O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a retomar as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária. A decisão permite a retomada dos encontros, mas estabelece restrições para impedir que sejam utilizados com finalidade político-eleitoral.
Conforme a determinação judicial, as visitas não podem ser usadas para fins de campanha ou para divulgar declarações de Jair Bolsonaro relacionadas à eleição. A restrição ocorre em meio à disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o segundo turno marcado para 25 de outubro.
A suspensão das visitas havia sido determinada em julho, pelo período de 90 dias, após o descumprimento de medidas cautelares impostas ao ex-presidente. O prazo terminou neste domingo (11 de outubro), abrindo caminho para a autorização dos encontros.
Por que as visitas foram suspensas?
A proibição foi imposta depois que Jair Bolsonaro divulgou uma carta de apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República. A manifestação foi considerada incompatível com as condições estabelecidas para o cumprimento da prisão domiciliar.
Na decisão que autorizou a retomada das visitas, Moraes destacou que o período de suspensão já havia sido integralmente cumprido e que não surgiram novos elementos que justificassem a prorrogação da medida.
O ministro também mencionou o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que ressaltou o encerramento do prazo sancionatório de 90 dias.
Apesar da liberação, as condições impostas pela Justiça continuam valendo. Dessa forma, os encontros entre pai e filho não podem servir como instrumento de articulação eleitoral nem como meio de divulgar posicionamentos políticos de Jair Bolsonaro.
A carta de apoio à pré-candidatura de Flávio
Na mensagem divulgada em julho, Jair Bolsonaro pediu que seus apoiadores deixassem de lado possíveis divergências e se mobilizassem em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro.
O ex-presidente apresentou o filho como uma opção para combater a corrupção, a violência e o empobrecimento do país. Também declarou confiar no senador para conduzir o Brasil à paz e à prosperidade.
A carta terminou com o lema “Deus, pátria, família e liberdade”, expressão associada ao discurso político de Bolsonaro.
A manifestação teve papel central na suspensão das visitas, uma vez que a Justiça entendeu que a divulgação do apoio político contrariava as restrições estabelecidas para o regime domiciliar.
Entenda a condenação e a prisão de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado para impedir que Luiz Inácio Lula da Silva assumisse a Presidência após vencer as eleições de 2022.
As condenações envolveram os crimes de liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O ex-presidente começou a cumprir a pena em 22 de novembro de 2025, na Superintendência Regional da Polícia Federal, no Distrito Federal. Posteriormente, foi transferido para a Papudinha, em Brasília.
Em 24 de março de 2026, Alexandre de Moraes concedeu a Bolsonaro o benefício da prisão domiciliar humanitária, por motivos de saúde.
A medida estabeleceu condições para o cumprimento da pena, entre elas a proibição de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. Segundo o histórico apresentado no processo, o descumprimento dessa restrição motivou a suspensão das visitas de Flávio em julho.
Com o término do prazo de 90 dias, o senador poderá voltar a visitar o pai, desde que respeite as limitações estabelecidas pelo STF, especialmente a proibição de utilizar os encontros para finalidades político-eleitorais.
Por: Informativo em Foco



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