Covid-19: Confira os estados brasileiros que já aplicam a 4ª dose em idosos

 Apesar do Ministério da Saúde orientar segundo reforço apenas para imunossuprimidos, ao menos oito lugares seguem tendência de outros países e ampliam o público-alvo da vacinação.

RIO — Enquanto o Ministério da Saúde avalia a ampliação de uma segunda dose de reforço da vacina contra a Covid-19 para os idosos, estados brasileiros estão adiantados e já anunciaram a imunização de outros grupos considerados de maior risco para a doença. Em âmbito nacional, a recomendação do governo segue apenas para pessoas imunossuprimidas a partir de doze anos, mas levantamento feito pelo GLOBO mostrou que ao menos sete estados já oferecem a quarta aplicação para idosos ou profissionais da saúde, e, no Rio de Janeiro, a capital tem um calendário que prevê a dose extra para toda a população adulta.

Nesta segunda-feira, São Paulo deu início à quarta dose em idosos com mais de 80 anos. Ontem, a capital anunciou que, a partir da próxima terça-feira, ampliará a dose adicional para todos com mais de 70 anos. O governo estadual e a prefeitura afirmam que todas as vacinas disponíveis no Plano Nacional de Imunizações (PNI) são utilizadas como reforço, inclusive a CoronaVac. A decisão, no entanto, é criticada por especialistas.

— A dose de reforço deve ser feita com vacinas que a gente já sabe que induzem uma maior resposta imunológica, como as de RNA mensageiro (Pfizer) e as de vetor viral (AstraZeneca e Janssen). A CoronaVac funciona muito bem para adultos jovens, mas a gente sabe hoje que não tem uma efetividade tão boa para os idosos — explica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Já no Rio de Janeiro, o governo estadual afirmou que segue a recomendação do Ministério da Saúde. No entanto, a prefeitura da capital anunciou, no início de fevereiro, que estenderá a dose extra para toda a população adulta no intervalo de um ano da terceira aplicação, começando pelos idosos em julho. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que “não há evidências científicas de que a DR2 (segundo reforço) deva ser aplicada em intervalo menor do que um ano” e por isso não há previsão para adiantar a inclusão desse público.

Porém, o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, afirma que há dados hoje que mostram sim uma diminuição na proteção conferida pela terceira dose com o tempo, especialmente em grupos que naturalmente respondem de forma mais fraca à vacina, como idosos e imunossuprimidos.

— Hoje sabemos que essa quarta dose tem uma indicação para essas populações específicas porque são pessoas que têm uma tendência a perder a capacidade de resposta à vacina. Isso é para evitar que a gente tenha essa população ainda mais vulnerável e consiga evitar óbitos — destaca a especialista.

O Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado a estender o segundo reforço, no início de fevereiro, para idosos com mais de 60 anos, profissionais da saúde, gestantes e puérperas. Na última quarta-feira, o Rio Grande do Norte também passou a recomendar a nova aplicação para aqueles com 60 anos ou mais. Nesta segunda-feira, o Espírito Santo deu início à quarta aplicação para idosos com a mesma faixa etária.

Assim como São Paulo, Mato Grosso decidiu incluir apenas os idosos com mais de 80 anos na campanha, na última sexta-feira. No dia seguinte, o governo do Amazonas passou a oferecer um segundo reforço àqueles com 70 anos ou mais. No Pará, a dose extra é também ofertada para aqueles com mais de 70 anos, além de profissionais da área da saúde.

Procurados pelo GLOBO, Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins afirmaram que seguem as orientações do Ministério da Saúde e, portanto, aplicam a quarta dose apenas em imunossuprimidos. Amapá, Sergipe e Piauí não responderam até a publicação desta reportagem.

Segundo reforço é essencial

Os especialistas concordam que uma segunda dose de reforço é necessária neste momento especialmente para aqueles mais vulneráveis. O infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, destaca que, nos idosos, a queda da proteção com o tempo afeta inclusive a prevenção contra desfechos graves.

— Essa redução acontece antes para doenças sintomáticas leves, mas para hospitalização e óbito estima-se que ocorra a partir do sexto mês. É o que a gente está vendo hoje no Reino Unido, que vai iniciar a quarta dose agora para idosos — diz o infectologista.

Suleiman destaca que essa não é a primeira vacina a ser indicada em um esquema de múltiplas doses para que forneça sua total proteção e relembra o caso da gripe em que é preciso um reforço anual.

— Nós temos outras vacinas que utilizam diversas doses, não pode parecer para a população que a Covid-19 é a única doença que a imunização demanda reforços. Essa informação precisa ser clara para ser efetiva — afirma o infectologista.

Por isso, Ethel Maciel destaca que o momento é propício para o debate da quarta dose, já que a campanha de vacinação contra a gripe terá início no próximo dia 4. Para a especialista, seria uma boa estratégia que as duas campanhas, da influenza e do reforço da Covid-19, fossem integradas para facilitar a adesão dos mais idosos.

Os especialistas também apontam que é preciso ampliar a cobertura vacinal com a terceira dose no país e a imunização do público infantil. Hoje, XX% dos brasileiros recebeu o primeiro reforço, XX% completou o esquema primário e XX% tem ao menos a primeira aplicação. Como mostrou o GLOBO, as taxas mais baixas de adesão à terceira dose estão entre os mais jovens. Entre as crianças de 5 a 11 anos, apenas XX% recebeu as duas doses.

Quarta dose pelo mundo

Segundo dados do Ministério de Saúde de Israel, a quarta dose reduziu em duas vezes o número de infecções e em quatro vezes o de desfechos graves. No país, desde dezembro, o segundo reforço é permitido para pessoas acima de 60 anos, trabalhadores de saúde, imunossuprimidos e outros grupos considerados “em risco de exposição” à doença em seus locais de trabalho.

Países da Europa também ampliaram a oferta da quarta dose. A França anunciou neste mês a aplicação em idosos acima de 80 anos, e o Reino Unido deu início nesta segunda-feira à campanha do reforço adicional para pessoas acima de 75 anos, residentes em instituições de longa permanência e imunossuprimidos.

Nos Estados Unidos, a Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora do país, deve se reunir em abril para analisar os pedidos da Pfizer e da Moderna para inclusão de uma segunda dose de reforço das vacinas contra a Covid-19. No Chile, que assim como o Brasil teve grande parte da população imunizada com a CoronaVac, a quarta dose é oferecida a todos aqueles com mais de 18 anos.

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