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17.10.26

Quedas levam 33 mil crianças por ano a hospitais do SUS no Brasil

Brasil registra média de 33 mil internações anuais de crianças menores de 10 anos por quedas. Pediatras alertam para prevenção de acidentes.

As quedas provocaram 330.788 internações de crianças menores de dez anos nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2025, uma média de aproximadamente 33 mil hospitalizações por ano no Brasil. O número equivale a cerca de 2.750 internações mensais e acende um alerta sobre os riscos de acidentes durante a infância.

O cenário permanece preocupante em 2026. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram registradas 14.997 hospitalizações de crianças nessa faixa etária em decorrência de quedas, uma média próxima de 2.500 ocorrências por mês.

Os dados fazem parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), elaborado com base nos registros do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do SUS. Desde 2016, as regiões Sudeste e Nordeste concentram a maior parte das internações.

Crianças de cinco a nove anos concentram a maioria dos casos

Do total de 330.788 hospitalizações registradas ao longo de dez anos, 193.899 envolveram crianças de cinco a nove anos, o equivalente a 58,6% das ocorrências.

Segundo a análise apresentada no levantamento, essa faixa etária está mais exposta a situações que exigem maior movimentação, como correr, brincar em parques e praticar esportes.

Entre as crianças de um a quatro anos, foram contabilizadas 110.111 internações, correspondentes a 33,3% do total. Já os bebês com menos de um ano somaram 26.778 hospitalizações, menos de 1% do conjunto informado.

Nesse último grupo, as quedas de leitos chamam a atenção: foram registrados 3.724 episódios relacionados a esse tipo de acidente.

A presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, Adriana Rocha Brito, ressalta que os números podem não representar toda a dimensão do problema. Isso ocorre porque acidentes considerados leves nem sempre levam os responsáveis a procurar atendimento médico. Além disso, o levantamento considera os registros do SUS e não inclui hospitais privados.

Quedas da própria altura e escorregões estão entre as ocorrências

A classificação dos acidentes revela que uma parcela expressiva das internações não teve o tipo de queda especificado. Entre 2016 e 2025, 153.118 registros, equivalentes a 46,3% do total, não foram categorizados.

Entre os episódios identificados, 50.115 hospitalizações decorreram de quedas em que a criança caiu no chão ou na mesma superfície em que estava, sem envolvimento de escadas, beliches, buracos ou desníveis de altura. Essa categoria não inclui casos classificados como escorregões ou tropeços.

Na sequência, aparecem as quedas provocadas por escorregões, tropeços ou passos em falso, responsáveis por 45.323 internações no período analisado.

De acordo com Adriana Rocha Brito, os traumatismos estão entre os problemas que mais levam crianças a precisar de hospitalização. As lesões podem atingir diferentes partes do corpo e incluir fraturas e outros traumas.

A especialista explica que os riscos variam conforme a idade e o desenvolvimento infantil. Bebês e crianças de até dois anos estão mais sujeitos a quedas de camas, trocadores e cadeirões, além de acidentes em escadas e com andadores.

Já entre crianças de dois a seis anos, merecem atenção as quedas de móveis, janelas e equipamentos de recreação.

Mais de 90% dos acidentes podem ser prevenidos

Segundo a pediatra, mais de 90% dos acidentes podem ser evitados com medidas simples de proteção. Para isso, é necessário observar os ambientes frequentados pelas crianças, considerar a etapa de desenvolvimento de cada uma e identificar situações que representem perigo.

A prevenção também exige atenção em escolas e espaços de recreação. Conforme a orientação da especialista, brinquedos, equipamentos e mobiliários devem passar por manutenção periódica, enquanto os cuidadores precisam manter a supervisão constante.

O uso de celulares e as conversas paralelas durante o acompanhamento das crianças podem comprometer a vigilância e aumentar a exposição a situações de risco.

Nesse contexto, o pediatra também tem papel importante na orientação das instituições de ensino, contribuindo com informações técnicas sobre segurança e prevenção de acidentes no ambiente escolar.

Quando uma queda exige atendimento médico imediato?

A SBP orienta que episódios de traumatismo ou ferimentos significativos decorrentes de quedas sejam avaliados imediatamente por um profissional de saúde.

Alguns sinais exigem atenção especial, como perda de consciência, impacto direto na cabeça ou no rosto e suspeita de fratura. A orientação é não negligenciar esses sintomas, inclusive porque algumas fraturas podem ser identificadas apenas posteriormente.

A gravidade do problema também aparece nos dados de mortalidade. Segundo Adriana Rocha Brito, o Brasil registrou 1.202 mortes por quedas entre crianças menores de dez anos nos últimos dez anos.

Os números reforçam a importância de medidas preventivas em casa, nas escolas e nos espaços de lazer, além da busca por atendimento médico diante de sinais de lesões importantes.

Veja as orientações para prevenir quedas na infância

A Sociedade Brasileira de Pediatria reúne recomendações de segurança conforme a faixa etária, com medidas para reduzir os riscos nos ambientes domésticos e durante as brincadeiras.

Bebês menores de um ano

  • Nunca deixe o bebê sozinho em locais elevados, como camas, cadeiras, sofás ou trocadores. Também não o deixe sob os cuidados exclusivos de outra criança.

  • Quando estiver aprendendo a sentar, mantenha supervisão próxima e utilize proteção adequada para evitar quedas para trás.

  • Ao carregar o bebê em escadas, segure o corrimão e evite pisos molhados ou escorregadios.

Crianças de um a quatro anos

  • Instale telas de proteção em janelas, sacadas e vãos desprotegidos, incluindo laterais de escadas. Evite deixar móveis ou objetos que possam servir de apoio perto desses locais.

  • Não permita brincadeiras em banheiros, pisos molhados ou calçadas escorregadias ao redor de piscinas.

  • Oriente o uso de bicicletas, triciclos, patinetes e skates apenas em locais apropriados, nunca em vias públicas, e com equipamentos de proteção.

  • Evite camas tipo beliche, que, segundo a SBP, não oferecem segurança em nenhuma idade, mesmo com proteção lateral.

  • Não deixe a criança sem supervisão de um adulto.

Crianças de cinco a nove anos

  • Exija o uso de capacete, cotoveleiras, joelheiras e tornozeleiras durante atividades com brinquedos de locomoção.

  • Supervisione as brincadeiras em locais de maior risco, como árvores, muros, lajes e parques.

  • Evite que a criança utilize celular ou outras telas enquanto estiver em movimento, principalmente em vias públicas, pois a distração aumenta o risco de acidentes.

Pediatras desaconselham o uso de andadores infantis

A Sociedade Brasileira de Pediatria também alerta para os riscos do andador infantil. Segundo especialistas, o equipamento pode facilitar o acesso dos bebês a locais perigosos, além de aumentar a velocidade dos movimentos e a possibilidade de quedas e capotamentos de alto impacto.

Adriana Rocha Brito afirma que o aparelho não oferece benefícios ao desenvolvimento motor da criança, que deve ocorrer naturalmente e respeitar seu próprio ritmo. Por isso, o uso pode expor os bebês a riscos desnecessários de lesões e traumatismos.

A recomendação é priorizar ambientes seguros, supervisão constante e medidas de proteção adequadas a cada fase da infância. Diante do volume de internações e dos registros de mortes, a prevenção permanece fundamental para reduzir acidentes e proteger a saúde das crianças.

Por: Informativo em Foco

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