Datafolha: Aliados de Lula e Bolsonaro veem enterro de rivais, e Moro discorda

 

A pesquisa do Datafolha mostrou que Bolsonaro demonstrou ter recuperado um pouco de fôlego, chegando a 26% de intenções de voto na disputa, que segue sendo liderada por Lula, com 43%.

FOLHAPRESS) - Integrantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PL) afirmam que a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) consolida o enterro da chamada "terceira via", o grupo de políticos e partidos que buscam emplacar um nome que faça frente à polarização eleitoral entre o petista e o presidente da República.

O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) afirma discordar, porém, dizendo que os números o consolidam como a mais forte opção à dupla que lidera a corrida presidencial.

"Não gosto de comentar pesquisas, mas em todas a gente vê tendência de alta do Bolsonaro e Lula em queda. Isso garante a polarização e acaba com as chances de uma terceira via. Por isso acredito que vamos vencer no segundo turno", disse o ministro Fábio Faria (Comunicações), um dos principais integrantes da ala política do governo.

"A pesquisa enterra definitivamente a história da terceira via. E nós vamos ter que atuar, desenvolver, organizar e articular a campanha considerando este cenário. A disputa é entre Lula e Bolsonaro, é isso que a pesquisa indica", diz o deputado federal José Guimarães (CE), um dos vice-presidentes do PT.

Para Moro, porém, a leitura é outra. "A pesquisa mostra a consolidação do meu nome como o mais forte da terceira via, antes mesmo do programa eleitoral do Podemos, um fator positivo, que pode contribuir para afunilar as discussões dos partidos que buscam uma alternativa à polarização", disse.

A pesquisa do Datafolha mostrou que Bolsonaro demonstrou ter recuperado um pouco de fôlego, chegando a 26% de intenções de voto na disputa, que segue sendo liderada por Lula, com 43%.

Empatados em terceiro lugar vêm Moro, com 8%, e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT,), com 6%, seguidos de perto por um pelotão de adversários.

Integrantes do governo Bolsonaro atrelam a retomada de fôlego do presidente à "profissionalização" da campanha e ao que eles consideram como uma troca de polêmicas por "agendas positivas". Citam, por exemplo, a diminuição das críticas à vacinação contra a Covid. Pesquisas internas mostraram que Bolsonaro perdia votos com esse discurso, dizem palacianos.

"Eu não considero o Bolsonaro com 26% um crescimento coisíssima nenhuma. Ele fica oscilando entre 25%, 26% e 27%. O Lula, com 43%, na minha percepção, pode bater 50% de votos válidos", diz o petista José Guimarães, que ressalta ainda o que aliados de Bolsonaro classificam como "agenda positiva".

"O Bolsonaro está em plena campanha, usando a máquina do governo do jeito que quer para pavimentar sua reeleição. Com grau de rejeição que ele tem, quem deve ficar preocupado é o governo Bolsonaro."

Em avaliações internas, outros petistas dizem considerar que Bolsonaro teve um crescimento pequeno se levadas em conta todas as ações recentes do governo, incluindo Auxílio Brasil, lançamento de linhas de crédito e liberação de saques de FGTS, entre outras medidas.

Coordenador da campanha de Moro, Luís Felipe Cunha faz uma análise positiva dos números e cita o adversário direto na disputa da terceira via, o pedetista Ciro Gomes.

"É um cara testado nas da urnas e a gente sabe o limite dele, é um candidato que está indo para sua quarta eleição e nunca passa disso. O Sergio Moro não, ele está na disputa com um percentual extremamente elevado para um cara que entrou na política recentemente."

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, diz avaliar que a pesquisa ainda reflete o atual momento eleitoral, de acomodação de candidaturas.

"Acho que estamos em uma fase em que eleição é um filme. É uma coisa que tem momentos, alguns mais dramáticos, outros mais tranquilos, de alegria, de tristeza. Agora estamos em um momento de acomodação."

Lupi disse que a polarização protagonizada por Lula e Bolsonaro cria "uma mola compressora sobre as outras candidaturas". "O Ciro sobreviver depois de todas essas candidaturas que se apresentaram até agora é um milagre. É um cara que está fora do poder e da mídia há 16 anos."

Ele destacou ainda que o fim da janela de troca-troca de deputados entre os partidos (1º de abril) deixará os palanques mais claros. Além disso, afirmou que o cenário só estará mais consolidado perto das convenções partidárias. "Até lá tudo é sondagem, conversa, diálogo."

Para o presidente do MDB, Baleia Rossi, a pesquisa ainda reflete o pouco nível de conhecimento dos candidatos.

"Também reforça a necessidade de união dos candidatos de centro para que sejam mais competitivos. Acho que a Simone, por ter menor rejeição, ser mulher, ter uma vida pública muito coerente, pode liderar esse processo", afirmou.

Baleia diz que com as viagens que a senadora tem feito e com sua participação na propaganda partidária ela se tornará mais conhecida e sua a candidatura tende a crescer.
Procurado, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, não respondeu até a publicação do texto.

"Fui o pré candidato que mais cresceu na pesquisa e o resultado mostra que o potencial da nossa candidatura é enorme. Tem muito espaço para conquistar", disse André Janones (Avante-MG).

 POR FOLHAPRESS

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