Escola municipal de Atibaia suspende aulas após 71 casos de sarna humana entre alunos e professores. Saiba como identificar, prevenir e tratar a doença.
Uma escola municipal de Atibaia, no interior de São Paulo, suspendeu as aulas nesta sexta-feira (23) após registrar 71 casos de escabiose, conhecida popularmente como sarna humana, entre alunos e professores. A doença é causada por um ácaro e pode se espalhar pelo contato prolongado com pessoas infectadas ou pelo compartilhamento de roupas e outros objetos contaminados.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a escabiose é uma infecção parasitária que se dissemina com facilidade em ambientes de convivência coletiva, como escolas, creches e residências. A principal manifestação é a coceira intensa, que costuma piorar durante a noite e pode vir acompanhada de pequenas lesões na pele.
A dermatologista Marcela Cestari, do Sírio-Libanês, explica que a doença pode atingir qualquer pessoa e não está relacionada à falta de higiene. A suspensão das aulas em locais com casos confirmados pode ajudar na organização das avaliações e na orientação das famílias, mas não é suficiente, isoladamente, para interromper a transmissão.
O que causa a sarna humana e quais são os sintomas?
A escabiose é provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis. Segundo a dermatologista, o parasita escava a camada mais superficial da pele para viver e depositar seus ovos, provocando uma reação que causa coceira e lesões.
O principal sintoma é a coceira intensa, especialmente à noite. As lesões podem se parecer com pequenas espinhas e aparecer em diferentes partes do corpo, principalmente:
Entre os dedos das mãos;
Nos punhos e nas axilas;
Na região da cintura;
Nos órgãos genitais;
Nas nádegas.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato prolongado entre a pele de uma pessoa infectada e a de outra pessoa. Também pode acontecer por meio de roupas, toalhas, lençóis e outros objetos contaminados.
A médica alerta que o ato de coçar pode provocar infecções bacterianas na pele. Pessoas idosas e imunossuprimidas também podem desenvolver a forma crostosa da doença, considerada mais grave e altamente contagiosa.
Como a escabiose é diagnosticada?
O diagnóstico é clínico e considera o exame da pele e o histórico do paciente. Um sinal importante é a presença de coceira noturna em várias pessoas que vivem na mesma casa ou frequentam a mesma turma escolar.
Pessoas com coceira persistente ou que tiveram contato próximo com alguém diagnosticado devem procurar avaliação médica.
O atendimento precisa ser realizado rapidamente quando surgem sinais como pus, febre ou crostas amareladas e espessas. Nos bebês, a avaliação também deve ser feita o quanto antes, pois as lesões podem atingir a cabeça, as palmas das mãos e as plantas dos pés.
Identificar os casos precocemente é importante para iniciar o tratamento e reduzir o risco de transmissão para outras pessoas.
Como prevenir a transmissão da sarna humana?
A principal medida de prevenção é diagnosticar e tratar a doença o mais cedo possível. Segundo Marcela Cestari, as pessoas que vivem com o paciente ou mantêm contato próximo com ele devem receber tratamento simultaneamente, mesmo que ainda não apresentem sintomas.
Isso ocorre porque a transmissão pode acontecer antes de a pessoa perceber a coceira.
Também é necessário adotar cuidados com roupas, toalhas e roupas de cama utilizadas nos três dias anteriores ao início do tratamento. A orientação da dermatologista é lavar esses itens com água quente ou mantê-los guardados em sacos plásticos por alguns dias. O ácaro sobrevive por pouco tempo fora da pele humana.
Pessoas diagnosticadas devem evitar ambientes coletivos até o início do tratamento. Em geral, crianças podem retornar à escola logo após o início da medicação, desde que o tratamento tenha sido realizado corretamente, conforme a orientação médica.
Em situações de surto escolar, suspender as aulas pode ajudar a organizar a avaliação dos estudantes e a comunicação com as famílias. No entanto, a medida não interrompe sozinha a cadeia de transmissão, que também pode continuar entre familiares e outros contatos próximos.
De acordo com a especialista, encontrar e tratar os casos e seus contatos ao mesmo tempo é fundamental para controlar a disseminação da doença.
Como é feito o tratamento da escabiose?
O tratamento da sarna humana exige avaliação médica e pode envolver medicamentos de uso tópico ou oral. Entre as principais opções citadas pela dermatologista estão a permetrina, aplicada sobre a pele, e a ivermectina, administrada por via oral.
A permetrina é utilizada em uma aplicação que abrange o corpo conforme a orientação médica. Já a ivermectina não deve ser usada por gestantes ou crianças com peso inferior a 15 quilos.
O tratamento geralmente é realizado em duas etapas. A primeira aplicação combate os ácaros, mas pode não eliminar todos os ovos presentes na pele. Por isso, a repetição após uma semana é necessária nos esquemas indicados pela médica.
A segunda etapa busca eliminar os ácaros que nasceram nesse intervalo, antes que possam crescer e se reproduzir. Quando essa fase é negligenciada, a infestação pode voltar, dando a impressão de que o medicamento não funcionou.
Com o tratamento adequado, a cura é a regra. Entretanto, seguir corretamente as orientações médicas e tratar os contatos próximos são medidas essenciais para evitar novas infestações.
Coceira pode continuar após o tratamento
Mesmo depois da eliminação do ácaro, a coceira pode persistir por algumas semanas devido à reação da pele à infestação.
No entanto, se o sintoma durar mais de duas a quatro semanas ou surgirem novas lesões, é importante procurar novamente um médico para avaliar a situação.
Entre as principais causas de falha do tratamento estão a aplicação incorreta do medicamento, a ausência da segunda aplicação quando indicada, erros de dosagem e a falta de tratamento simultâneo das pessoas que tiveram contato próximo com o paciente.
No caso da escola de Atibaia, a ocorrência de 71 registros entre alunos e professores evidencia a importância de identificar os casos, orientar as famílias e adotar medidas adequadas para controlar a transmissão da escabiose.
Por: Informativo em Foco



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