Rio de Janeiro acumula décadas de instabilidade política com governadores presos, cassados, impeachments e mudanças no comando do estado.
O Rio de Janeiro enfrenta uma crise política que se arrasta há décadas e já atingiu todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos. Prisões, cassações, impeachments e declarações de inelegibilidade passaram a marcar a trajetória política do estado e a rotina do Palácio Guanabara.
O caso mais recente envolve o ex-governador Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral declarar sua inelegibilidade em um processo que investiga o uso da Fundação Ceperj para fins eleitorais.
Antes dele, Wilson Witzel, então filiado ao PSC, tornou-se o primeiro governador do Rio de Janeiro desde a redemocratização a sofrer impeachment. Ele foi condenado por irregularidades relacionadas ao uso de recursos públicos durante a pandemia.
Luiz Fernando Pezão (MDB) também foi preso enquanto exercia o mandato, em desdobramentos da Operação Lava Jato, investigação que levou ainda à prisão do ex-governador Sérgio Cabral (MDB). Outros nomes da política fluminense também foram alvos de operações da Polícia Federal, como Rosinha Garotinho (PSB), Anthony Garotinho (PDT) e Moreira Franco (MDB).
A instabilidade política se intensificou nos últimos meses. Em 2025, o então vice-governador Thiago Pampolha (MDB) deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, deixando o estado sem vice-governador.
Já em março deste ano, Cláudio Castro deixou o governo para disputar uma vaga no Senado. No dia seguinte, Rodrigo Bacellar (União), então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e sucessor direto na linha de sucessão, teve o mandato cassado por abuso político e econômico, além de ser declarado inelegível.
Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, terceiro na linha sucessória, assumiu interinamente o comando do estado e é o atual governador.
A crise também alcança o Legislativo estadual. Em pouco mais de 20 anos, quatro presidentes da Alerj foram presos. Jorge Picciani (MDB) foi denunciado por receber propina para favorecer empresas de transporte. Rodrigo Bacellar foi acusado de vazar informações ao Comando Vermelho. Também foram presos os ex-presidentes Paulo Melo (MDB) e Sérgio Cabral.
Para especialistas, a sequência de escândalos evidencia um cenário de fragilidade institucional no estado. O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense, Gustavo Sampaio, afirmou que os casos envolvendo governadores, vice-governadores e presidentes da Alerj reforçam a necessidade de maior atenção do eleitor no momento da escolha de representantes do Executivo e do Legislativo.
Desde que assumiu o governo há pouco mais de dois meses, Ricardo Couto promoveu mudanças na estrutura administrativa estadual. Entre as medidas adotadas estão a substituição de políticos por técnicos, a exoneração de mais de mil cargos comissionados, a troca de presidentes de autarquias e a revisão de contratos e secretarias.
A professora da Universidade Federal do Paraná, Graziella Testa, afirmou que as demissões em massa podem representar uma tentativa de evitar responsabilizações por decisões anteriores. No entanto, segundo ela, esse tipo de medida também pode provocar impactos negativos em políticas públicas e na administração estadual.





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