Ataques entre EUA, Arábia Saudita e Irã elevam tensão no Oriente Médio, afetam mercado de petróleo e aumentam preocupação internacional.
A escalada militar no Oriente Médio ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (29), após uma série de ataques envolvendo Estados Unidos, Arábia Saudita, Iraque e Irã. Bombardeios conjuntos de forças americanas e sauditas atingiram bases de grupos ligados ao Irã em território iraquiano, enquanto Teerã respondeu com o lançamento de mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia. Os confrontos elevaram a tensão na região e provocaram reflexos imediatos no mercado internacional de petróleo.
Segundo as Forças de Mobilização Popular (PMF), coalizão de antigas milícias incorporadas às forças de segurança do Iraque, os ataques deixaram pelo menos 20 mortos e 32 feridos. Em comunicado, a organização informou que instalações localizadas em sete províncias iraquianas foram atingidas, sendo a província de Nínive a mais afetada, com pelo menos dez mortes.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que aeronaves americanas e sauditas realizaram ataques de precisão contra centros logísticos e depósitos de armas de grupos que Washington acusa de manter vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
EUA afirmam que operação foi resposta a ataques
De acordo com o Centcom, a ofensiva ocorreu em resposta a mais de 30 ataques com drones contra tropas americanas e infraestrutura energética da Arábia Saudita registrados nas últimas 72 horas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país responderá "com força" a novas ações atribuídas ao Irã. Ele também declarou que a operação militar foi coordenada com o governo iraquiano.
Irã reage com lançamento de mísseis
Após os bombardeios no Iraque, o Irã lançou mísseis balísticos contra uma base militar americana localizada na Jordânia. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Barak Ravid, da Axios, um oficial americano afirmou que todos os projéteis foram interceptados.
O Exército jordaniano informou ainda ter neutralizado cinco mísseis iranianos lançados em direção ao território do país, evitando danos à base e à população.
Mercado de petróleo reage à crise
A troca de ataques provocou forte reação nos mercados internacionais. Os preços do petróleo registraram alta nas negociações asiáticas diante do temor de interrupções no fornecimento global.
O barril do petróleo WTI avançou mais de 3%, enquanto o Brent também apresentou valorização em meio ao aumento das tensões na região.
Irã amplia reforço militar
Em meio ao agravamento do cenário, o Irã deverá receber um lote de até 400 lançadores portáteis de mísseis antiaéreos fabricados na China, segundo informações da Reuters. O acordo, estimado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, integra os esforços de Teerã para fortalecer sua defesa aérea de curto alcance.
O primeiro lote dos equipamentos deve chegar nas próximas semanas.
Estreito de Ormuz e Mar Vermelho elevam preocupação internacional
Outro foco de tensão envolve o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás.
A Guarda Revolucionária Islâmica informou ter interceptado três petroleiros que, segundo o governo iraniano, navegavam por uma rota considerada irregular. Paralelamente, Teerã rejeitou uma proposta de Omã para dividir temporariamente o controle da passagem marítima.
Enquanto Estados Unidos e aliados defendem a livre circulação internacional, o Irã insiste em manter maior influência sobre o estreito.
Além disso, autoridades do governo do Iêmen acusaram os rebeldes houthis de planejarem cobrar pedágios para a passagem de embarcações pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo, ampliando as preocupações sobre o impacto do conflito no comércio internacional.
Por: Informativo em Foco



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