Em ano eleitoral, Bolsonaro amplia acenos ao eleitorado feminino para diminuir rejeição

 Nesta terça-feira, que marca o Dia Internacional da Mulher, o presidente participou, ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, do hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada.

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro usará o mês de março para fazer acenos ao eleitorado feminino e diminuir a sua rejeição por 60% das mulheres, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro. Nesta terça-feira, que marca o Dia Internacional da Mulher, o presidente participou, ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, do hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada e ainda realizará uma solenidade especial sobre a data no Palácio do Planalto. 

Além disso, durante todo o mês de março, Bolsonaro já avisou que convidará mulheres para participar de suas transmissões semanais nas redes sociais.

A programação desse ano para data será mais intensa do que nos anos anteriores. Em março de 2019, no primeiro ano de governo, também houve uma cerimônia no Planalto, mas sem anúncio específico para a data. Na ocasião, o presidente afirmou que havia equilíbrio de gênero no governo federal porque as então únicas duas ministras — Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) — "valem por dez homens". Nos dois anos seguintes, Bolsonaro não participou de eventos na data.

Na manhã desta terça-feira, Michelle foi a estrela da cerimônia no Alvorada. A própria primeira-dama hasteou uma das bandeiras, enquanto Bolsonaro ficou em frente a um palanque ocupado apenas por mulheres, entre autoridades e convidadas. Enquanto isso, a banda marcial da Presidência tocava músicas como "Maria, Maria", de Milton Nascimento.

Ainda na manhã desta terça-feira, está previsto evento no Palácio do Planalto em que serão assinados decretos voltados ao público feminino. Um deles vai criar um programa que irá desenvolver políticas públicas ligadas à maternidade. O outro vai promover empreendedorismo feminino por meio da ampliação da oferta de crédito.

O desempenho do presidente entre as mulheres é visto por seus auxiliares como um dos pontos fracos da campanha de Bolsonaro à reeleição: não apenas a rejeição é alta, mas as mulheres também são mais reticentes em declarar voto no presidente. Em um dos cenários pesquisados pelo Datafolha, Bolsonaro tem 18% das intenções de voto entre as eleitoras, seis pontos percentuais a menos que entre os homens. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro, com 52,4%.

Desde o início do governo, o presidente ouve sugestões de pessoas próximas para investir na imagem da primeira-dama. Michelle, entretanto, quase sempre se manteve distante do dia-a-dia do governo, com exceção dos programas liderados por ela, como o Pátria Voluntária. Nos últimos meses, entretanto, Michelle vem ganhando mais destaque. No último Natal, durante pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, a primeira-dama falou por mais tempo do que Bolsonaro.

A dificuldade de Bolsonaro com as mulheres, entretanto, não é recente. Desde sua eleição, o presidente tem uma força maior entre os homens, consequência de seu histórico de polêmicas, que incluem acusações de machismo durante sua carreira como parlamentar, como a discussão com a deputada Maria do Rosário, do PT. Na ocasião, Bolsonaro disse que a congressista não "merecia" ser estuprada.

As polêmicas continuaram durante o mandato. Em abril de 2019, com quatro meses de mandato, Bolsonaro reclamou do que chamou de "turismo gay" no Brasil, mas disse que estrangeiros seriam bem-vindos se buscassem mulheres.

— Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, (o Brasil) não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay — declarou.

Neste domingo, entretanto, ao comentar sobre as declarações do deputado estadual Arthur do Val, que em viagem à Ucrânia disse que as mulheres que fugiam do conflito com a Rússia eram "fáceis porque eram pobres", Bolsonaro criticou o parlamentar.

— É tão asquerosa que nem merece comentário — respondeu o presidente quando questionado sobre o caso.

De olho nas eleições, alguns aliados do presidente também chegaram a sugerir a possibilidade de Bolsonaro escolher uma companheira de chapa. Desde então, alguns nomes já circularam nos bastidores, como o da ministra Tereza Cristina. Em janeiro deste ano, o GLOBO revelou que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avalia que Tereza Cristina seria o nome ideal para Bolsonaro. Segundo ele, a ministra agregaria à chapa por ser mulher, respeitada no agronegócio e com bom trânsito político. A tendência, entretanto, é que Tereza seja candidata ao Senado pelo Mato Grosso do Sul.

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