Campanha digital contra o Banco Central no caso Master previa contrato de confidencialidade de R$ 800 mil e envolveu influenciadores e políticos.
O recrutamento de perfis em redes sociais para um bombardeio digital contra o Banco Central e investigadores no caso Master envolveu um contrato de confidencialidade com multa de R$ 800 mil. A campanha foi batizada de “Projeto DV”, iniciais que coincidem com o nome de Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master.
As abordagens a influenciadores ocorreram em meados de dezembro, período em que se intensificaram críticas à atuação do Banco Central contra o Banco Master e teve início a disputa jurídica no STF e no TCU entre investigadores e advogados da instituição financeira. A informação sobre os contratos foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O influenciador e vereador de Erechim (RS), Rony de Assis Gabriel (PL), afirmou que recebeu proposta com “valores expressivos”. Segundo ele, o contato foi feito em 20 de dezembro pelo marketeiro André Salvador, que se apresentou como responsável por um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.
No dia seguinte, Salvador também procurou o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), apresentando-se como integrante da agência Mithi, de Thiago Miranda, sócio do Grupo Léo Dias. Ambos os parlamentares recusaram as propostas, conforme gravações de tela analisadas pela reportagem. Gabriel tem 1,7 milhão de seguidores no Instagram, enquanto Siqueira soma 592 mil.
O contrato de confidencialidade enviado a Gabriel estava em nome da empresa Unltd Network, da qual Salvador é sócio. Embora Salvador tenha sociedades no Rio Grande do Sul, a Unltd Network é registrada em Brasília, assim como a agência Mithi.
O jornalista Léo Dias afirmou que Thiago Miranda deixou o cargo de CEO do Grupo Léo Dias em junho, embora permaneça como sócio. Segundo ele, Miranda manifestou interesse em sair da operação e vender sua participação. A reportagem tentou contato com Salvador e Miranda desde a tarde desta quinta-feira (8), sem obter resposta.
O documento classifica como confidenciais as estratégias de comunicação, planos e informações jurídicas e financeiras, além dos nomes de participantes da campanha, incluindo parceiros e terceiros. Em caso de quebra de sigilo, está prevista multa de R$ 800 mil.
Salvador também enviou a Gabriel exemplos de vídeos críticos à atuação do Banco Central no caso Master, produzidos por influenciadores de finanças e pelo perfil de humor Alfinetada. Em 30 de dezembro, esse perfil publicou conteúdo contra o ex-diretor do BC Renato Gomes, citando especulações sobre sua possível ida ao BTG.
A página Alfinetada é assessorada pelo Grupo Farol, que afirmou nunca ter sido procurado para negociar ou intermediar comunicação relacionada ao Banco Master. Segundo a empresa, sua atuação se limita à representação publicitária dentro das normas legais.
Entre os supostos contratados estariam Carol Dias e André Dias, influenciadores de educação financeira e apresentadores do Irmãos Dias Podcast. Carol Dias negou as acusações, afirmou que apenas repercute fatos divulgados pela mídia e anunciou que seu advogado, Daniel Leon Bialski, vai processar quem a acusou de receber pagamentos pelos posts.
Um assessor de Rony Gabriel reiterou que o vereador recusou participar do “Projeto DV”, apesar de ao menos duas reuniões terem ocorrido com Salvador. Já Léo Siqueira afirmou que não chegou a ver o contrato de confidencialidade e decidiu não participar ao identificar que a gestão de crise envolvia Daniel Vorcaro.
A ofensiva digital alinhada à defesa do Banco Master tem como principal alvo o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, cuja área recomendou o veto à compra do Master pelo BRB. Também foram alvo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor financeiro que divulgaram notas em apoio à decisão técnica de liquidar o banco em novembro.





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