Davi Alcolumbre nega andamento ao impeachment de Moraes, impõe derrota ao bolsonarismo e condiciona votações ao fim da obstrução no Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se recusou a dar andamento ao pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e impôs uma derrota ao grupo bolsonarista que ocupa a oposição na Casa. A decisão foi confirmada nesta quinta-feira (7), após dois dias de obstrução e ocupação do plenário por senadores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mesmo com o apoio de 41 senadores, número que representa a maioria da Casa, Alcolumbre reafirmou que a decisão de colocar em pauta ou não o processo cabe exclusivamente à presidência do Senado, conforme o regimento interno.
“Para usar as palavras dele [Alcolumbre], 'não há hipótese de que eu coloque para votar essa matéria [impeachment de Moraes]'”, declarou o senador Cid Gomes (PSB-CE), após reunião com o presidente do Senado na quarta-feira (6).
Durante dois dias, terça (5) e quarta-feira (6), o plenário ficou bloqueado pelos bolsonaristas, impedindo a realização de votações regulares. Alcolumbre, respaldado por líderes partidários, se recusou a negociar qualquer pauta da oposição enquanto a obstrução não fosse encerrada. Ele também afirmou que não haveria mais interlocução com o grupo se a ocupação persistisse até quinta.
Após uma nova rodada de conversas com senadores, inclusive com alguns da oposição que buscaram uma saída honrosa para o impasse, os bolsonaristas deixaram o plenário nesta quinta-feira (7). O retorno de Alcolumbre à condução da sessão marcou o fim da ocupação.
Mesmo entre os signatários do pedido de impeachment, nem todos endossaram a ocupação. O senador Jayme Campos (União Brasil-MT), por exemplo, assinou o documento, mas manifestou apoio à liderança de Alcolumbre.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, comemorou a obtenção da 41ª assinatura, dada por Laércio Oliveira (PP-SE), e reforçou a pressão:
“Esperamos agora que o presidente da Casa, o senador Davi Alcolumbre, recepcionando esse documento, verificando que a maioria de seus pares tem essa intenção, avalie de que forma esse processo poderá ser aberto”, declarou.
Apesar do peso simbólico, as assinaturas não obrigam o presidente do Senado a dar seguimento ao pedido. O bolsonarismo tenta inserir o impeachment de Moraes dentro do chamado "pacote da paz", que inclui também propostas como a anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado.
Por Redação



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