Sancel
18.3.21

Pai de Geffeson Moura classifica morte do filho como fruto de imprudência policial e clama por esclarecimentos: "filho exemplar, nunca me deu trabalho"

 Geffeson foi assassinado durante operação falha da Polícia Civil de Sergipe, em Santa Luzia, no Sertão da Paraíba, na madrugada dessa quarta-feira (17).

O pai de Geffeson Moura, Geraldo Gomes, classificou a morte do filho como fruto de imperícia e imprudência policial da Polícia Civil de Sergipe. Ele clamou por esclarecimentos e declarou que o filho era exemplar e que nunca deu trabalho à família. Geffeson foi assassinado durante operação falha da Polícia Civil de Sergipe, em Santa Luzia, no Sertão da Paraíba, na madrugada dessa quarta-feira (17).

"Meu filho era querido. Nunca se envolveu em nenhum tipo de desavença. Só tinha amizades. O rapaz tava vindo de João Pessoa para vir me dar apoio por conta da Covid que eu estou acometido. Filho exemplar. Nunca me deu trabalho em nada", desabafou o pai em vídeo gravado em Cajazeiras, no Sertão paraibano, conforme divulgado pelo programa Arapuan Verdade, hoje (18).

Ainda segundo o pai, Geffeson era "formado em Direito, comerciante de compra e venda de veículos. Vivia nessa batalha. Estagiava num escritório de advocacia. Era um cidadão trabalhador. Apesar de ser jovem, era muito inteligente."


O pai contou que o filho foi morto sem chance de defesa e questionou a ação policial sergipana na Paraíba. "Quantos aos fatos, eu sou um policial com 30 anos de experiência. A minha experiência, o rapaz foi executado sem nenhuma possibilidade de defesa, sem chance de se identificar, com sete disparos. Os hábitos da polícia, quais são? Negociar, tentar resolver da melhor forma possível. Tem uma grande necessidade de você já dar um tiro se a pessoa está lhe ameaçando, que não era o caso? Assassinar com sete tiros o rapaz sentado no carro? Tinha que ter negociado com o rapaz. O que foi apurado lá, o celular tava cheio de sangue, então foi confundido com uma arma. Se existia alguma arma, então tava embaixo do banco e foi encontrada depois. Se tivessem visto essa arma, tinha mandado ele descer do carro. No meu ver, foi imperícia e imprudência. Tem que ver esse caso. As autoridades não podem, de jeito nenhum, deixar esse caso impune."

Nota da Polícia de Sergipe

Em nota enviada ao ClickPB, ontem, a Polícia Civil de Sergipe disse que "foi deflagrada uma operação no final da noite desta terça-feira, 16, na cidade de Santa Luzia, sertão da Paraíba, pelo Departamento de Narcóticos (Denarc) a fim de tentar prender um grupo envolvido com tráfico interestadual de drogas. estava "há alguns dias em diversas partes do Nordeste do país monitorando a quadrilha com o intuito de cumprir mandados de prisão, expedidos pela Justiça de Sergipe."

Ainda na nota, a Polícia Civil sergipana relata que "os policiais se depararam com um homem em um veículo e na abordagem, o motorista identificado como Gefferson de Moura Gomes estava armado, esboçou uma reação e foi atingido, sendo encaminhado imediatamente para uma unidade hospitalar."

Também declarou que "o veículo e a arma de fogo foram apreendidos e apresentados pelos policiais na Delegacia Plantonista da cidade de Patos-PB. Os policiais prestaram depoimento ao delegado plantonista e apresentaram a arma e o carro apreendidos. Também foi colocado à disposição da Perícia Criminal e da Polícia Civil da Paraíba as armas de fogo utilizadas pelos policiais civis sergipanos durante a ação."

"A Polícia Civil de Sergipe disponibiliza desde as primeiras horas do desfecho da ocorrência todas as informações necessárias às autoridades paraibanas. Os relatos prestados pelos policiais civis sergipanos constam em inquérito policial que já foi instaurado para apurar a ocorrência. A perícia também foi acionada para realizar os exames nas armas de fogo e veículo", concluiu.

Polícia Civil da Paraíba abre inquérito para investigar

A Polícia Civil da Paraíba instaurou inquérito para apurar a ação feita por policiais civis do Sergipe que resultou na morte de Geffeson Moura, nesta quarta-feira. O inquérito possui prazo legal de 30 dias para ser concluído, mas poderá ser prorrogado de acordo com a necessidade das investigações.

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