Estudo aponta que 1 em cada 5 destilados vendidos no Brasil é falso. Intoxicações por metanol já causaram mortes em São Paulo e Pernambuco.
Mercado ilegal de bebidas no Brasil soma prejuízo de R$ 28 bilhões e provoca mortes por metanol
O mercado ilegal de bebidas alcoólicas no Brasil segue em expansão e causa prejuízos bilionários. De acordo com estudo da Euromonitor International, encomendado pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), o impacto chegou a R$ 28 bilhões em 2024, somando perdas tributárias, danos às empresas legais e custos para o sistema de saúde.
A ABBD estima que 1 em cada 5 garrafas de uísque ou vodca vendidas no país seja falsa. Já a Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares de São Paulo) aponta que 36% das bebidas alcoólicas comercializadas no Brasil são fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas.
Entre os destilados, 28% são alvo de crimes como sonegação, contrabando, falsificação e produção sem registro. A falsificação é a prática mais prejudicial, ocorrendo principalmente por meio do “refil” de garrafas de marcas conhecidas com produtos de baixo custo ou até mesmo álcool impróprio para consumo humano.
O preço é o principal atrativo: bebidas falsificadas custam em média 35% menos, chegando a uma diferença de 48% no caso do uísque em lojas virtuais. O estudo também identificou crescimento de 13% no consumo de álcool de fontes não destinadas ao consumo humano em 2024.
Mortes por metanol
Além do impacto econômico, o mercado ilegal traz riscos graves à saúde. Desde junho, o estado de São Paulo registrou 37 casos de intoxicação por metanol, sendo dez confirmados e 27 em investigação, com seis mortes — uma já confirmada pela substância e cinco em análise. Em Pernambuco, duas mortes foram confirmadas.
Segundo o Ministério da Saúde, no total, 43 notificações de intoxicação por metanol foram recebidas em todo o país. A Polícia Civil investiga bares e adegas suspeitos de vender bebidas adulteradas, enquanto a Polícia Federal apura a origem da substância e sua possível distribuição para outros estados.
Contexto e combate
Apesar do crescimento das falsificações, houve retração de 25% no contrabando em 2024, atribuída à valorização do dólar e à maior eficiência da fiscalização, que passou a contar com tecnologias como drones nas fronteiras.
O setor aponta, porém, que fatores como a sofisticação das redes criminosas, a dificuldade de fiscalização em grandes territórios e a expansão das vendas digitais mantêm o mercado ilegal ativo. Entre as categorias mais afetadas estão os destilados, enquanto vinhos e cervejas registram níveis menores de irregularidades (7% e 2%, respectivamente).



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