Mudanças de estação podem influenciar a saúde dos cabelos
As mudanças de estação podem interferir na saúde dos cabelos e tornar a queda dos fios mais perceptível em determinados períodos do ano. Variações no ciclo natural de crescimento capilar, baixa umidade do ar, banhos muito quentes e exposição excessiva ao sol estão entre os fatores que podem afetar a resistência dos fios e as condições do couro cabeludo.
Um estudo publicado na revista científica Dermatology, que acompanhou 823 mulheres durante seis anos, identificou variações sazonais no ciclo capilar. A pesquisa observou uma maior proporção de fios na fase telógena durante o verão. Essa etapa antecede a queda natural dos cabelos e pode ajudar a explicar o aumento da percepção de perda dos fios em determinadas épocas.
Isso não significa, entretanto, que toda queda de cabelo esteja relacionada às estações do ano.
“Embora exista uma sazonalidade fisiológica dos cabelos, é importante compreender que os fatores ambientais também influenciam a saúde capilar”, explica a Dra. Gabriela Chequer, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna.
A especialista destaca que a queda capilar não é uma doença por si só, mas um sinal que pode estar associado a diferentes condições, como alterações hormonais, deficiências nutricionais, predisposição genética e situações de estresse físico ou emocional.
Por isso, quando a perda de cabelo persiste ou vem acompanhada de redução da densidade dos fios, é importante investigar a causa, em vez de atribuir o problema apenas às mudanças climáticas.
Frio pode agravar problemas no couro cabeludo
O frio, isoladamente, não é considerado uma causa direta de queda capilar. No entanto, alguns hábitos comuns durante o inverno podem prejudicar a saúde dos cabelos e do couro cabeludo.
A redução da umidade do ar e os banhos com água muito quente favorecem o ressecamento da pele e podem comprometer sua barreira de proteção. Esse cenário pode agravar condições inflamatórias, especialmente a dermatite seborreica, popularmente conhecida como caspa.
A condição envolve fatores como produção de sebo, microbiota do couro cabeludo e resposta inflamatória individual. Quando se intensifica, pode provocar descamação, coceira e vermelhidão. Em alguns casos, também contribui para um aumento temporário da queda dos fios.
Outro cuidado importante envolve o uso de secadores. A exposição frequente ao calor excessivo pode comprometer a camada lipídica que protege os cabelos e provocar danos à cutícula, estrutura externa da fibra capilar.
Como consequência, os fios podem ficar ressecados, ásperos, opacos e mais frágeis, aumentando a possibilidade de quebra.
Um estudo publicado na revista Annals of Dermatology demonstrou que os danos à superfície dos cabelos aumentam conforme a temperatura utilizada durante a secagem se eleva.
“Isso não significa que o secador deva ser evitado, mas que sua utilização precisa ser adequada, preferencialmente com temperaturas moderadas, mantendo uma distância segura dos fios e evitando a exposição prolongada ao calor em uma mesma região”, orienta a Dra. Gabriela.
Calor e exposição solar também prejudicam os cabelos
Durante os períodos mais quentes, o aumento da transpiração, da umidade e da exposição solar pode favorecer irritações no couro cabeludo e agravar problemas dermatológicos em pessoas predispostas.
A dermatite seborreica, por exemplo, pode apresentar sintomas como oleosidade, descamação, vermelhidão e coceira. A especialista ressalta, porém, que o suor e a oleosidade, isoladamente, não provocam queda capilar. O problema pode surgir quando esses fatores estão associados a processos inflamatórios persistentes.
A exposição excessiva à radiação ultravioleta também exige atenção. Assim como acontece com a pele, os raios solares podem provocar danos oxidativos à estrutura dos cabelos, processo conhecido como fotoenvelhecimento capilar.
Segundo a dermatologista, a radiação UVB atua principalmente nas camadas externas dos fios, enquanto a UVA consegue penetrar mais profundamente na fibra capilar. Essas alterações podem comprometer proteínas, lipídios e melanina, pigmento responsável pela cor natural dos cabelos.
Na prática, os efeitos incluem ressecamento, perda de brilho, aumento da porosidade, alterações na coloração e diminuição da resistência dos fios.
Cabelos claros, descoloridos ou submetidos a procedimentos químicos podem apresentar maior vulnerabilidade. Além da proteção dos fios, o couro cabeludo também precisa de cuidados contra o sol, especialmente em pessoas com cabelos rarefeitos ou áreas em que a pele fica mais exposta.
Qual é a diferença entre queda e quebra de cabelo?
Embora os dois problemas possam provocar redução do volume capilar, queda e quebra são fenômenos diferentes.
A quebra acontece quando a haste capilar, parte visível do fio, se rompe ao longo de seu comprimento. O processo pode ser favorecido pelo ressecamento, calor excessivo, exposição solar e procedimentos químicos que enfraquecem a fibra.
Já a queda ocorre quando o fio se desprende do folículo piloso. Ela pode fazer parte do ciclo natural de crescimento dos cabelos ou estar relacionada a condições que interferem nesse processo.
“É fundamental compreender que a quebra da haste capilar e a queda decorrente de alterações no ciclo folicular são fenômenos diferentes, embora possam coexistir”, explica a Dra. Gabriela Chequer.
A especialista ressalta que os danos provocados pelo sol e por ferramentas térmicas atingem principalmente a estrutura dos fios e não significam, necessariamente, uma alteração no ciclo de crescimento capilar.
Por outro lado, a queda persistente pode estar associada a fatores hormonais, deficiências nutricionais, predisposição genética, doenças inflamatórias e situações de estresse físico ou emocional.
A avaliação dermatológica é importante para identificar a origem do problema e definir o tratamento adequado. Algumas formas de alopecia podem provocar danos irreversíveis aos folículos pilosos quando não são diagnosticadas e tratadas precocemente.
Como cuidar dos cabelos em diferentes épocas do ano?
Manter uma rotina de cuidados adequada ajuda a preservar a saúde do couro cabeludo e a resistência dos fios, independentemente das condições climáticas.
Entre as principais recomendações estão:
Evitar banhos muito quentes: temperaturas elevadas podem favorecer o ressecamento e comprometer a barreira protetora da pele.
Controlar a temperatura do secador: utilizar temperaturas moderadas, manter distância dos fios e evitar concentrar o calor por muito tempo em uma mesma região.
Manter a higienização adequada: a frequência das lavagens deve considerar as características individuais do couro cabeludo. Evitar lavar os cabelos por medo de aumentar a queda não traz benefícios.
Proteger os cabelos do sol: adotar medidas de fotoproteção, principalmente quando houver rarefação capilar ou áreas do couro cabeludo diretamente expostas.
Observar alterações persistentes: queda intensa, redução da densidade dos fios, coceira, vermelhidão ou descamação importante precisam de avaliação profissional.
As mudanças de estação podem influenciar o comportamento dos cabelos, mas nem toda queda deve ser considerada natural ou passageira. Observar os sinais, manter cuidados adequados e procurar um dermatologista diante de alterações persistentes são medidas importantes para preservar a saúde capilar.
Por: Informativo em Foco



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