Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco elevam para 13 o total de pacientes sem vírus detectável após o tratamento.
Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV após transplante de células-tronco foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos registros, chega a 13 o número de pacientes que permaneceram sem vírus detectável no sangue após esse tipo de tratamento, renovando as expectativas em torno de novas estratégias de combate à doença.
Os casos envolvem um paciente de Kansas City, nos Estados Unidos, e outro de Essen, na Alemanha. Ambos receberam transplantes de células-tronco hematopoiéticas de doadores portadores da mutação genética CCR5 delta32, associada à resistência natural ao HIV.
Como o transplante atua contra o HIV
O HIV infecta principalmente os linfócitos T CD4+, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico. Para invadi-las, o vírus utiliza receptores presentes na membrana celular, entre eles o correceptor CCR5.
Pessoas que possuem a mutação genética CCR5 delta32 apresentam uma alteração que dificulta a entrada do vírus nas células. Após o transplante, os pacientes passaram a produzir novas células de defesa com essa característica, tornando-as potencialmente resistentes à infecção pelo HIV.
Depois do procedimento, a terapia antirretroviral foi interrompida. Até o momento, o paciente de Kansas City permanece há 14 meses sem detecção do vírus, enquanto o paciente de Essen completou 12 meses sem HIV detectável, embora tenha apresentado recidiva da hepatite B.
Casos reforçam pesquisas, mas ainda não representam cura
Os pesquisadores destacam que os casos são classificados como remissão, e não como cura definitiva. Isso ocorre porque ainda não é possível garantir que o vírus não volte a ser detectado futuramente.
"É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco", afirmou o pesquisador Wissam El Atrouni, responsável pelo estudo do paciente de Kansas City.
Já a pesquisadora Carina Elsner, que acompanha o caso de Essen, ressaltou que a mutação CCR5 delta32 é rara e está presente em cerca de 10% da população do norte da Europa. Segundo ela, ainda é necessário entender se essa característica é determinante para a remissão duradoura da infecção.
Tratamento não é indicado para todos os pacientes
Apesar dos resultados promissores, o transplante de células-tronco não é considerado um tratamento para pessoas que vivem com HIV. O procedimento é complexo, apresenta riscos elevados e, atualmente, é indicado apenas para pacientes que também precisam tratar doenças graves, como determinados tipos de leucemia.
O caso mais conhecido é o do norte-americano Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim". Ele recebeu um transplante em 2007 e permaneceu sem sinais do HIV até sua morte, em 2020, provocada por uma leucemia.
Os novos resultados reforçam o potencial da estratégia baseada na mutação CCR5 delta32, mas os especialistas destacam que ainda são necessários estudos e acompanhamento prolongado para confirmar a eficácia da abordagem e seu impacto no tratamento do HIV.
Por: Informativo em Foco



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