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4.4.26

Feminicídios? Não; Violência sexual atinge 1,1 mi jovens

Pesquisa do IBGE aponta que 8,8% dos estudantes já sofreram violência sexual e queda na educação sexual nas escolas.

Levantamento do IBGE revela que 8,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já foram forçados a ter relação sexual, o que representa mais de 1,1 milhão de vítimas. Os dados fazem parte da PeNSE 2024 e indicam aumento em relação a 2019.

Segundo a pesquisa, o índice subiu 2,5 pontos percentuais em comparação com 2019, quando 6,3% dos estudantes relataram esse tipo de violência. O crescimento ocorre em paralelo à queda significativa no acesso a orientações sobre sexo seguro nas escolas, que recuou mais de 10 pontos percentuais no período.

A PeNSE é o principal levantamento nacional sobre saúde e comportamento de adolescentes e, em sua edição mais recente, ouviu mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 cidades. O estudo é o primeiro realizado após a pandemia, permitindo avaliar mudanças nos hábitos e nas condições de saúde dos jovens.

Os dados mostram que a maioria das vítimas tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência (66,2%). A incidência é maior entre meninas, com 11,7% relatando terem sido forçadas a ter relação sexual, contra 5,8% entre os meninos. Também há maior ocorrência entre alunos da rede pública (9,3%) em comparação com a rede privada (5,7%), além de maior concentração na região Norte, que registra taxa de 11,7%.

De acordo com a psicóloga Leiliane Rocha, a falta de educação sexual dificulta que crianças e adolescentes reconheçam situações de abuso e busquem ajuda. Ela destaca que muitos casos podem nem ser identificados pelas próprias vítimas, especialmente quando ocorrem em idades precoces.

A pesquisa aponta ainda que os agressores, na maioria dos casos, são pessoas conhecidas das vítimas, como familiares (35,5%) ou parceiros e ex-parceiros (22,6%). Em 23,2% das ocorrências, o autor foi identificado como desconhecido.

Além da violência sexual com contato, 18,5% dos estudantes afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio, como toques ou exposições sem consentimento — índice superior aos 14,7% registrados em 2019. Entre meninas, esse percentual chega a 26%, mais que o dobro do observado entre meninos (10,9%).

Para Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a redução do debate sobre gênero e sexualidade nas escolas contribui para o agravamento do cenário. Segundo ela, restrições a esses temas nos planos educacionais impactam diretamente a prevenção da violência.

No campo do comportamento sexual, a pesquisa mostra que os adolescentes têm iniciado a vida sexual mais tarde: o percentual caiu de 37,5% em 2015 para 30,4% em 2024. No entanto, entre os que já iniciaram, 36,8% tiveram a primeira relação antes dos 13 anos.

Também houve redução no uso de preservativos. Em 2024, 61,7% dos jovens utilizaram camisinha na primeira relação sexual, queda em relação a 2019. Na última relação, o índice foi de 57,2%, indicando diminuição da proteção ao longo do tempo.

Entre as meninas, 42,1% relataram já ter usado a pílula do dia seguinte ao menos uma vez. O levantamento aponta ainda que 121 mil adolescentes de 13 a 17 anos já engravidaram, o equivalente a 7,3% das que tiveram relação sexual, sendo a maioria (98,7%) da rede pública.

Os dados reforçam um cenário de preocupação com a segurança e a saúde dos adolescentes, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção da violência sexual e à ampliação da educação sexual nas escolas.

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