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6.10.26

Mudanças de comportamento, falas de desesperança e sinais no ambiente digital podem indicar sofrimento emocional em crianças e adolescentes.

Como reconhecer sinais de alerta para suicídio

Nem sempre crianças e adolescentes conseguem dizer diretamente que estão passando por um momento difícil. Por isso, mudanças persistentes no comportamento, no humor, na rotina e nas relações podem indicar que algo não está bem e merecem atenção de pais, responsáveis e educadores.

Falas relacionadas à desesperança, à desvalorização pessoal, à despedida, à morte ou à autolesão também devem ser levadas a sério.

As orientações reunidas nesta matéria foram adaptadas de materiais do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, incluindo uma cartilha destinada a pais e educadores sobre prevenção do suicídio no ambiente digital.

Quais são os principais sinais de alerta

Entre os comportamentos que podem indicar sofrimento emocional estão:

  • tristeza persistente ou mudanças bruscas de humor;
  • isolamento da família e dos amigos;
  • perda de interesse por atividades que antes despertavam interesse;
  • irritabilidade, agressividade ou explosões de raiva;
  • queda no rendimento escolar;
  • cansaço excessivo ou alterações importantes na rotina;
  • falas de desvalorização, desesperança ou despedida;
  • comentários como "queria sumir", "sou um problema" ou "ninguém vai sentir minha falta";
  • desapego repentino de objetos considerados importantes;
  • tentativas de esconder marcas ou ferimentos no corpo.

A presença de um único sinal não significa, por si só, que exista risco de suicídio. No entanto, mudanças persistentes, intensas ou que aparecem combinadas devem ser observadas com atenção.

Sinais também podem aparecer na internet

O comportamento no ambiente digital também pode apresentar mudanças importantes. Publicações, imagens ou mensagens relacionadas à morte, autolesão ou desesperança são alguns dos sinais que merecem atenção.

Também é importante observar situações como:

  • busca frequente por conteúdos relacionados a suicídio ou métodos de autolesão;
  • participação em grupos que incentivam autolesão ou comportamentos suicidas;
  • envolvimento em desafios perigosos na internet;
  • aumento repentino do uso da internet, especialmente durante a madrugada;
  • isolamento ou mudança brusca na maneira de interagir online;
  • nervosismo excessivo quando a criança ou o adolescente fica longe do celular ou de outros dispositivos.

Como conversar com uma criança ou adolescente

A conversa deve acontecer, preferencialmente, em um momento tranquilo e em um ambiente no qual o jovem se sinta seguro.

Pais, responsáveis e educadores podem perguntar diretamente como a criança ou o adolescente está e, diante de uma preocupação, questionar se ele tem pensado em se machucar ou morrer.

A orientação é escutar sem julgamento e demonstrar que o sofrimento está sendo levado a sério. Frases que minimizam a situação, como "isso é coisa da idade" ou "você está exagerando", devem ser evitadas.

Quando houver sinais persistentes de sofrimento, é importante procurar ajuda profissional.

Se houver relato de pensamentos ou planos de suicídio, não se deve prometer segredo. Em situações de risco, a criança ou o adolescente deve permanecer acompanhado, enquanto medicamentos, produtos tóxicos e outros meios que possam ser utilizados para provocar ferimentos devem ficar fora de alcance.

O que não fazer diante dos sinais

Algumas reações podem dificultar a conversa e o acolhimento. Não é recomendado tratar o sofrimento como "frescura" ou como uma tentativa de chamar atenção.

Também devem ser evitados deboches, ameaças, gritos, demonstrações de raiva e punições.

Não é necessário pressionar o jovem a explicar imediatamente tudo o que está sentindo. Ao mesmo tempo, mudanças importantes de comportamento não devem ser ignoradas.

Quando o problema estiver relacionado ao ambiente digital, retirar completamente o acesso à internet também não deve ser considerado a única resposta.

Onde buscar ajuda

Em situações de sofrimento emocional ou risco, existem serviços que podem oferecer orientação e atendimento.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de oferecer atendimento online pelo site cvv.org.br.

Na rede pública de saúde, a UBS (Unidade Básica de Saúde) pode orientar e realizar encaminhamentos. Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) também integram a rede de atendimento em saúde mental. Para crianças e adolescentes, existem os CAPSi, conforme a organização da rede de cada localidade.

Em situações de crise ou risco imediato de suicídio ou autolesão grave, a orientação é procurar uma unidade de emergência ou pronto-socorro. O Samu atende pelo telefone 192 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Em situações de emergência que envolvam risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos envolvendo crianças e adolescentes.

Também existem organizações voltadas à prevenção e ao apoio. O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio oferece materiais informativos, grupos de apoio a enlutados e familiares e cursos para profissionais.

A Abrases (Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio) disponibiliza materiais informativos e indica grupos de apoio em diferentes regiões do país.

Buscar ajuda diante de mudanças importantes é uma forma de cuidado. Em caso de risco imediato, a prioridade é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de emergência.

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