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4.7.26

Jerusalém negocia cobrança de impostos de igrejas em disputa diplomática

Prefeitura de Jerusalém negocia cobrança de impostos sobre propriedades de igrejas cristãs, em caso que envolve impacto diplomático e disputas históricas.

A Prefeitura de Jerusalém está envolvida em negociações com a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Armênia para a possível cobrança de impostos municipais sobre propriedades pertencentes às instituições religiosas na cidade. A informação foi divulgada pela plataforma israelense de jornalismo investigativo Shomrim.

Segundo a investigação, a prefeitura cobra “centenas de milhões de shekels” referentes a tributos sobre imóveis ligados às principais denominações cristãs em Jerusalém. As negociações ocorrem de forma separada com cada uma das igrejas.

A Igreja Católica, por exemplo, teria contratado uma empresa de lobby dos Estados Unidos para representá-la nas tratativas. As conversas estariam sendo conduzidas com participação do Ministério das Relações Exteriores de Israel, devido ao impacto diplomático do caso.

Grande parte das propriedades envolvidas está localizada em áreas conquistadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Nesse contexto, o pagamento de impostos poderia ser interpretado como um reconhecimento indireto da soberania israelense sobre Jerusalém Oriental.

Atualmente, os imóveis das igrejas estão sendo inventariados para definir quais seriam sujeitos à cobrança e se haverá eventual pagamento retroativo.

As instituições religiosas possuem isenção de impostos com base em uma lei do período do Mandato Britânico da Palestina (1922–1948), que garante benefícios tributários a organizações religiosas, educacionais e de saúde.

Nos últimos anos, no entanto, cidades como Tel Aviv, Nazaré, Ramla e Jerusalém passaram a contestar essas isenções, o que gerou reação das lideranças cristãs.

Em 2024, líderes religiosos enviaram uma carta ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificando as medidas como um “ataque coordenado à presença cristã na Terra Santa”. No documento, afirmaram que há uma tentativa de enfraquecer a presença cristã na região.

Ainda no ano passado, a Prefeitura de Jerusalém bloqueou contas do Patriarcado Ortodoxo Grego, ação que levou o Ministério das Relações Exteriores da Jordânia a condenar a decisão.

Em resposta à Shomrim, a Prefeitura de Jerusalém afirmou manter diálogo com representantes das igrejas para resolver a questão das dívidas relacionadas a imóveis que não são utilizados como locais de culto e para verificar documentação de instituições que possam ter direito a isenções ou descontos.

Documentos obtidos pela investigação indicam reuniões com autoridades e políticos dos Estados Unidos, incluindo representantes do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, do presidente da Câmara, Mike Johnson, do senador Chris Van Hollen e do embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter. Os encontros teriam sido organizados pela empresa de lobby Livingston Group, contratada pela Igreja Católica.

Segundo os documentos, a cobrança de impostos foi um dos principais temas discutidos, junto de relatos sobre incidentes envolvendo violência e assédio contra cristãos na região.

Um relatório do Centro Inter-religioso Rossing para Educação e Diálogo aponta 155 incidentes contra cristãos em 2025, incluindo agressões físicas, ataques a propriedades da Igreja, casos de assédio e vandalismo contra símbolos religiosos. O estudo também relata aumento da sensação de insegurança entre membros do clero.

Jerusalém Oriental, onde estão localizados importantes locais sagrados como a Cidade Velha, o Muro das Lamentações, a Esplanada das Mesquitas e a Igreja do Santo Sepulcro, permanece no centro das tensões políticas e religiosas da região.

Por: Informativo em Foco

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