Lula diz que aborto é questão de saúde pública e não vergonha

 Pré-candidato à Presidência, o petista disse que pauta da família e dos valores é muito atrasada no Brasil.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (5.abr.2022) que o aborto deve ser tratado como uma questão de saúde pública e um direito que todas as mulheres deveriam ter. Para ele, quem mais sofre com a proibição são as mulheres pobres, que não têm acesso a métodos seguros. Ao falar do assunto, Lula se referiu ao presidente Jair Bolsonaro (PL), sem citar seu nome, como uma pessoa que “não tem moral”.

“Mulheres pobres morrem tentando fazer aborto, porque o aborto é proibido, é ilegal. […]. Quando que a madame pode ir fazer um aborto em Paris, escolher ir pra Berlim. Na verdade, deveria ser transformado em uma questão de saúde pública e todo mundo ter direito, e não vergonha”, disse.

Lula participou nesta manhã do debate “Brasil-Alemanha – União Europeia: desafios progressistas – parcerias estratégicas”, realizado pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e pela Fundação Friedrich Ebert (FES). O ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz também esteve presente.

Ao final do evento, Lula afirmou que a pauta da família e dos valores está “muito atrasada” no Brasil e defendeu que a esquerda assuma a discussão sobre esses temas junto à sociedade.

“Essa pauta da família, dos valores é muito atrasada. E ela é utilizada por um homem que não tem moral para fazer isso […]. É esse cidadão que tenta pregar valores para um grupo brasileiro que acredita. E eu acho que nós que temos que assumir essa discussão tentando fazer a sociedade evoluir, e não compartilhando do retrocesso que a gente tem nessa discussão“, disse Lula em referência à Bolsonaro.

De acordo com o petista, pré-candidato à Presidência da República, a discussão sobre esse tipo de assunto será um desafio na campanha eleitoral. Mas, ainda assim, defendeu que se fale sobre o tema.

“A sociedade evoluiu muito, os costumes evoluíram muito e precisamos ter coragem para fazer esse debate”, disse. O petista completou dizendo que o Brasil ainda precisa avançar em muitas questões sociais, como também no combate ao racismo e à pobreza.

Lula também voltou a defender a revisão da reforma trabalhista, com a recuperação de direitos do trabalhador, e repetiu que os partidos políticos hoje são “cooperativas de deputados”. Para ele, os políticos escolhem as legendas em função de recursos que possam receber, exceto no PT que, segundo Lula, é o único com “dimensão e organização social”.  Ele incluiu partidos aliados, como o Psol e o PSB.

De olho na disputa eleitoral, Lula afirmou que não será fácil derrotar Bolsonaro no pleito porque, de acordo com ele, seu oponente tem uma “máquina de fake news poderosa”. “Vamos ter que enfrentar isso, enfrentar um governo que não tem limite de gastar dinheiro”, disse.

Ele também afirmou que a revelação da atuação de pastores no Ministério da Educação na liberação de recursos da pasta para prefeitos mostra que havia ali uma “quadrilha”. O ex-presidente, no entanto, criticou a falta de investigação por parte da Polícia Federal, Ministério Público e outros órgãos responsáveis.

Lula disse ainda acreditar ter todas as “chances de ganhar as eleições”. “Acho que nunca o Brasil esteve precisando que o PT ganhe as eleições, da esquerda e progressistas ganharem as eleições. O Brasil está clamando para que ganhemos as eleições e eles vão fazer o que puderem para que a gente não ganhe”, disse.

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