Brasil passa a ter 10 opções de semaglutida aprovadas em 2026 após fim da exclusividade da Novo Nordisk; veja preços e medicamentos.
A semaglutida, princípio ativo que se tornou conhecido principalmente por medicamentos como Ozempic e Wegovy, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, passou a ter novas opções disponíveis no mercado brasileiro em 2026.
A substância imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo e relacionado ao controle da glicose e da saciedade. Ao ativar os receptores desse hormônio, a semaglutida contribui para o controle da glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, podendo auxiliar na perda de peso.
Até março deste ano, a fabricação de medicamentos com semaglutida no Brasil estava concentrada nos produtos da Novo Nordisk. A exclusividade terminou em 20 de março, permitindo a entrada de outras empresas no segmento.
Anvisa aprova novos medicamentos de semaglutida
A primeira novidade após o fim da exclusividade veio em 26 de maio, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Ozivy, da EMS. O medicamento foi o primeiro produto à base de semaglutida registrado após a queda da patente.
O Ozivy é indicado para adultos com diabetes tipo 2 que apresentam controle insuficiente da doença. Em 10 de julho, o medicamento passou a integrar a Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa.
Em 29 de julho, a agência aprovou mais cinco medicamentos à base de semaglutida: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy.
As indicações informadas para esses produtos também são destinadas a adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.
Brasil já tem dez opções aprovadas
Em agosto, a quantidade de medicamentos aprovados à base de semaglutida aumentou novamente.
No dia 17 de agosto, a EMS obteve o registro do primeiro medicamento genérico de semaglutida do país. Como determina a legislação, o produto não terá nome comercial.
Na mesma data, a Anvisa aprovou o Semaclique, da Germed, na categoria de medicamento similar.
Uma semana depois, em 24 de agosto, a agência aprovou o segundo genérico de semaglutida, também da Germed.
Já em 31 de agosto, foi aprovado o Yluméc, da EMS, registrado como medicamento similar na modalidade clone.
Confira a lista das dez opções aprovadas em 2026:
- Ozivy, da EMS — 26 de maio;
- Semavy, da Cosmed — 29 de julho;
- Owozy, da Ávita Care — 29 de julho;
- Zempneo, da Brainfarma — 29 de julho;
- Seemasun, da Sun Farmacêutica — 29 de julho;
- Orsema, da Ranbaxy — 29 de julho;
- Semaglutida genérica, da EMS — 17 de agosto;
- Semaclique, da Germed — 17 de agosto;
- Semaglutida genérica, da Germed — 24 de agosto;
- Yluméc, da EMS — 31 de agosto.
Preços da semaglutida no Brasil
O preço do Ozempic varia conforme a apresentação. O medicamento custa entre R$ 975, nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia no comércio eletrônico, e R$ 999 na apresentação de 1 mg.
Já o Ozivy chegou às farmácias com preços anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
No caso dos medicamentos genéricos, a legislação determina que o preço seja, no mínimo, 35% inferior ao medicamento de referência. Considerando os valores de lançamento do Ozivy, a estimativa apresentada para os genéricos fica entre R$ 293 e R$ 323.
Os demais medicamentos aprovados ainda precisam passar por etapas antes de chegar às farmácias, entre elas a definição dos preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Liraglutida também ganha genéricos
A movimentação no mercado de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 não se limita à semaglutida.
A liraglutida também ganhou novos produtos em 2026. Na terça-feira (8), a Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos produzidos pela EMS e destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Os produtos têm como referência os medicamentos Olire e Linux, da própria EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025. O Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto o Linux é indicado para diabetes tipo 2.
Os dois medicamentos são comercializados na apresentação de 6 mg em canetas e anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet.
Uma diferença em relação à semaglutida e à tirzepatida está na frequência de aplicação. Enquanto essas duas substâncias são administradas, em geral, uma vez por semana, a liraglutida costuma exigir aplicação diária.
Segundo o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, essa frequência é um dos fatores que reduziram o espaço da liraglutida diante de medicamentos mais recentes.
Na avaliação do especialista, a liraglutida apresenta efeito intermediário na perda de peso e bom resultado no controle do diabetes, mas a necessidade de aplicação diária representa uma desvantagem.
Tirzepatida continua protegida por patente
Outro princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade é a tirzepatida, presente no Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly.
Diferentemente da semaglutida, a tirzepatida atua sobre dois hormônios relacionados ao controle metabólico: GLP-1 e GIP. Por isso, é classificada como um agonista duplo.
A substância continua protegida por patente no Brasil. Dessa forma, o Mounjaro permanece como a única opção aprovada pela Anvisa com tirzepatida.
Dulaglutida tem menor espaço para perda de peso
A dulaglutida também pertence à família dos agonistas do receptor de GLP-1. Seu principal medicamento de referência no Brasil é o Trulicity, da Eli Lilly, aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2.
Até o momento, não existem versões genéricas ou similares da dulaglutida no país, devido à proteção de patente do medicamento.
Segundo Júlio Américo Batatinha, a dulaglutida apresenta menor potência para redução de peso quando comparada à semaglutida e à tirzepatida. Com a chegada de medicamentos considerados mais potentes, o uso da substância para essa finalidade perdeu espaço.
Informações; Anvisa / Por: Informativo em Foco



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