Acidente ferroviário na Espanha deixa ao menos 69 mortos e 64 desaparecidos
O acidente ferroviário que deixou pelo menos 69 mortos na Espanha, na quarta-feira (28), pode ter ocorrido após uma sequência de falhas no sistema de sinalização e no cumprimento dos protocolos de segurança. Um relatório preliminar apontou que o trem que provocou a colisão trafegava entre 160 e 200 km/h no momento do impacto.
A Guarda Civil informou ter recebido notificações sobre 64 pessoas desaparecidas. O episódio já é considerado o acidente ferroviário mais letal registrado no país desde 2013.
A colisão aconteceu nas proximidades do vilarejo de Urda, na região central da Espanha, a cerca de 130 quilômetros de Madri. Um trem da operadora estatal Renfe atingiu a traseira de uma composição da empresa privada Iryo, que estava parada.
O acidente ocorreu oito meses depois de outro episódio fatal envolvendo as mesmas empresas ferroviárias e a mesma linha, reacendendo o debate sobre a segurança e a manutenção da rede espanhola de alta velocidade, considerada a mais extensa da Europa.
Relatório aponta velocidade elevada no momento da colisão
De acordo com a Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes (AITAT), o trem da Renfe estaria a uma velocidade entre 160 e 200 km/h quando atingiu a composição da Iryo.
A velocidade exata ainda depende da análise dos dados da caixa-preta do trem. O órgão informou que somente após a extração dessas informações será possível confirmar a velocidade da composição no momento do impacto.
Os trens envolvidos foram projetados para alcançar até 350 km/h, embora o limite de operação comercial seja de 300 km/h.
Em visita à região de Toledo, onde ocorreu o acidente, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a confiança da população no sistema ferroviário de alta velocidade foi abalada. Ele também declarou que o governo trabalha para identificar todas as vítimas.
Falha na sinalização e possível descumprimento de protocolo
Segundo o ministro dos Transportes, Oscar Puente, vários trens foram parados automaticamente após uma falha no sistema de sinalização. Diante da situação, o centro de controle ferroviário em Madri assumiu a operação.
O trem da Renfe recebeu autorização para continuar a viagem, mesmo com a composição da Iryo parada à sua frente.
Áudios das comunicações entre o centro de controle e os maquinistas, obtidos pelo jornal El País, indicaram que um controlador autorizou a composição da Renfe, que transportava 379 passageiros e sete tripulantes, a seguir em velocidade normal.
Segundo Puente, o centro de comando desrespeitou o protocolo que estabelece velocidade máxima de 40 km/h em situações como aquela.
As gravações também indicaram que, conforme os procedimentos previstos, o trem da Iryo, que transportava 147 passageiros e cinco tripulantes, deveria ter recebido autorização para partir primeiro.
O relatório preliminar da AITAT apontou que uma combinação de falhas, instruções e decisões contribuiu para o acidente, diante da ausência de mecanismos de segurança que poderiam ter reduzido o impacto da ocorrência.
Relatos descrevem cenário de destruição
A dimensão da tragédia foi relatada por sobreviventes e testemunhas que acompanharam os primeiros momentos após a colisão.
Sebastian Herrero, passageiro que viajava próximo à parte dianteira do trem da Iryo, descreveu um cenário de destruição, com vagões carbonizados e vítimas em estado grave.
Ele relatou que algumas pessoas conseguiram sair dos vagões, enquanto outras começaram a retirar os corpos das vítimas fatais e colocá-los nas proximidades do local do acidente.
Enquanto as equipes de resgate trabalham na retirada dos destroços, os corpos são encaminhados para exames e os familiares aguardam informações sobre o paradeiro de seus parentes.
Identificação das vítimas enfrenta dificuldades
Até esta sexta-feira, 49 autópsias haviam sido realizadas, mas apenas cinco vítimas tinham sido identificadas: três mulheres e dois homens. A informação foi divulgada por Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha, em entrevista à emissora estatal TVE.
Segundo Padilla, os exames avançam lentamente, enquanto as famílias são contatadas para receber informações e realizar os procedimentos necessários.
Ainda não há confirmação sobre quantas das pessoas notificadas como desaparecidas estão entre os corpos que aguardam identificação.
O presidente regional de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, afirmou que não está descartada a possibilidade de aumento no número de mortos. Ele também informou que as equipes de emergência recolheram 31 sacos com restos mortais parciais, circunstância que dificulta o trabalho de identificação.
Familiares das vítimas estão fornecendo amostras de DNA à polícia para auxiliar nos procedimentos.
Em Toledo, foi instalado um necrotério improvisado para receber os corpos, já que a estrutura existente na cidade não tinha capacidade para atender à demanda provocada pela tragédia.
Oposição cobra saída do ministro dos Transportes
As circunstâncias do acidente também provocaram repercussão política na Espanha. Integrantes da oposição de direita passaram a exigir a renúncia do ministro dos Transportes, Oscar Puente, diante dos questionamentos sobre a condução do sistema ferroviário e as possíveis falhas que antecederam a colisão.
Enquanto as investigações continuam, as autoridades trabalham para esclarecer a sequência de acontecimentos que levou ao acidente, identificar todas as vítimas e determinar as responsabilidades pela tragédia.
Por: Informativo em Foco



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