A obesidade, considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já afeta mais de 1 bilhão de pessoas e representa um dos maiores desafios da saúde pública. No Brasil, o número de pessoas com obesidade cresceu 118% nos últimos 19 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Além dos impactos sobre a saúde cardiovascular e metabólica, especialistas alertam que a obesidade está diretamente relacionada à saúde mental, criando um ciclo que pode favorecer tanto o ganho de peso quanto o desenvolvimento de transtornos psicológicos.
Relação entre obesidade e saúde mental é de mão dupla
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, apontam que pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver depressão, ansiedade e baixa autoestima.
Ao mesmo tempo, transtornos mentais também podem contribuir para o aumento de peso por meio da alimentação emocional, da redução da prática de atividades físicas e até dos efeitos colaterais de alguns medicamentos.
Segundo a professora de Psiquiatria da Afya Itaperuna, Dra. Fernanda Miranda, a obesidade é uma doença multifatorial e não deve ser atribuída apenas à alimentação inadequada ou à falta de força de vontade.
"O corpo possui mecanismos próprios de regulação do peso, influenciados por hormônios e pela genética, responsável por parcela significativa da predisposição individual. Além disso, fatores como estresse crônico, privação de sono, rotina acelerada e maior consumo de alimentos ultraprocessados interferem diretamente no comportamento alimentar", explica.
Sono, estresse e ansiedade influenciam o apetite
De acordo com a especialista, alterações no humor e na qualidade do sono afetam diretamente a sensação de fome e saciedade.
Dormir pouco pode aumentar o apetite, enquanto estresse, ansiedade e depressão costumam estimular o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura. Nesses casos, a comida passa a desempenhar um papel de alívio emocional, gerando um ciclo de conforto momentâneo seguido por sentimentos de culpa e frustração.
Preconceito agrava o problema
Outro fator que contribui para o agravamento da obesidade é o estigma social relacionado ao peso.
Segundo a professora de Psicologia da Afya Itaperuna, Dra. Renata Caveari, a cultura que associa magreza ao sucesso e ao autocontrole faz com que pessoas com excesso de peso sejam frequentemente julgadas.
"Essa percepção reforça sentimentos de vergonha e exclusão, impactando a autoestima e podendo intensificar quadros de ansiedade e depressão. O preconceito também afasta muitas pessoas dos serviços de saúde, dificultando o diagnóstico e o tratamento adequados", afirma.
Tratamento deve ser multidisciplinar
Os especialistas ressaltam que alguns transtornos psiquiátricos e determinados medicamentos também podem favorecer o ganho de peso, tornando indispensável o acompanhamento profissional.
Para a psiquiatra Fernanda Miranda, os melhores resultados surgem quando o tratamento reúne diferentes áreas da saúde.
"Abordagens isoladas tendem a ter resultados limitados. O tratamento mais eficaz envolve atuação multidisciplinar, integrando alimentação equilibrada, prática de atividade física, sono adequado, manejo do estresse e cuidado com a saúde mental."
Cuidado vai além da balança
Os especialistas destacam que o tratamento da obesidade deve priorizar uma abordagem humanizada, considerando não apenas o peso corporal, mas também aspectos emocionais, sociais e comportamentais.
Melhorias na qualidade do sono, no condicionamento físico, na autoestima e no bem-estar psicológico também devem ser valorizadas durante o processo terapêutico.
Para os profissionais, tratar obesidade e saúde mental de forma integrada é fundamental para interromper ciclos de sofrimento, promover qualidade de vida e alcançar resultados duradouros na saúde.
Por: Informativo em Foco



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