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20.10.26

Obesidade pode dificultar tratamento de crianças e adolescentes com câncer

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A obesidade em crianças e adolescentes com câncer pode representar um desafio adicional durante o tratamento oncológico, com possíveis impactos na resposta às terapias, no risco de recidiva e no prognóstico da doença. Por isso, o controle do peso e o acompanhamento nutricional são aspectos importantes do cuidado integral desses pacientes, segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE).

Embora o excesso de peso não seja, em geral, uma causa direta do surgimento de tumores nessa faixa etária, a condição pode trazer dificuldades ao longo do tratamento. Entre os desafios estão o cálculo das doses dos medicamentos e o manejo de possíveis efeitos tóxicos, conforme explica a oncologista pediátrica da SOBOPE, Dra. Laurice Siqueira.

A especialista também destaca que a obesidade está associada a preocupações relacionadas à possibilidade de recidiva e ao aumento da mortalidade em determinados contextos. Diante disso, o cuidado precisa considerar as características clínicas de cada paciente e as necessidades específicas de cada etapa do tratamento.

Controle do peso deve respeitar as necessidades do paciente

O acompanhamento do peso de crianças e adolescentes com câncer deve fazer parte de uma estratégia ampla de cuidado, sem comprometer a ingestão de nutrientes necessários para enfrentar a doença e os efeitos do tratamento.

“O objetivo não é impor restrições alimentares, mas promover hábitos saudáveis e minimizar os possíveis impactos da obesidade na qualidade de vida e na evolução do cuidado oncológico”, afirma a Dra. Laurice Siqueira.

A orientação é evitar abordagens generalizadas e priorizar estratégias individualizadas, definidas com o apoio de profissionais de saúde. Durante o tratamento oncológico, as necessidades de energia e nutrientes podem variar, tornando importante preservar o estado nutricional da criança ou do adolescente.

Alimentação equilibrada contribui para o cuidado

Entre as medidas que podem ajudar a promover hábitos alimentares mais saudáveis estão o fracionamento das refeições, a redução do consumo excessivo de sal e açúcar e a preferência por alimentos naturais ou minimamente processados.

Também é recomendada a diminuição do consumo de frituras e produtos ultraprocessados, além da manutenção de uma hidratação adequada às necessidades de cada paciente.

Dietas restritivas sem acompanhamento médico e nutricional devem ser evitadas. No contexto do câncer infantojuvenil, mudanças alimentares precisam levar em conta a condição clínica, os efeitos adversos das terapias e a necessidade de garantir nutrientes suficientes para o organismo.

Família e equipe multidisciplinar têm papel importante

A participação da família é outro fator relevante para a construção de hábitos saudáveis. Mudanças na rotina doméstica podem facilitar a adoção de práticas alimentares mais equilibradas e beneficiar todos os integrantes da casa.

A presidente da SOBOPE e oncologista pediátrica, Dra. Mariana Bohns Michalowski, ressalta que o acompanhamento multidisciplinar é fundamental para tornar as estratégias de controle do peso seguras e adequadas às necessidades de cada paciente.

Esse cuidado pode envolver profissionais de oncologia pediátrica, nutrição, educação física e fisioterapia, além de apoio psicológico. A integração dessas áreas contribui para que as orientações sejam individualizadas e sustentáveis ao longo do tratamento.

A prática de atividade física também pode fazer parte dos cuidados, desde que seja autorizada pela equipe médica e adaptada às condições clínicas da criança ou do adolescente.

Prevenção da obesidade exige cuidado sem culpabilização

A conscientização sobre a obesidade infantojuvenil deve considerar tanto a prevenção quanto as necessidades específicas de quem enfrenta o câncer. Nesses casos, o controle do peso não deve ser tratado de forma isolada nem se sobrepor às prioridades do tratamento oncológico.

A Dra. Mariana Bohns Michalowski reforça que o acompanhamento precisa ser humanizado e conduzido com orientação profissional, sem responsabilizar ou culpabilizar a criança e sua família pela condição.

A proposta é integrar alimentação adequada, acompanhamento clínico e apoio multidisciplinar para preservar a qualidade de vida e oferecer melhores condições durante o tratamento. Dessa forma, o cuidado com o peso pode ser incorporado à assistência sem comprometer as necessidades nutricionais dos pacientes pediátricos.

Por: Informativo em Foco

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