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31.8.26

Frio aumenta risco de infarto e AVC; veja como se proteger

 Baixas temperaturas podem aumentar o risco de infarto e AVC, principalmente entre pessoas com hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

As baixas temperaturas do inverno não estão relacionadas apenas ao aumento das doenças respiratórias. O frio também pode elevar o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), principalmente entre pessoas que já possuem doenças crônicas ou outros fatores de risco cardiovascular.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) indicam que os casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) podem aumentar em até 30% nos meses mais frios. Já as ocorrências de AVC podem crescer cerca de 20%, especialmente quando as temperaturas ficam abaixo de 14°C.

Segundo o cardiologista Murilo Meneses, médico e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Goiânia, a principal explicação está na reação natural do organismo para preservar o calor corporal.

Por que o frio aumenta o risco de infarto?

Quando a temperatura cai, os vasos sanguíneos se contraem em um processo chamado vasoconstrição. Com o estreitamento dos vasos, aumenta a resistência à circulação do sangue e, consequentemente, a pressão arterial.

O frio também estimula o sistema nervoso simpático, aumentando a liberação de adrenalina, a frequência cardíaca e a necessidade de oxigênio pelo coração.

Para pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doenças cardiovasculares, essas alterações podem favorecer a ocorrência de eventos cardíacos.

O cardiologista explica que o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue enquanto o organismo também aumenta o gasto de energia para manter a temperatura corporal.

Em pessoas com placas de gordura nas artérias coronárias, esse aumento da demanda de oxigênio pode provocar um desequilíbrio entre a quantidade de oxigênio necessária e a que chega ao músculo cardíaco, favorecendo o infarto.

Temperaturas muito baixas também podem aumentar processos inflamatórios e favorecer a formação de coágulos, contribuindo para o rompimento de placas de gordura.

Mudanças de hábitos no inverno também influenciam

Além dos efeitos fisiológicos provocados pelo frio, alguns comportamentos comuns durante o inverno podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.

Entre eles estão:

  • redução da prática de atividades físicas;
  • maior consumo de alimentos ricos em gordura e sódio;
  • ingestão insuficiente de água.

Esses fatores podem favorecer a descompensação de doenças cardiovasculares e metabólicas.

Frio pode aumentar o risco de AVC

O neurocirurgião Normando Guedes, médico e professor da Afya Brasília, ressalta que o frio, sozinho, não provoca um AVC. A queda de temperatura pode funcionar como um gatilho em pessoas que já apresentam fatores predisponentes.

Hipertensão, diabetes, idade avançada e doenças nas artérias estão entre as condições que podem aumentar o risco.

Com o frio, a contração dos vasos sanguíneos pode elevar a pressão arterial. Além disso, segundo o especialista, o sangue tende a ficar mais concentrado e com maior facilidade para coagular.

Essa combinação pode aumentar a possibilidade de um vaso cerebral ficar obstruído ou se romper.

O especialista também afirma que os cuidados devem continuar mesmo depois de uma queda de temperatura, já que estudos apontam que o pico de ocorrência de AVC pode aparecer alguns dias após a mudança no clima.

Quem precisa ter mais cuidado durante o inverno?

Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças vasculares e idosos precisam redobrar a atenção durante os períodos de temperaturas mais baixas.

Entre as recomendações dos especialistas estão:

  • não interromper ou espaçar medicamentos prescritos;
  • manter uma boa hidratação mesmo sem sentir sede;
  • continuar praticando atividades físicas, inclusive dentro de casa;
  • evitar mudanças bruscas de temperatura;
  • manter as vacinas em dia, especialmente contra gripe e pneumonia;
  • controlar adequadamente as doenças crônicas.

A prevenção durante o ano inteiro continua sendo a principal estratégia para reduzir os riscos.

Sintomas de AVC exigem atendimento imediato

Reconhecer os sinais de um AVC rapidamente pode fazer diferença no tratamento e na redução de possíveis sequelas.

Entre os sintomas que podem surgir de forma súbita estão:

  • perda ou embaçamento da visão;
  • dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual;
  • tontura acompanhada de perda de equilíbrio;
  • dormência em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar.

Segundo o neurocirurgião, “tempo é cérebro”. Por isso, não se deve esperar que os sintomas desapareçam.

Uma das orientações é anotar o horário em que os sinais começaram e acionar imediatamente o SAMU, já que o atendimento pode começar durante o transporte até o hospital.

Quais são os sinais de infarto?

Os principais sintomas de infarto incluem:

  • dor ou pressão no peito;
  • falta de ar;
  • suor intenso;
  • náuseas;
  • desconforto que pode irradiar para os braços, costas, pescoço ou mandíbula.

Diante desses sinais, é importante buscar atendimento médico imediatamente.

Prevenção reduz riscos durante todo o ano

Os especialistas reforçam que o controle dos fatores de risco continua sendo a melhor forma de prevenção. Manter a pressão arterial controlada, seguir os tratamentos prescritos, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro, controlar colesterol e diabetes e manter uma boa hidratação são medidas importantes durante todo o ano.

Segundo o Dr. Normando, grande parte dos casos de AVC pode ser evitada. O controle da pressão arterial, diabetes, colesterol, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool responde por cerca de 90% do risco.

Dessa forma, embora o frio aumente a exigência do organismo, principalmente em quem já possui fatores de risco, manter as doenças crônicas sob controle, conhecer os sinais de alerta e procurar atendimento rapidamente são medidas fundamentais para proteger o coração e o cérebro.

Por: Informativo em Foco

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