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4.4.26

Infarto em mulheres: sintomas silenciosos e subdiagnóstico perigoso

Estudo da SBC mostra que infarto em mulheres é subdiagnosticado e mata mais que câncer de mama; sinais podem parecer gastrite ou cansaço extremo.

Casos recentes revelam que o infarto em mulheres muitas vezes se manifesta de forma atípica, com dor abdominal, cansaço extremo e náusea, sendo frequentemente confundido com gastrite ou intoxicação alimentar. Levantamentos da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que doenças cardiovasculares são a principal causa de morte feminina no Brasil, superando todos os tipos de câncer, e que infartos em mulheres têm maior risco de letalidade devido a subdiagnóstico e subtratamento.

Geralda Áurea Pereira, 63, sentiu em 2019 uma dor intensa no estômago enquanto recebia notícias de um acidente com seu chefe. Diagnosticada inicialmente com crise de vesícula, teve alta do pronto-socorro, mas acabou sofrendo um infarto, comprometendo 45% de seu coração e passando a tomar 15 medicamentos diariamente. “Não sei como não morri”, relata.

Outro caso recente envolve Tammy Donin Bemquerer, também de 63 anos, que apresentou sintomas de queimação, vômito e cansaço extremo. Diagnosticada erroneamente com intoxicação alimentar, morreu quatro dias depois de “morte súbita”, sem que o infarto fosse identificado.

A médica Gláucia Moraes explica que sintomas atípicos, como dor no estômago, náusea, vômito, sudorese, dor nas costas e no pescoço, podem indicar isquemia miocárdica e que, sem exames adequados, o infarto feminino frequentemente passa despercebido.

Estudos nacionais e internacionais apontam que o infarto é mais letal em mulheres do que em homens. Levantamento do Hospital Oswaldo Cruz, em 2023, com 250 milhões de pacientes, mostrou risco 24% maior entre mulheres. Pesquisa da PUC do Paraná (2025) revelou que mulheres de 45 a 55 anos apresentam mortalidade significativamente maior pós-infarto, mesmo com menos comorbidades clássicas, devido a fatores hormonais ligados à perimenopausa e menopausa.

As diferenças biológicas e sociais contribuem para o subdiagnóstico. Enquanto homens apresentam dor no peito irradiando para o braço, mulheres podem ter microcirculação afetada ou infarto com coronárias normais. ECGs podem não mostrar alterações iniciais em até 40% dos casos, e protocolos hospitalares muitas vezes não contemplam adequadamente fatores de risco femininos, como ansiedade, depressão e histórico reprodutivo.

O retardo no atendimento também é influenciado por fatores comportamentais. Pesquisas mostram que mulheres demoram em média 42 minutos mais que homens para buscar ajuda médica, muitas vezes por minimizar sintomas ou priorizar a saúde de familiares.

Especialistas alertam que campanhas de conscientização são essenciais. Dados do Google Trends mostram aumento de buscas sobre “sintomas de infarto mulher” desde o fim de 2024, refletindo crescente interesse e preocupação. Intervenções rápidas, como a relatada por Ana Luiza Bemquerer, podem salvar vidas quando sinais são reconhecidos e tratados corretamente.

A recomendação da SBC é que mulheres fiquem atentas a sintomas atípicos de infarto e que médicos e enfermeiros considerem protocolos específicos para o público feminino, ampliando diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

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