Tribunal da Paraíba rejeita habeas corpus e mantém prisão de padre Egídio, investigado por desvios e crimes em instituições de saúde.
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) manteve nesta terça-feira (3) a prisão do padre Egídio de Carvalho Neto. O relator do caso, desembargador Ricardo Vital de Almeida, rejeitou o pedido de habeas corpus, acompanhado por outros dois magistrados, alegando que o religioso representa “um perigo real e concreto para a ordem pública”.
Segundo o relator, os crimes atribuídos a Padre Egídio — organização criminosa, peculato e lavagem de capitais — demonstram uma periculosidade estrutural, decorrente de um modus operandi habitual e sofisticado, voltado à dilapidação contínua do patrimônio de instituições de saúde e assistência social.
O caso teve início em setembro de 2023, quando Padre Egídio, então diretor do Hospital Padre Zé, denunciou o furto de celulares doados pela Receita Federal, citando Samuel Rodrigues como suspeito. Após a denúncia, o padre renunciou à direção do hospital. A investigação policial levou à prisão e posterior libertação de Samuel, operador de tecnologia da informação, que prestou novos depoimentos em 29 de setembro.
A operação “Indignus” revelou irregularidades que começaram com o furto de mais de 100 celulares destinados à venda em bazar solidário para aquisição de uma ambulância equipada com UTI e um carro para distribuição de alimentos. A investigação do Gaeco, em 5 de outubro de 2023, constatou desvios de cerca de R$ 13 milhões em empréstimos e recursos públicos, afetando a verba do SUS e prejudicando o funcionamento das instituições ligadas ao padre.
Em resposta às denúncias, a Arquidiocese da Paraíba afastou Padre Egídio de todas as funções eclesiásticas, impedindo-o de celebrar missas e administrar sacramentos. O Ministério Público criou uma força-tarefa para investigar os desvios, a pedido da gestão do Hospital Padre Zé, que solicitou auditoria completa em contas, contratos, convênios e projetos da instituição, após constatar inúmeras dívidas comprometedores à sua operação.



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