França e Reino Unido assinam acordo com a Ucrânia para envio de força de paz em caso de cessar-fogo, plano que depende do apoio dos Estados Unidos.
Os governos da França e do Reino Unido assinaram um acordo com a Ucrânia para o envio de uma força de paz ao país em caso de cessar-fogo com a Rússia, em movimento considerado uma vitória política para o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
A proposta, no entanto, depende diretamente do apoio dos Estados Unidos para sair do papel. Pelo plano discutido, os norte-americanos seriam responsáveis por atuar como fiadores militares do acordo e por monitorar o cumprimento de uma eventual trégua entre russos e ucranianos.
Outro obstáculo é a posição do governo russo. O presidente Vladimir Putin rejeita a presença de tropas da Otan em território ucraniano, possibilidade que Moscou vê como uma ameaça direta. A percepção de que a Ucrânia poderia ingressar na aliança militar ocidental foi um dos fatores que motivaram a invasão russa iniciada há quase quatro anos.
O anúncio foi feito em Paris, durante reunião da chamada Coalizão dos Dispostos, grupo de países que apoia o esforço de guerra de Kiev. Os Estados Unidos participaram do encontro, que teve continuidade no dia seguinte. O negociador-chefe americano, Steve Witkoff, afirmou que os protocolos de segurança para o período pós-guerra estão “quase todos finalizados”, sem confirmar nem negar os termos defendidos pelos europeus.
Witkoff destacou que os EUA estão dispostos a atuar em favor da paz e ressaltou a perspectiva de um acordo de prosperidade após o conflito, em referência a interesses econômicos. Já Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, classificou a reunião como um marco nas discussões sobre garantias de segurança.
Líderes como o presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afirmaram que a Ucrânia também contará com uma espécie de seguro contra novas invasões, inspirado no artigo 5º do estatuto da Otan, que prevê defesa mútua em caso de agressão. Meloni, porém, afirmou que a Itália não enviará tropas para atuar em solo ucraniano.
Até o momento, os Estados Unidos vinham evitando participação direta em qualquer esquema militar dentro da Ucrânia, delegando esse papel aos países europeus. Ainda assim, Macron e Zelenski indicaram que haverá monitoramento americano do processo.
A proposta retoma uma ideia apresentada em 2024 por Macron e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que à época foi respondida pelo Kremlin com ameaças nucleares. Starmer afirmou que o acordo representa uma declaração de intenção para o envio de forças francesas e britânicas, com atuação na proteção de céus e mares ucranianos.
O avanço das discussões, embora ainda condicionado ao envolvimento efetivo dos Estados Unidos, aumenta a pressão sobre Putin, que obteve ganhos militares no fim do ano e demonstra pouca disposição para aceitar a iniciativa. Caso Washington apoie o plano de forma mais firme, o movimento pode sinalizar um endurecimento da postura do presidente Donald Trump nas negociações, contrariando interesses do Kremlin.





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