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18.2.26

Cargos de gerência encolhem no Brasil, apesar de alta de empregos

Entre 2020 e 2026, 322 mil vagas de gerência e diretoria foram eliminadas no Brasil, enquanto o mercado geral registra crescimento.

O topo da pirâmide corporativa brasileira está se tornando mais estreito. Entre 2020 e 2026, 322 mil vagas de alta gestão — cargos de gerentes e diretores — foram eliminadas, mesmo com sinais de aquecimento no mercado de trabalho geral.

Dados do Caged mostram que em 2025 o saldo de contratações para funções de liderança ficou negativo em 112,3 mil postos. No mesmo período, o Brasil gerou 9 milhões de vagas com carteira assinada nos últimos seis anos, sendo 1,2 milhão delas em 2025, evidenciando um descolamento entre os cortes de liderança e o mercado em geral.

Especialistas apontam que a redução de cargos de gerência reflete a crescente horizontalização das empresas, que diminui níveis hierárquicos e amplia a supervisão de cada líder. “Nos anos 1980 e 1990, havia estruturas extremamente verticalizadas e compartimentadas. Isso foi mudando”, explica Leonardo Berto, gerente regional da consultoria de recrutamento Robert Half.

Segundo Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page, a pandemia e os avanços em softwares de gestão intensificaram o processo. “Muitas empresas reduziram seus corpos diretivos afunilando níveis, reduzindo em um, dois e até três escalões para cortar custos. Antes, uma pessoa se dedicava somente a uma atividade, e hoje acumula mais responsabilidade em menos indivíduos.”

Outro fator apontado é o efeito prolongado da taxa de juros elevada sobre os investimentos corporativos. Desde fevereiro de 2022, a Selic permanece em dois dígitos, hoje em 15% ao ano, o que faz as empresas priorizarem funções essenciais e a manutenção das operações, em detrimento da expansão de lideranças estratégicas.

Crises globais recentes, como a pandemia, a invasão da Ucrânia, conflitos no Oriente Médio e tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, também contribuíram para o achatamento das estruturas. Medidas tomadas por multinacionais frequentemente repercutem nas filiais brasileiras, levando à redução de cargos de liderança para preservar a operação.

Apesar da diminuição de gerentes e diretores, especialistas destacam que esses profissionais não ficam sem emprego. Há uma redistribuição de funções, com a mão de obra sendo absorvida em cargos de consultoria, analistas e outras posições que demandam algum nível de liderança. “Muita gente não segue mais um caminho linear e tradicional de carreira”, afirma Berto.

O fenômeno mostra uma transformação profunda nas organizações brasileiras, marcada pela digitalização, horizontalização e maior flexibilidade nos caminhos profissionais, enquanto o mercado geral continua a crescer.

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