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11.2.21

Haddad fala em acordo geral de partidos para derrotar Bolsonaro em eventual 2º turno de 2022

Adriano Machado / Reuters

 

Questionado sobre ser um "candidato poste" do ex-presidente, Haddad classificou a fala como tentativa de gerar "intriga" no partido.

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Candidato derrotado do PT nas últimas eleições presidenciais, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Fernando Haddad disse nesta quarta-feira (10) que o antibolsonarismo "é muito maior" do que o antipetismo, visto como um dos fatores que em 2018 levou à vitória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em participação no UOL Entrevista, Haddad também falou que seu candidato em 2022 é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar desse estar vetado pela Lei da Ficha Limpa.


Sobre a pandemia do novo coronavírus, disse que o auxílio emergencial precisa voltar até que a população brasileira esteja vacinada contra a Covid-19.


Na conversa com o colunista do UOL Kennedy Alencar, Haddad disse que a gestão Bolsonaro "foi o maior erro da história da República". "Daqui a cem anos nós vamos lembrar o erro que nós cometemos", falou em referência a seu adversário em 2018.


Sobre alianças em 2022, disse que o PT "é um partido aliancista" [que sempre tenta alianças], mas que cada partido tem sua dinâmica e que elas ainda serão avaliadas, para "buscar somar o maior número de forças políticas".


Questionado sobre um cenário hipotético em 2022, em um segundo turno com Bolsonaro de um lado e o governador João Doria (PSDB-SP) ou o apresentador Luciano Huck, de outro, Haddad afirmou que os partidos democratas deveriam formalizar um tipo de acordo.


"Um acordo público para não acontecer o que aconteceu em 2018, qualquer que seja o representante das oposições. Porque quem tem que responder essa pergunta é quem votou no Bolsonaro no segundo turno, conhecendo o Bolsonaro."


"Não pode ser um compromisso só do PT, tem que ser um compromisso geral. É um compromisso das oposições que esse projeto está destruindo o país? Então nós temos condição de conversar", disse.


Comparada a disputa em que foi derrotado com a do ano que vem, ele comentou que "o antibolsonarismo é muito mais forte hoje". "Muito maior. É um escândalo um país como o Brasil ser presidido por uma pessoa dessa qualidade. É um escândalo mundial. O Brasil está fora, completamente fora do circuito, por causa da Presidência do Bolsonaro."


Sobre a disputa de 2022, Haddad indicou, na semana passada, que Lula lhe pediu para colocar o "bloco na rua". Mesmo assim, o ex-prefeito disse ter preferência pelo ex-presidente. "Em 2018 [meu candidato] era o Lula e, em 2022, continua sendo."


Questionado se tem vontade de ser presidente, Haddad disse que "é a mesma coisa perguntar para um padre se ele quer ser papa". "São circunstâncias históricas que permitem a você, combinando uma série de fatores. Presidente da República não é uma coisa que se decide ser. Você pode querer muito ser, pode ter desejo, pode ter projeto, pode ter partido, pode ter tudo, mas isso é muito do destino."


Haddad questiona como negar que Lula estaria sendo "vítima de uma violência". "E que eu gostaria que ele pudesse decidir se ele pode ser ou não, com seus direitos [políticos] restabelecidos."


Lula não pode ser candidato porque foi condenado em segunda instância nos processos do tríplex e do sítio. A defesa do ex-presidente tenta derrubar as sentenças no STF (Supremo Tribunal Federal) com base na tese de que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial na condução das ações penais.


Por causa das condenações, Lula está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, regra que o barrou da disputa presidencial de 2018, vencida por Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar de o PT ter insistido com a candidatura de Lula até setembro de 2018, o partido acabou substituindo o ex-presidente por Haddad.


Caso nada mude até lá, o ex-prefeito prevê que "vai acontecer o que aconteceu em 2018". "Agora passaram-se dois anos, nós temos toda a condição de provar o golpe que foi dado na candidatura do Lula e defender que ele possa rodar o país e disputar a eleição", completou.


Questionado sobre ser um "candidato poste" do ex-presidente, Haddad classificou a fala como tentativa de gerar "intriga" no partido.


"O PT tem que ficar imobilizado até esperar uma decisão que não vem. Esse habeas corpus faz dois anos que não é julgado. Enquanto isso, o PT fica imobilizado e o Bolsonaro em campanha. Eu vou colocar o bloco na rua e já tomei as providências na minha vida privada para ficar totalmente disponível para esse projeto. Não há possibilidade de gerar intriga dentro do PT", afirmou.


O petista também criticou a atitude dos partidos de oposição com relação à condenação de Lula. O PT defende que o ex-presidente foi alvo da Operação Lava Jato para sair da disputa eleitoral.


"Por que o PSDB não vem a público e diz 'gente, deixa o Lula, ou outro petista, concorrer à eleição livremente'. É muita violência. Não tem um gesto da direita, dita democrática, em relação a uma violência que está sendo cometida. Que tanto medo as pessoas têm? De uma pessoa que ficou oito anos na Presidência da República sem atentar contra uma instituição, sobretudo contra aquelas que tinham o dever de combater a corrupção, como ele promoveu. Não tem cabimento isso", completou.


Haddad diz que, se não fossem as fake news e a "fraudulenta delação de Antonio Palocci", o PT teria ganhado a eleição em 2018.


Ao falar sobre os pedidos de impeachment contra Bolsonaro no Congresso, Haddad avaliou que agora é mais difícil discutir o tema.


"A minha avaliação é que ficou muito mais difícil agora discutir o impeachment porque já estamos na segunda metade do mandato, e o Bolsonaro, via centrão, simplesmente loteou o governo e se fortaleceu, para manter não só o seu mandato, mas para blindar seu filho Flávio Bolsonaro", disse.


Com e eleição da presidência do Senado e da Câmara dos Deputados, na semana passada, Haddad vê o presidente "blindado". "O Bolsonaro se blindou nesse momento, e a eleição das mesas deixou claro que ele se enfraqueceu como presidente, mas fortaleceu aqueles que vão protegê-lo até 2022", afirmou.


Adriano Machado / Reuters

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