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31.8.26

Correios têm prejuízo de R$ 2,4 bilhões no 2º trimestre de 2026

 Correios registram prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e acumulam perda de R$ 5,55 bilhões no semestre.

Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pela estatal neste sábado (29). O resultado representa uma redução de 5,5% em relação à perda de R$ 2,53 bilhões registrada no mesmo período de 2025.

Na comparação com o prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado nos primeiros três meses deste ano, a perda do segundo trimestre foi 24,4% menor.

Apesar da melhora trimestral, a empresa acumula prejuízo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026. O valor é 30,4% superior, em termos nominais, ao resultado negativo de R$ 4,26 bilhões registrado nos seis primeiros meses de 2025.

Resultado melhora, mas crise financeira continua

Os Correios passam por um processo de reestruturação após entrarem em uma grave crise financeira, com risco de falta de recursos em caixa.

Entre as medidas adotadas estão a regularização de dívidas acumuladas e novos Programas de Demissão Voluntária (PDVs). Por isso, a estatal já esperava registrar novos prejuízos bilionários em 2026.

Ainda assim, a redução da perda no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano foi considerada um sinal favorável para a recuperação.

Em nota, a companhia afirmou que o resultado acumulado no semestre continua sendo desafiador e reforça a necessidade de continuidade das medidas de reestruturação.

Despesas com pessoal caem 3,8%

Os dados do balanço mostram que os Correios conseguiram reduzir custos, principalmente com empregados. No primeiro semestre, a despesa com pessoal ficou em R$ 6,9 bilhões, uma queda de 3,8% em relação aos R$ 7,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Entre abril e junho, o gasto foi de R$ 3,5 bilhões, recuo de 4,9% em comparação aos R$ 3,66 bilhões do segundo trimestre do ano passado.

A redução ocorreu mesmo após o reajuste salarial linear de 5,1% acertado no ano passado.

Um dos fatores que contribuíram para a diminuição dos gastos foi o desligamento de 6.545 funcionários por meio de PDVs desde 2025.

Empresa reduz multas, mas aumenta provisões judiciais

Os Correios também conseguiram diminuir os pagamentos de multas e juros relacionados a atrasos no recolhimento de tributos e contribuições previdenciárias.

Por outro lado, aumentaram os encargos de empréstimos e financiamentos, em razão do crédito de R$ 12 bilhões contratado no ano passado.

Outro impacto veio da ampliação da provisão para perdas em processos judiciais. A empresa acrescentou R$ 1,28 bilhão nessa conta, que passou de R$ 4,86 bilhões em dezembro de 2025 para R$ 6,1 bilhões em junho de 2026.

Receitas com vendas e serviços recuam

Apesar dos esforços para reduzir despesas, as receitas operacionais dos Correios também apresentaram queda.

O ganho líquido com vendas e serviços somou R$ 7,87 bilhões no primeiro semestre, 3,9% abaixo dos R$ 8,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Ainda assim, o resultado ficou R$ 202 milhões acima do valor estimado no plano de recuperação da empresa.

No segundo trimestre, as receitas líquidas com vendas e serviços alcançaram R$ 4 bilhões, uma queda de 5,4% em relação aos R$ 4,24 bilhões registrados entre abril e junho de 2025.

Logística aumenta receitas

O detalhamento do balanço mostra que os Correios continuam registrando perdas de receita no segmento de remessas internacionais.

Em contrapartida, a área de logística apresentou crescimento. O setor gerou R$ 423 milhões no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro dos R$ 205 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

A administração da estatal, porém, reconhece que a melhora operacional ainda não foi suficiente para recuperar integralmente a geração recorrente de caixa e os indicadores econômico-financeiros e patrimoniais.

Correios precisam de R$ 20 bilhões para reequilibrar caixa

Sob novo comando desde o fim de setembro de 2025, quando Emmanoel Rondon assumiu a presidência, os Correios elaboraram um plano de reestruturação.

A empresa calculou uma necessidade de R$ 20 bilhões para equilibrar o caixa e recuperar as atividades.

Em dezembro de 2025, a estatal conseguiu um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

A operação teve a União como fiadora e ajudou a ampliar o fôlego financeiro da companhia, que acumulava dívidas judiciais e com fornecedores enquanto enfrentava queda nas receitas.

Estatal negocia novo empréstimo de R$ 7 bilhões

Agora, os Correios negociam um segundo crédito, no valor de R$ 7 bilhões.

Além disso, o Tesouro pretende incluir na proposta de Orçamento de 2027 uma previsão de aporte de R$ 6 bilhões na companhia. A injeção de recursos foi uma exigência dos bancos para a liberação do primeiro empréstimo.

Ainda não há definição sobre quando o repasse será realizado. A intenção da empresa é utilizar boa parte dos recursos para abater os créditos contratados, reduzir o endividamento e diminuir a pressão futura sobre o caixa causada pelo pagamento das prestações.

Correios registraram pior resultado da história em 2025

Em 2025, os Correios acumularam prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o pior resultado já registrado pela companhia.

A estatal está no vermelho desde 2022 e enfrenta problemas relacionados à deterioração das operações e ao impacto de ações judiciais sobre o caixa.

Ao mesmo tempo, as despesas continuaram aumentando, principalmente os gastos com pessoal.

Em 2024, a empresa também sofreu uma queda nas receitas após a criação do programa Remessa Conforme, iniciativa do governo voltada à aceleração da liberação de encomendas internacionais por meio de maior controle sobre a cobrança de tributos.

O programa, porém, também acabou desobrigando a distribuição dessas remessas pelos Correios, afetando uma importante fonte de receita da estatal.

Por: Informativo em Foco

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