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12.2.26

PF investiga repasses a Toffoli ligados ao resort Tayayá

PF apura transferências de empresa ligada ao resort Tayayá ao ministro Dias Toffoli e pede análise do STF sobre suspeição.

A Polícia Federal investiga transferências de dinheiro feitas por uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os pagamentos teriam sido realizados pela Maridt, registrada em nome de dois irmãos do magistrado.

Segundo relatos feitos por Toffoli a interlocutores, os repasses ocorreram porque ele é sócio da empresa ao lado de familiares. É a primeira vez que o ministro detalha seu envolvimento com o empreendimento e com a companhia administrada pelos irmãos.

Uma das linhas de apuração envolve possíveis transferências realizadas após a venda da participação dos irmãos de Toffoli no Tayayá ao fundo Arleen, integrante de uma estrutura ligada ao Banco Master. Entre 2021 e 2025, conforme revelou a Folha de S.Paulo, José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do resort, no Paraná, com o Arleen.

O fundo ingressou na sociedade em 2021, ao adquirir cotas de empresas pertencentes aos irmãos e a um primo do ministro. O Arleen era controlado pelo fundo Leal, que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Investigadores avaliam que as informações reunidas podem indicar vínculo financeiro entre o resort e o ministro, que frequenta o Tayayá e utiliza uma casa no local. Para aprofundar eventuais apurações relacionadas a Toffoli, é necessária autorização do próprio STF, já que ele é relator do caso.

A PF também encontrou no celular de Daniel Vorcaro conversas entre o banqueiro e Toffoli, segundo informação revelada pelo UOL e confirmada pela Folha. Em conversas reservadas, o ministro afirma que não mantinha contato com o ex-banqueiro, embora admita a possibilidade de haver mensagens em que Vorcaro mencione seu nome. O STF não se manifestou.

Diante das referências ao ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin. Os investigadores pedem a abertura de novas apurações, incluindo as menções a Toffoli. De acordo com o UOL, o material foi entregue pessoalmente a Fachin na segunda-feira (9), informação confirmada pela Folha.

A defesa de Vorcaro afirmou, em nota, ter “preocupação com o vazamento seletivo de informações”, apontando risco de constrangimentos indevidos e prejuízo ao direito de defesa.

As revelações ampliaram a pressão para que Toffoli se afaste da relatoria. Em relatório enviado a Fachin, a PF apontou elementos que poderiam fundamentar uma declaração de suspeição do ministro. O presidente do STF intimou Toffoli a se manifestar sobre o pedido.

O gabinete do ministro declarou que o pedido da PF “trata de ilações” e sustentou que a instituição não tem legitimidade para formular requerimento de suspeição, com base no artigo 145 do Código de Processo Civil. Pedido semelhante já havia sido encaminhado à Procuradoria-Geral da República, mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento após afastar a suspeição em solicitação feita por parlamentares de oposição.

No STF, ministros avaliam que a arguição de suspeição é prerrogativa exclusiva da PGR, o que coloca em dúvida a legitimidade da PF para apresentar o pedido. Ainda assim, Fachin determinou a notificação de Toffoli para manifestação.

As investigações sobre o Banco Master também apontam possível envolvimento de políticos com foro privilegiado. Material apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero menciona lideranças partidárias e altas autoridades. Eventuais desdobramentos envolvendo essas figuras deverão tramitar no STF.

Na primeira fase da operação, quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o celular do banqueiro, ampliando o alcance das apurações.

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