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22.9.26

Esquecimento frequente: quando é sinal de alerta para Alzheimer?

 Mais de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é de quase 10 milhões de novos casos por ano. Entre as doenças que podem provocar a síndrome, a doença de Alzheimer é a forma mais comum, estando relacionada a aproximadamente 60% a 70% dos casos.

Apesar desses números, especialistas destacam que esquecer alguma coisa ocasionalmente não significa necessariamente desenvolver Alzheimer. A preocupação aumenta quando as alterações de memória se tornam frequentes, persistentes ou progressivas e começam a comprometer a autonomia da pessoa.

A demência é uma síndrome provocada por diferentes doenças e condições que afetam a memória, o pensamento e outras funções cognitivas. Essas alterações podem interferir diretamente nas atividades cotidianas.

Embora seja mais comum entre pessoas com mais de 65 anos, a demência não é uma consequência inevitável do envelhecimento.

Quando o esquecimento merece atenção?

Segundo o neurologista Humberto Barbosa, do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), o principal sinal de alerta não é um esquecimento isolado, mas a repetição dos episódios e o impacto que eles provocam na rotina.

O médico explica que situações ocasionais, como esquecer onde deixou um objeto, não lembrar imediatamente o nome de alguém ou entrar em um cômodo e esquecer o que pretendia fazer, podem acontecer até mesmo com pessoas saudáveis.

Entretanto, quando esses episódios passam a se repetir e interferem nas atividades habituais, é importante procurar avaliação especializada.

“Esquecimentos ocasionais podem fazer parte do cotidiano, mas quando a perda da memória é frequente, progressiva ou compromete a execução das tarefas diárias, especialmente quando são evidentemente percebidas pelos familiares, é hora de investigar. Sem pânico, mas sem negligência”, orienta.

Principais sinais que merecem investigação

Algumas mudanças podem indicar que a dificuldade de memória deixou de ser um episódio ocasional.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Repetir frequentemente as mesmas perguntas ou histórias;

  • Esquecer acontecimentos recentes de maneira recorrente;

  • Apresentar dificuldade para realizar tarefas que antes dominava;

  • Perder-se em lugares conhecidos;

  • Demonstrar mudanças de comportamento;

  • Apresentar dificuldades de organização que não existiam anteriormente.

De acordo com Humberto Barbosa, a avaliação médica busca identificar a origem das alterações e verificar se existe possibilidade de corrigir ou tratar suas causas antes que os prejuízos aumentem.

“A diferença não está em pequenos esquecimentos, mas em perceber um padrão de repetição, persistente ou progressivo, de perda de memória com impacto na autonomia da vida cotidiana”, explica.

Nem toda perda de memória é causada pelo Alzheimer

A investigação médica é importante porque diferentes condições podem provocar alterações de memória, atenção e funcionamento cognitivo.

Problemas de sono, deficiências nutricionais, alterações metabólicas, determinadas condições clínicas e o uso de alguns medicamentos estão entre as possíveis causas.

O neurologista destaca que a análise não deve se limitar à queixa de esquecimento, pois é necessário considerar o estado geral de saúde e outros fatores que podem interferir nas funções cognitivas.

“As causas de alterações de memória são inúmeras. Desde deficiência de absorção de vitaminas até insônias de longa data, por inúmeros motivos. Enfim, a importância da assistência especializada é justamente ter uma visão maior que meramente a queixa de esquecimento”, afirma.

Por esse motivo, apresentar dificuldades de memória não significa, automaticamente, ter Alzheimer ou algum tipo de demência.

Quando o Alzheimer entra na investigação?

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, mas seu diagnóstico depende de avaliação clínica e investigação adequada.

Segundo o National Institute on Aging (NIA), a idade é o principal fator de risco conhecido para a doença. Entretanto, seu desenvolvimento envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e relacionados à saúde.

A genética também pode influenciar a probabilidade de desenvolver Alzheimer. A variante APOE ε4, por exemplo, está associada a um risco maior, mas sua presença não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.

Existem ainda alterações raras nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 relacionadas a formas hereditárias de Alzheimer de início precoce.

Fatores de risco e prevenção da demência

Parte dos fatores associados ao risco de demência pode ser modificada ao longo da vida.

Em julho de 2026, a OMS afirmou que até 45% do risco de demência pode estar associado a fatores potencialmente modificáveis.

Entre eles estão:

  • Hipertensão;

  • Diabetes;

  • Obesidade;

  • Tabagismo;

  • Consumo prejudicial de álcool;

  • Sedentarismo;

  • Isolamento social;

  • Depressão;

  • Perda auditiva e visual;

  • Poluição do ar;

  • Traumatismos cranianos.

Esse percentual se refere ao risco de demência em geral. Portanto, não significa que 45% dos casos de Alzheimer possam ser evitados.

A identificação e o acompanhamento dos fatores de risco fazem parte das medidas que podem contribuir para a saúde ao longo da vida.

Como a família pode ajudar a identificar os sinais?

Familiares e pessoas próximas podem perceber mudanças que passam despercebidas pelo próprio indivíduo.

Mais importante do que contar quantas vezes alguém esqueceu determinada informação é observar se houve uma mudança significativa em relação ao comportamento e às capacidades habituais.

Algumas perguntas podem ajudar a identificar a necessidade de procurar atendimento:

  • Os esquecimentos estão se repetindo?

  • As dificuldades estão piorando com o tempo?

  • A pessoa passou a apresentar problemas em tarefas que antes realizava sozinha?

  • Houve perda de autonomia nas atividades cotidianas?

Para Humberto Barbosa, o comprometimento da rotina é um aspecto fundamental na investigação.

“Deve-se suspeitar de demência quando o impacto dos esquecimentos seja suficiente para trazer prejuízo às atividades cotidianas. Daí a importância da assistência especializada. Para ter uma visão maior que meramente a queixa de esquecimento. E quanto mais cedo for reconhecida a causa, menor o prejuízo”, destaca.

Avaliação especializada ajuda a esclarecer a causa

A orientação dos especialistas é evitar tanto a negligência quanto o alarmismo diante de alterações de memória.

Esquecimentos ocasionais podem fazer parte do cotidiano, e diferentes condições podem provocar dificuldades cognitivas. Por isso, não é adequado concluir que uma pessoa tem Alzheimer apenas porque apresenta falhas de memória.

Quando os episódios se tornam persistentes, progressivos ou começam a comprometer a autonomia, a avaliação médica especializada é o caminho para investigar a origem dos sintomas e definir os cuidados necessários.

Observar as mudanças, buscar orientação profissional e identificar precocemente possíveis causas são medidas importantes para que a pessoa receba o acompanhamento adequado.

Por: Informativo em Foco

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