Advogado alerta para impactos jurídicos e custos da redução da jornada 6×1 na panificação, que pode gerar novas contratações e mudanças em 2026.
A possível mudança na jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 tem gerado debates na indústria da panificação, segundo destacou o advogado Ramon Lima na coluna “Do Grão ao Pão”, veiculada nesta sexta-feira (13) na Rádio Caturité FM.
O especialista explicou que a redução de jornadas de 6×1 para modelos como 5×1 ou 5×2 traz desafios imediatos, como a necessidade de novas contratações para suprir a lacuna de dias trabalhados. “Isso gera um custo operacional para a empresa, que pode ser repassado ao preço final do produto, pois a mão de obra ficará mais cara”, disse.
Ramon Lima alertou ainda para riscos jurídicos para empresas que não conseguirem se adaptar corretamente. “Aquelas que não se adequarem podem enfrentar ações trabalhistas e impactos produtivos, precisando reduzir produção ou substituir trabalhadores por tecnologia”, afirmou.
Segundo o advogado, o setor produtivo passa por múltiplas readequações, incluindo exigências da NR-1 sobre gestão de riscos ocupacionais e saúde mental. “Hoje as empresas precisam contratar consultorias de psicologia para prevenir exaustão, burnout e depressão. Além disso, há a reforma tributária e agora a preocupação com o fim da escala 6×1, que pode se tornar realidade em 2026”, explicou.
Ramon destacou o equilíbrio necessário entre saúde do trabalhador e sustentabilidade empresarial. “É preciso entender as dificuldades do empresário diante de normas de vigilância sanitária, regulamentações de consumo e exigências de produção. Mas a saúde e o convívio familiar dos funcionários são primordiais”, pontuou.
O impacto será maior para panificadoras e supermercados que operam todos os dias da semana. “Essas empresas terão que se adaptar a jornadas reduzidas, folga aos domingos e folgas no meio da semana, o que aumenta a complexidade”, comentou.
A regulamentação final dependerá das convenções coletivas de trabalho, que deverão discutir a pauta assim que o projeto virar lei. “Será uma mudança substancial na indústria da panificação e em outros segmentos que funcionam aos domingos”, concluiu Ramon Lima.



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