Polícia Federal pede autorização ao STF para investigar suspeitas de tráfico de mulheres e exploração sexual em festas ligadas a Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para fins de exploração sexual e de lenocínio, prática relacionada ao favorecimento da prostituição, em festas associadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A solicitação foi encaminhada na semana passada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, segundo informações divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo e posteriormente confirmadas pela reportagem.
O pedido tem como base elementos encontrados pela PF no celular do ex-banqueiro. As mensagens analisadas pelos investigadores apontariam para um suposto envolvimento de Vorcaro no gerenciamento de uma rede de prostituição com mulheres estrangeiras.
O encaminhamento ao gabinete de Fachin ocorreu após o ministro determinar que os inquéritos relacionados aos casos Banco Master e INSS fossem enviados à Presidência do Supremo, em meio à crise envolvendo a Corte. Apesar da medida, o ministro André Mendonça continua responsável pela relatoria dos casos.
Mensagens encontradas pela PF são alvo de investigação
As conversas identificadas no celular de Vorcaro levantaram suspeitas sobre sua possível participação na organização e no financiamento de uma estrutura voltada à prostituição. A apuração pretendida pela Polícia Federal busca investigar possíveis crimes relacionados ao tráfico de mulheres e ao favorecimento da prostituição.
Segundo reportagem do UOL, Vorcaro teria estruturado e financiado, como sócio oculto, uma rede internacional de prostituição a partir de 2023. Os recursos destinados ao negócio somariam pelo menos R$ 4,3 milhões, conforme a publicação.
A estrutura, de acordo com a reportagem, contaria com intermediários, recrutamento ativo de mulheres estrangeiras e uma casa noturna em São Paulo.
Ainda segundo o UOL, as mensagens indicariam que Vorcaro selecionava mulheres de diferentes nacionalidades, transmitia orientações sobre o funcionamento da operação e participava de decisões relacionadas às contratações. Entre as nacionalidades mencionadas nas conversas estão russa, ucraniana, venezuelana, argentina e polonesa.
As informações integram os elementos que motivaram o pedido de autorização para aprofundar as investigações. As suspeitas, contudo, ainda dependem da apuração das autoridades competentes.
Reportagens apontam presença de mulheres estrangeiras em festas
Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou que Vorcaro promoveu festas com a presença de mulheres trazidas do exterior. Segundo o jornal, os eventos reuniam modelos de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela.
A importância desses encontros para o empresário e a razão da presença das mulheres também apareceram em mensagens trocadas entre Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff.
Em uma conversa de 18 de agosto de 2025, Graeff demonstrou indignação com o fato de o empresário manter contato, nas redes sociais, com mulheres que ela classificava de forma pejorativa como prostitutas.
Na resposta, Vorcaro escreveu: “Fazia parte do meu 'business'. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”.
A mensagem foi identificada pelas investigações em um dos celulares do ex-banqueiro. O conteúdo passou a integrar o conjunto de informações divulgadas sobre as festas e as relações do empresário com mulheres estrangeiras.
Encontros teriam estrutura organizada para receber convidados
A Folha de S.Paulo também informou que Vorcaro teria organizado estrutura, equipe e logística para realizar encontros em dias úteis, paralelamente a compromissos oficiais no Brasil e no exterior.
De acordo com a publicação, a organização dos eventos considerava a presença de políticos e outras autoridades que precisavam retornar às suas bases e famílias durante os fins de semana.
Essas informações acrescentam detalhes sobre o funcionamento das festas e a estrutura que teria sido montada para viabilizar os encontros. A eventual relação entre os eventos, a rede investigada e as suspeitas de crimes deverá ser esclarecida pelas autoridades durante a apuração.
Vorcaro nega irregularidades
Em nota divulgada no último dia 13, Daniel Vorcaro negou ter cometido irregularidades e rejeitou as suspeitas de exploração ou desrespeito a mulheres.
“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, declarou.
O pedido da Polícia Federal ao STF representa uma etapa para a possível ampliação das investigações. A análise da solicitação e o aprofundamento das apurações deverão esclarecer o alcance das suspeitas e a eventual existência de responsabilidades criminais.
Por: Informativo em Foco



0 commentarios:
Postar um comentário