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2.1.26

Alcolumbre vive atritos com Lula, mas relação tende à reaproximação

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre alternou apoio ao governo Lula e crises políticas em 2025; relação ainda passa por ajustes.

De volta ao comando do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) viveu ao longo de 2025 uma relação marcada por apoio decisivo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Legislativo e por episódios de tensão envolvendo indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às agências reguladoras. Apesar de sinais de reaproximação nas últimas semanas, aliados avaliam que a relação ainda não retornou ao nível observado no início do ano.

 

Alcolumbre, que presidiu o Senado e o Congresso entre 2019 e 2021, reassumiu o cargo em 2025 com apoio amplo, incluindo o Palácio do Planalto, o PT e partidos da oposição. Nos meses seguintes, tornou-se o principal fiador das pautas do Executivo no Senado, sendo apontado por integrantes da base governista como mais eficaz na articulação política do que os próprios líderes do governo no Legislativo.

 

Com dificuldades enfrentadas pelo governo na Câmara dos Deputados, o Senado se consolidou como principal espaço de governabilidade. Ainda assim, senadores aliados a Lula reclamaram da baixa mobilização de parlamentares governistas na defesa de projetos do Executivo e passaram a cobrar ajustes na reta final do mandato, especialmente com a aproximação do período eleitoral.

 

A relação entre Lula e Alcolumbre manteve, durante boa parte do ano, um tom informal. Na última semana, o presidente da República afirmou se considerar amigo tanto do senador amapaense quanto do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O clima, porém, começou a se deteriorar após o anúncio da aposentadoria do então ministro do STF Luís Roberto Barroso, em outubro.

 

O presidente do Senado e integrantes influentes da Casa defendiam que Lula indicasse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no Supremo. A decisão do presidente de indicar Jorge Messias, anunciada no fim de novembro, gerou desgaste na relação. Até o momento, o Senado não votou a indicação, que depende de aprovação da maioria da Casa para que Messias assuma o cargo.

 

No mesmo dia do anúncio, Alcolumbre comunicou que colocaria em votação o projeto de aposentadoria especial de agentes de saúde, proposta com elevado impacto fiscal e contrária à posição do governo. Aliados do Planalto interpretaram o gesto como retaliação, classificando a iniciativa como “pauta bomba”. O senador reagiu publicamente às críticas, afirmando que sempre apoiou o governo em momentos difíceis e citando votações que ampliaram gastos públicos a pedido do Executivo.

 

O presidente do Senado também demonstrou insatisfação com declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre responsabilidade fiscal do Congresso, e com falas de Lula afirmando que o Legislativo teria “sequestrado” o Orçamento por meio das emendas parlamentares.

 

Nas últimas semanas, o clima começou a melhorar. Lula conversou com senadores próximos a Alcolumbre, como Weverton Rocha, Otto Alencar, Omar Aziz, Eduardo Braga e Renan Calheiros. Paralelamente, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado do presidente do Senado, atuou para reaproximar os dois Poderes.

 

Após a última sessão do Congresso em 2025, Alcolumbre indicou disposição para dialogar. Ele e Lula conversaram por telefone e, dias depois, reuniram-se pessoalmente. O presidente agradeceu o apoio do Senado na aprovação de projetos de interesse do governo e voltou a defender a candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais, hipótese descartada pelo senador mineiro.

 

A indicação de Jorge Messias ao STF também foi tema da conversa, mas sem definição. A expectativa é de que o assunto volte à pauta com a retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro.

 

Além desse episódio, governo e Senado já haviam se desentendido em outras ocasiões, como no impasse sobre indicações para diretorias de agências reguladoras, o que atrasou nomeações e deixou cargos vagos, incluindo a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e diretorias do Banco Central.

 

Outro foco de tensão foi a atuação de Alcolumbre nos bastidores para tentar derrubar o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Indicado inicialmente com apoio do Senado, o ministro perdeu respaldo após conflitos envolvendo projetos e cargos da pasta. Apesar da pressão, Lula decidiu mantê-lo no cargo.

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