A prática regular de musculação pode ser uma importante aliada na prevenção do Alzheimer e também no tratamento de pessoas que já convivem com a doença. Além de fortalecer os músculos e preservar a mobilidade durante o envelhecimento, o treinamento de força contribui para a saúde cerebral por meio de mecanismos biológicos que ajudam a proteger as funções cognitivas.
Especialistas destacam que o exercício físico está entre as principais estratégias não medicamentosas para reduzir o risco de demência. O sedentarismo é considerado um dos fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento da doença, tornando a atividade física essencial para um envelhecimento mais saudável.
Exercício fortalece corpo e cérebro
O aposentado Rogério Beck, de 59 anos, recebeu o diagnóstico de Alzheimer há cerca de dois anos e passou a incluir a musculação como parte do tratamento. Atualmente, ele treina entre três e quatro vezes por semana, dividindo os exercícios por grupos musculares.
Segundo Rogério, os benefícios são perceptíveis no dia a dia.
"Nos dias em que não treino, passo o dia mais irritado e acabo dormindo pior."
Já sua esposa, Karin Beck, de 55 anos, decidiu investir na atividade física como forma de prevenção. Com histórico familiar da doença, ela pratica pilates duas vezes por semana e realiza caminhadas regularmente para manter a saúde física e mental.
Como a musculação protege o cérebro
De acordo com o neurologista Paulo Caramelli, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a musculação estimula a produção das chamadas miocinas, substâncias liberadas pelos músculos durante a contração.
Essas moléculas chegam ao cérebro por meio da circulação sanguínea e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios, além de contribuir para a chamada plasticidade cerebral — capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões ao longo da vida.
Outro benefício importante é a redução dos processos inflamatórios, além da melhora da circulação sanguínea e do metabolismo da glicose, fatores que também ajudam a proteger o cérebro.
Benefícios para quem já tem Alzheimer
Embora ainda não existam evidências definitivas de que a musculação consiga retardar a evolução do Alzheimer, especialistas afirmam que ela traz ganhos significativos para pacientes diagnosticados com a doença.
Entre os principais benefícios estão:
- preservação da força muscular;
- melhora da mobilidade;
- redução do risco de quedas;
- maior independência nas atividades diárias;
- melhora da qualidade de vida.
Esses resultados são especialmente importantes porque muitos pacientes desenvolvem sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa muscular durante o envelhecimento.
Exercícios combinados apresentam melhores resultados
O educador físico Luiz Sinésio Neto, diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) no Tocantins, recomenda um programa de exercícios que combine diferentes modalidades.
Segundo ele, o chamado treinamento multicomponente reúne musculação, atividades aeróbicas, exercícios de equilíbrio e mobilidade, oferecendo benefícios ainda maiores para a saúde cognitiva.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet acompanhou 1.260 pessoas com risco elevado de desenvolver Alzheimer. Após dois anos, os participantes que combinaram exercícios físicos, treinamento cognitivo e controle dos fatores cardiovasculares apresentaram melhor desempenho nas funções cognitivas em comparação ao grupo que não realizou a intervenção.
Outro relatório da The Lancet, divulgado em 2024, identificou a inatividade física como um dos 14 principais fatores de risco modificáveis para demência.
Especialistas recomendam musculação duas a três vezes por semana
A profissional de educação física Talita Cezareti, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), afirma que a musculação deve ser praticada de forma regular, sempre com orientação profissional.
A recomendação é realizar treinos de força entre duas e três vezes por semana, associados a exercícios aeróbicos, respeitando as condições físicas de cada pessoa.
As diretrizes internacionais também orientam que adultos e idosos pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, combinando diferentes modalidades para promover um envelhecimento saudável e reduzir o risco de doenças neurodegenerativas.
Por: Redação Informativo em Foco



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