulação sanguínea no globo ocular, incluindo a coroide, responsável pela nutrição da esclera.

A redução do fluxo de sangue e oxigênio estaria relacionada à menor produção de colágeno, alterações metabólicas e aumento de enzimas degradantes. Com isso, a esclera pode ficar mais maleável, facilitando o crescimento excessivo do olho, característica associada à miopia.

Queiroz Neto ressalta, porém, que o estudo é observacional e não permite concluir que mudanças na alimentação ou suplementação sejam capazes, sozinhas, de reverter ou interromper uma miopia já estabelecida.

Segundo ele, alguns nutrientes, como ômega-3, antioxidantes e determinadas vitaminas, podem atuar como coadjuvantes em fatores fisiológicos relacionados à progressão da doença, mas não substituem tratamentos específicos.

Exposição ao sol pode ajudar na prevenção

A exposição à luz solar por uma a duas horas por dia também é apontada pelo especialista como uma estratégia que pode ajudar a reduzir a progressão da miopia para graus elevados, acima de seis dioptrias.

A alta miopia está associada a um maior risco de problemas oculares, como glaucoma, descolamento de retina, retinopatia miótica e degeneração macular.

De acordo com Queiroz Neto, a exposição ao sol teria efeito de fortalecimento da esclera, ajudando a reduzir o alongamento excessivo do olho.

O especialista destaca que isso não significa que a criança ficará livre da miopia. A prática de atividades ao ar livre antes do surgimento do problema, entretanto, poderia contribuir para evitar a progressão para graus elevados.

Quais são os sinais de miopia nas crianças

Os pais também devem ficar atentos aos sinais de dificuldade para enxergar à distância. Entre os comportamentos que podem indicar miopia estão apertar os olhos para visualizar objetos distantes, aproximar-se da televisão ou das telas de celulares, apresentar queda no rendimento escolar e evitar esportes coletivos.

Quedas frequentes e dores de cabeça recorrentes no fim do dia também podem aparecer.

Como as crianças nem sempre conseguem identificar ou comunicar que não estão enxergando adequadamente, o acompanhamento oftalmológico é recomendado.

O oftalmologista também destaca que o uso excessivo de telas representa um fator de risco importante, principalmente até os 8 anos, período em que os olhos ainda estão em desenvolvimento.

Um estudo conduzido por Queiroz Neto com 360 crianças de 6 a 10 anos relacionou o excesso de esforço visual para perto durante o uso de telas ao espasmo dos músculos ciliares, responsáveis pelos ajustes de foco do cristalino.

Regra 20/20/20 ajuda a reduzir esforço visual

Uma das recomendações apresentadas pelo especialista é a chamada regra 20/20/20. A orientação consiste em, a cada 20 minutos diante de uma tela, interromper a atividade e olhar durante 20 segundos para um ponto localizado a 20 pés de distância, aproximadamente seis metros.

A alternância de foco permite o relaxamento dos músculos ciliares e pode ajudar a reduzir o esforço visual causado pelo uso prolongado de telas.

Segundo o material, esse mecanismo pode contribuir para reverter a chamada miopia acomodativa, relacionada ao esforço excessivo para enxergar de perto. Ela é diferente da miopia patológica, na qual ocorre o crescimento do eixo do olho.

Novos tratamentos para controlar a miopia

A evolução dos tratamentos também trouxe novas alternativas para crianças e adolescentes. Segundo Queiroz Neto, atualmente existem lentes de contato, óculos e lentes ortoceratológicas, que são utilizadas durante a noite para modificar temporariamente o formato da córnea e reduzir a necessidade de correção durante o dia.

Também existem óculos desenvolvidos com o objetivo de controlar a progressão da miopia.

Essas estratégias podem ser utilizadas associadas ao colírio de atropina diluído a 0,01%, conforme avaliação oftalmológica.

O objetivo desses tratamentos vai além da simples correção da visão. A proposta é controlar a progressão da miopia e fazer com que as imagens sejam formadas sobre a retina, em vez de à frente dela, como ocorre na condição.

O especialista destaca ainda a evolução das tecnologias utilizadas nos últimos anos, incluindo lentes capazes de corrigir a miopia e determinadas aberrações visuais.

Acompanhamento é fundamental

Para o sucesso do controle da progressão da miopia, o material destaca a importância da adesão ao tratamento, com uso das lentes pelo período recomendado, entre 10 e 12 horas por dia, quando indicado.

Também são recomendados cuidados durante o uso de computadores e celulares, como a regra 20/20/20, além de acompanhamento oftalmológico semestral.

O controle adequado da progressão da miopia busca preservar a saúde ocular de crianças e adolescentes e reduzir o risco de complicações associadas aos graus elevados da doença na vida adulta.

Por: Informativo em Foco

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