PF cumpre 49 mandados e investiga suspeita de desvio de recursos públicos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (10) uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar suspeitas de desvio de dinheiro público relacionado ao filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do filme e autor das emendas parlamentares que estão sob investigação. A produtora Karina Gama, da Go Up Entertainment, responsável pelo “Dark Horse”, também foi alvo da operação.
Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Durante a ação, a PF apreendeu sete armas registradas em nome de Mario Frias, mas encontradas em endereço diferente daquele em que deveriam estar. A situação será investigada como possível posse ilegal de arma de fogo.
PF investiga movimentações financeiras
Os investigadores suspeitam que pelo menos R$ 750 mil repassados à Go Up Entertainment durante o período de filmagens tenham origem em emendas parlamentares de Mario Frias.
A operação teve como base movimentações financeiras relacionadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), organização não governamental presidida por Karina Gama. As informações constam em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo o relatório policial, baseado em informações da Controladoria-Geral da União (CGU), Frias destinou R$ 2 milhões ao ICB por meio de duas emendas parlamentares. Metade desse valor foi destinada a um projeto de letramento digital.
Dentro do projeto, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, empresas ligadas a um fornecedor de Karina, receberam R$ 700 mil do ICB entre fevereiro e março de 2025.
Posteriormente, entre novembro e dezembro, período em que ocorreram as filmagens do “Dark Horse”, uma terceira empresa relacionada ao mesmo fornecedor, a NTT Brasil, repassou R$ 750 mil à produtora do filme.
A Polícia Federal ressalta que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil tenham origem direta nos valores recebidos pelo instituto. Entretanto, a corporação aponta que as coincidências entre os valores e as datas são circunstâncias relevantes para a análise financeira.
Pagamentos durante as filmagens
A decisão que autorizou a operação registra que a Go Up Entertainment realizou pagamentos de R$ 906,7 mil a um hotel durante o período das filmagens, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
A empresa também pagou R$ 653 mil a uma empresa de alimentação no mesmo período.
A PF relaciona esses pagamentos ao repasse de R$ 750 mil feito pela NTT Brasil à produtora e afirma que os valores chamam atenção porque a Go Up Entertainment é responsável pelo “Dark Horse”, que tem Mario Frias como produtor executivo.
Ainda de acordo com o documento que fundamentou a operação, Frias transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
A Polícia Federal apontou que o valor seria incompatível com os rendimentos mensais do deputado, informados em R$ 44.008,52, e questionou a existência de lastro financeiro para as transferências realizadas à empresa de Karina Gama em um período inferior a 60 dias.
Frias critica operação
Mario Frias criticou a operação em um vídeo publicado nas redes sociais. O deputado classificou a ação como uma “cortina de fumaça” e afirmou que a investigação não teria fundamento.
Segundo ele, a apuração envolve uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada a um projeto esportivo e outro de letramento digital.
Frias também afirmou que sua defesa tenta obter acesso ao inquérito há meses, sem sucesso, e disse que tomou conhecimento das movimentações por meio da imprensa.
“Se há uma nota que a CGU [Controladoria-Geral da União] quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça.”
Karina Gama não respondeu à reportagem. À coluna Mônica Bergamo, porém, negou irregularidades, afirmou que se sente ameaçada e disse que, caso fosse presa, não teria o que delatar.
A decisão de Flávio Dino também cita a compra de um veículo BYD Song Plus 1.5 híbrido pela produtora do “Dark Horse”, no valor de R$ 102 mil, paga em dinheiro vivo.
Flávio Bolsonaro não é investigado nesta apuração
O filme “Dark Horse” também aparece em um dos desdobramentos do caso Banco Master. Segundo informações reveladas pelo portal The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro chegou a negociar R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar a produção. Desse total, foram repassadas parcelas correspondentes a pelo menos R$ 63,7 milhões.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, não é investigado no inquérito que mira a Go Up Entertainment. Ele é alvo de outra apuração relacionada ao filme, que está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Nesta quinta-feira, Flávio Bolsonaro classificou como “interferência política” a autorização da operação por Flávio Dino. Durante agenda de campanha em Boa Vista, ele afirmou que não houve utilização de dinheiro público na produção.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo do dinheiro público. Pode revirar do avesso. O que tem é uma tentativa de interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições”, afirmou.
A reportagem não conseguiu contato com as empresas Dinâmica Editora, Instituto Super Poder Educacional e NTT Brasil.
Por: Informativo em Foco



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