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6.10.26

Lula precisa reduzir abstenção, recuperar votos no Nordeste e avançar em SP e MG para tentar reverter vantagem de Flávio Bolsonaro.

 Pelas estatísticas comparada as eleições de 2022, Lula também perdeu na Região Nordeste 

Derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma série de desafios para tentar reverter o resultado no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Lula recebeu 45,1% dos votos válidos, enquanto Flávio terminou a primeira etapa com cerca de 47%.

A diferença entre os dois candidatos ficou em aproximadamente 2,5 milhões de votos. O resultado também representou uma redução na votação de Lula em relação ao primeiro turno de 2022. Na ocasião, o petista recebeu cerca de 3,5 milhões de votos a mais.

Já Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno de 2026 com aproximadamente 5 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro havia obtido na primeira etapa da eleição de 2022.

Para analistas consultados pela BBC News Brasil, Lula terá que atuar em diferentes frentes nos 20 dias que antecedem a votação. Entre os principais desafios estão a redução da abstenção, a recuperação de votos no Nordeste e a melhora do desempenho em São Paulo e Minas Gerais, além da disputa pelos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.

1. Reduzir a abstenção entre os eleitores

Um dos principais desafios da campanha de Lula será convencer parte dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno a votar em 25 de outubro.

A abstenção chegou a 21%, o equivalente a 33,4 milhões de eleitores. O número representa mais de dez vezes a diferença de votos entre Flávio e Lula e foi a maior taxa registrada em um primeiro turno desde 1998.

A ausência costuma ser maior entre eleitores mais pobres e com menor escolaridade, segmentos nos quais Lula tradicionalmente apresenta desempenho expressivo.

Além disso, cerca de 6 milhões de eleitores votaram em branco ou nulo, correspondendo a 4,8% dos votos.

Segundo o analista Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, uma mudança direta de voto entre eleitores que já escolheram um candidato tende a ser difícil. Por isso, uma das alternativas para Lula seria estimular a participação de quem não votou na primeira etapa.

A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que a campanha precisa atribuir significado ao voto para eleitores que demonstram desinteresse pela disputa.

Entre os eleitores mais velhos, o professor Francisco Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta temas como aposentadorias, pensões, medicamentos gratuitos e o Sistema Único de Saúde (SUS) como possíveis pontos de mobilização.

Entre os mais jovens, ele cita os indicadores da economia, incluindo os níveis de desemprego.

2. Recuperar votos perdidos no Nordeste

Lula também terá que tentar recuperar espaço no Nordeste. No primeiro turno, o presidente teve votação menor do que em 2022 em todos os estados da região.

As maiores quedas ocorreram no Maranhão, onde passou de 68,84% para 63,91%, e na Bahia, de 69,73% para 66,04%.

Para o cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o Nordeste deve permanecer como uma das prioridades da campanha de Lula devido à identificação histórica de parte do eleitorado da região com o lulismo.

Outro desafio está relacionado às eleições estaduais. Bahia, Piauí e Ceará elegeram governadores petistas já no primeiro turno. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) venceu João Campos (PSB), candidato apoiado por Lula.

Segundo Luciana Santana, a campanha terá que encontrar estratégias para manter mobilizadas as bases eleitorais do presidente nos estados nordestinos.

3. Melhorar o desempenho em São Paulo

São Paulo, maior colégio eleitoral do país, também representa um dos principais desafios para Lula.

A diferença entre Flávio e Lula no estado chegou a 14 pontos percentuais no primeiro turno. Em 2022, Jair Bolsonaro havia terminado essa etapa com vantagem de sete pontos sobre Lula.

O presidente conseguiu vencer na capital paulista, com cinco pontos de vantagem, além de obter bons resultados em municípios da região metropolitana, como Diadema e São Bernardo do Campo.

No interior, porém, Flávio Bolsonaro teve vantagem mais ampla.

Segundo Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a diferença entre o comportamento eleitoral da capital e do interior deverá ser considerada pelas campanhas no segundo turno.

Flávio também conta com aliados politicamente relevantes no estado. O governador Tarcísio de Freitas foi reeleito no primeiro turno e é aliado do candidato. Os senadores eleitos Guilherme Derrite e André do Prado também apoiam Flávio.

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, por outro lado, aponta que a definição da eleição estadual ainda pode influenciar a mobilização de parte do eleitorado paulista.

4. Disputar os votos de Minas Gerais

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é outro estado importante para a estratégia de Lula.

Historicamente, o resultado mineiro é acompanhado com atenção nas eleições presidenciais por apresentar comportamento próximo ao resultado nacional em diversas disputas.

No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro venceu Lula no estado por cinco pontos percentuais. Quatro anos antes, Lula havia terminado a primeira etapa com vantagem semelhante sobre Jair Bolsonaro.

O mapa eleitoral também revelou diferenças regionais. O norte de Minas apresentou comportamento mais próximo ao Nordeste, com votação expressiva em Lula. Já o sul e o oeste do estado tiveram perfil mais semelhante ao interior paulista e ao Centro-Oeste.

O senador Cleitinho venceu a eleição para o governo de Minas no primeiro turno e declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Para o Senado, foram eleitos Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT). A petista é a única candidata do PT eleita para o Senado em um estado do Sudeste nesta eleição e pode ser uma das figuras acionadas pela campanha de Lula para tentar ampliar sua votação em Minas.

5. Conquistar votos dos demais candidatos

Outro desafio será a disputa pelos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.

Entre eles estão Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que receberam juntos pouco menos de 5% dos votos. Por serem candidatos identificados com a direita, analistas avaliam que parte desses eleitores pode se aproximar de Flávio Bolsonaro.

Um dos estados centrais nessa disputa será Goiás, onde Caiado recebeu cerca de 12% dos votos e quase meio milhão de votos.

Goiás também foi o estado em que Lula teve a maior queda proporcional em relação a 2022. A votação do petista passou de 39,51% para 31,06%, uma redução de 8,46 pontos percentuais. Flávio terminou com vantagem de 22 pontos sobre Lula.

A disputa também envolve os 3,4 milhões de votos obtidos por Augusto Cury (Avante). O candidato se apresentou como uma alternativa de centro à polarização entre esquerda e direita e declarou que não apoiará Lula nem Flávio no segundo turno.

Para o cientista político Creomar de Souza, da Dharma Politics, esse eleitorado de centro pode representar uma parcela importante da estratégia de Lula.

Segundo Souza, campanhas anteriores de Lula foram acompanhadas por esforços para dialogar com o eleitor de centro. Na avaliação do cientista político, a campanha de 2026 concentrou-se mais no legado dos governos anteriores e na comunicação com eleitores já alinhados ao petismo.

Com a votação de 25 de outubro se aproximando, Lula terá, portanto, que buscar novas adesões, reduzir a abstenção e recuperar parte do desempenho perdido em regiões estratégicas para tentar alterar o resultado definido no primeiro turno.

Por: Informativo em Foco/Informações BBCBrasil

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