PSDB decide apoiar pré-candidatura de Simone Tebet, do MDB, à Presidência

 Pré-candidata do MDB também conta com apoio do Cidadania. João Doria venceu prévias do PSDB em 2021, mas desistiu por falta de apoio; segundo pesquisa, Tebet tem 2% das intenções de voto.

A Executiva Nacional do PSDB oficializou nesta quinta-feira (9) o apoio à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República. Com o anúncio, a parlamentar já reúne os apoios de MDB, Cidadania e PSDB.

A decisão do PSDB foi tomada em uma reunião em Brasília com representantes dos outros dois partidos, nesta quarta (8), e confirmada nesta quinta pela Executiva Nacional da sigla por 39 votos a 6.

Simone Tebet comentou o anúncio em uma rede social.

"Este é um reencontro do centro democrático não agendado pela história, mas exigido por ela. No passado, democracia, cidadania, justiça social. Hoje, pelos mesmos valores e com a mesma urgência, unimos forças por um Brasil sem fome e sem miséria. Sabemos da responsabilidade. Estamos prontos. Com coragem e amor, vamos reconstruir o Brasil. Recebo com alegria e imensa honra o apoio do PSDB à nossa candidatura", disse Tebet.

O anúncio acontece três semanas após o então pré-candidato tucano ao Planalto, João Doria, abandonar a disputa. Doria venceu as prévias do partido em 2021, mas foi perdendo o apoio interno da legenda ao longo dos últimos meses.

Desde que Doria desistiu da disputa, Simone Tebet vinha afirmando que gostaria de contar com o apoio dos tucanos.

O colunista do g1 Valdo Cruz mostrou, porém, que uma ala do partido ainda defendia uma candidatura própria, enquanto outra ala condicionava o apoio a Tebet se o MDB passasse a apoiar candidatos tucanos em alguns estados, entre os quais Pernambuco e Rio Grande do Sul.

PSDB sem candidato próprio

Se o cenário se mantiver, esta será a primeira vez desde a redemocratização que o PSDB não terá candidato próprio à presidência (Mario Covas disputou em 1989; Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998; José Serra, em 2002 e 2010; Geraldo Alckmin, em 2006 e 2018; e Aécio Neves, em 2014).

O deputado Aécio Neves (MG), um dos tucanos que defendia o lançamento de uma candidatura própria do PSDB, afirmou nesta quinta que não vai mais “tensionar essa questão” dentro da sigla.

Aécio disse reconhecer que o apoio à Simone é um movimento encabeçado pela direção do partido, mas avaliou que a aliança não terá “correspondência na política real”.

“Temo que, em vários estados, o PSDB terá enorme dificuldade de caminhar com o MDB. Para o país, era necessário que o PSDB tivesse candidatura própria para sinalizar para o futuro o que chamaria de uma reinstitucionalização da política. O PSDB ausente dessa eleição é muito ruim para o partido, para as candidaturas do partido, mas acredito que seja ruim também para o país”, declarou.

Aécio disse, no entanto, que não vê a decisão da Executiva Nacional como definitiva. Para ele, é preciso esperar para avaliar como a candidatura da senadora “vai se portar” até o período das convenções partidárias.

As convenções servem para que os partidos definam os candidatos que vão disputar nas eleições. Este ano, o prazo para as convenções ocorrerem vai de 20 de julho a 5 de agosto. O pedido de registro da candidatura deve ser feito até 15 de agosto.

Pesquisa Datafolha divulgada no mês passado mostrou o ex-presidente Lula (PT) com 48% das intenções de voto, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com 27%. Simone Tebet apareceu em quinto lugar, com 2% das intenções. Na pesquisa anterior, de março, a senadora apareceria em oitavo lugar, com 1%.

A reunião que definiu o apoio

A reunião, na prática, validou acordos firmados pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, com dirigentes do MDB e do Cidadania nas últimas semanas.

O anúncio do apoio do PSDB, porém, era aguardado desde o dia 25 de maio – data em que ficou combinado que cada partido reuniria sua executiva para ratificar o nome de Tebet. O PSDB, no entanto, adiou essa reunião por duas vezes.

O União Brasil chegou a integrar o grupo. Nas últimas semanas, no entanto, decidiu lançar candidatura própria. O pré-candidato é Luciano Bivar (SP), deputado federal e presidente da sigla.

Agora, a expectativa é que o PSDB indique um candidato a vice-presidente para a chapa de Simone Tebet. O nome mais cotado é o do senador Tasso Jereissati (CE) – que participou da reunião na noite desta quarta.

Tasso estava na reunião ocorrida na noite de quarta, que reforçou o alinhamento do PSDB ao MDB. Nesta quinta, o senador participou de forma remota do encontro da Executiva.

Palanques regionais

Os colunistas do g1 Valdo Cruz e Julia Duailibi mostraram nas últimas semanas que, para apoiar Simone Tebet, o PSDB exigiu uma contrapartida: o apoio do MDB a candidatos tucanos em alguns estados, como Pernambuco e Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul, o pré-candidato do MDB a governador é Gabriel Souza, enquanto o PSDB espera lançar o ex-governador Eduardo Leite, que renunciou neste ano.

Presidente do PSDB, Bruno Araújo chegou a dizer que, se não houvesse "posição concreta" do MDB sobre o tema, o PSDB ficaria "aberto a pensar em outra alternativa".

Até esta quinta, porém, o MDB gaúcho mantinha a pré-candidatura de Souza. Segundo o presidente do PSDB, mesmo sem a solução dos palanques regionais, as conversas com o MDB seguirão.

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