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8.7.26

Anvisa aprova novo uso do Enhertu para tratamento do câncer de mama HER2-positivo

 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), ampliando as opções de tratamento para pacientes com câncer de mama HER2-positivo no Brasil. A decisão permite o uso do medicamento em pacientes que, mesmo após a quimioterapia e a cirurgia, ainda apresentam células cancerígenas no tecido removido.

A nova indicação busca reduzir o risco de retorno da doença e aumentar as chances de cura em um grupo considerado de maior risco para recidiva.

Nova indicação amplia uso do medicamento

Até então, o Enhertu era utilizado principalmente em pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágios mais avançados da doença.

Com a aprovação da Anvisa, o medicamento também poderá ser administrado após a cirurgia em pacientes que ainda apresentam doença residual e teste positivo para a proteína HER2, responsável por estimular o crescimento acelerado das células tumorais.

Segundo a agência, pacientes desse grupo podem apresentar risco de recidiva de até 25% nos dez anos seguintes ao tratamento.

Estudo aponta redução de 53% no risco de recidiva ou morte

De acordo com a mastologista Rosemar Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a nova indicação tem como principal objetivo aumentar as chances de cura.

O estudo que fundamentou a aprovação demonstrou redução de 53% no risco de retorno do câncer de forma invasiva ou de óbito entre as pacientes tratadas com o medicamento.

Como funciona o Enhertu

O Enhertu atua por meio de uma tecnologia que combina um anticorpo com um agente quimioterápico.

O anticorpo identifica as células que apresentam a proteína HER2 e transporta diretamente até elas uma substância capaz de destruir o tumor, reduzindo a exposição das células saudáveis ao tratamento quando comparado à quimioterapia convencional.

Segundo especialistas, o objetivo do medicamento nessa fase do tratamento é eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes após a cirurgia, diminuindo as chances de recorrência da doença.

Câncer de mama HER2-positivo

O câncer de mama é o tipo de câncer mais diagnosticado no mundo e a principal causa de morte por câncer entre mulheres.

No Brasil, são registrados mais de 70 mil novos casos da doença por ano. Entre 10% e 19% dos diagnósticos correspondem ao subtipo HER2-positivo, considerado historicamente mais agressivo e associado a maior risco de progressão.

Medicamento ainda depende de incorporação ao SUS

Embora a aprovação da Anvisa autorize a comercialização e o uso do Enhertu para essa nova indicação no país, isso não significa disponibilidade imediata pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para que o medicamento seja oferecido na rede pública, ainda será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e, posteriormente, a decisão do Ministério da Saúde.

Atualmente, a Conitec analisa o uso do Enhertu para outros grupos de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático. A nova indicação para pacientes com doença residual ainda não integra esse processo e não possui previsão para eventual incorporação ao SUS.

Por Redação: Informativo em Foco

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