EUA e Irã retomam negociações nucleares em Viena sob mediação de Omã, enquanto tensão militar cresce no Oriente Médio.
Delegações dos Estados Unidos e do Irã decidiram manter as negociações sobre o programa nuclear iraniano na próxima semana, em Viena, apesar da intensificação dos preparativos militares americanos na região. As conversas ocorreram de forma indireta nesta quinta-feira (26), em Genebra, sob mediação de Omã.
Segundo o chanceler omanense Badr al-Busaidi, houve “progressos significativos”, embora autoridades americanas tenham descrito o diálogo como “difícil” e “frustrante”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as tratativas foram as “mais sérias até aqui”, com avanços em alguns pontos, mas ainda com divergências. Os Estados Unidos não se pronunciaram oficialmente.
As negociações seguirão focadas em aspectos técnicos e nucleares. Viena abriga a sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor-geral, Rafael Grossi, acompanhou os debates como observador. O encontro começou pela manhã e teve duas sessões ao longo do dia, sempre de forma indireta, com as propostas sendo transmitidas pelo chanceler de Omã entre as delegações.
A equipe americana foi liderada por Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. A última negociação direta entre os dois países ocorreu no acordo nuclear de 2015, que limitava o enriquecimento de urânio iraniano a 3,75% e reduzia estoques do material, sob verificação da AIEA. Em 2018, Trump retirou os EUA do pacto e restabeleceu sanções.
Desde então, o Irã ampliou seu programa. A partir de 2022, o país elevou seu estoque de urânio enriquecido para 440 kg e atingiu nível de 60% de enriquecimento, segundo a AIEA. O impasse se agravou após os conflitos regionais envolvendo Israel e aliados de Teerã, culminando em confrontos diretos entre os rivais em 2024 e em uma guerra de 12 dias em junho passado.
Em meio às negociações, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar. O porta-aviões USS Gerald Ford deixou Creta e seguiu para a costa de Israel. Ao todo, 18 navios de guerra e cerca de 200 aeronaves foram mobilizados na região. Caças F-22 e F-35 também foram deslocados para bases no Oriente Médio, enquanto a base de Diego Garcia recebeu reforços, embora o Reino Unido tenha vetado o uso do local para bombardeiros estratégicos.
A tensão levou mais de dez países, incluindo o Brasil, a recomendar que seus cidadãos deixem o Irã e evitem viagens à região. Companhias aéreas, como a KLM, suspenderam voos para Israel. O julgamento político e diplomático da crise segue em aberto, com negociações em curso e movimentações militares que mantêm elevado o risco de escalada no Oriente Médio.



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