Tecnologia do Blogger.
20.10.26

Mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram violência

Pesquisa do CRM-PB revela que mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram violência. Novo aplicativo busca ampliar denúncias e prevenir agressões.

Mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram algum tipo de violência durante o exercício da profissão, segundo pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) em 2025. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (19), em João Pessoa, durante o lançamento do aplicativo Observatório da Violência contra o Médico, criado para centralizar denúncias, identificar as circunstâncias das ocorrências e contribuir para o planejamento de ações preventivas.

A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre as agressões sofridas por profissionais de saúde e oferecer informações que ajudem a orientar medidas de proteção nos ambientes de atendimento. A ferramenta está disponível para dispositivos Android e iOS.

O problema também apresenta dimensão nacional. Em 2024, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência relacionados a crimes cometidos dentro de unidades de saúde foram registrados no Brasil, conforme os dados apresentados durante a divulgação.

Aplicativo pretende mapear casos de violência contra médicos

O Observatório da Violência contra o Médico foi desenvolvido para reunir informações sobre os locais e as circunstâncias em que ocorrem as agressões. A proposta é permitir uma compreensão mais precisa do problema e contribuir para a definição de medidas de prevenção.

Durante o lançamento, o CRM-PB destacou que identificar onde e como os episódios acontecem é uma etapa importante para orientar ações de combate à violência contra os profissionais.

A centralização dos registros também pode ajudar a identificar situações recorrentes e necessidades específicas de proteção nos serviços de saúde.

Violência compromete a segurança de profissionais e pacientes

O advogado especialista em Direito Médico e presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal, alertou que as agressões ameaçam as condições necessárias para a prestação de assistência à população.

“É inadmissível que alguém entre em um hospital ou em uma unidade de saúde para cuidar de uma pessoa e tenha de se preocupar também com a própria integridade física”, afirmou.

Para ele, o ambiente de trabalho dos profissionais de saúde precisa oferecer condições de segurança para que o atendimento seja realizado adequadamente. O especialista também ressaltou que situações de medo e hostilidade podem prejudicar a assistência prestada aos pacientes.

A preocupação envolve não apenas a integridade física dos médicos, mas também as condições em que os serviços de saúde funcionam quando há ameaças ou episódios de violência.

Levantamento de dados precisa resultar em prevenção

Raul Canal também defendeu que a coleta de informações seja acompanhada de medidas concretas para enfrentar o problema. Segundo ele, é necessário identificar as vítimas, compreender as circunstâncias das ocorrências e definir providências a partir dos registros.

“Não basta lamentar cada novo caso e esperar pela próxima agressão. É preciso saber onde acontece, quem são as vítimas, quais são as circunstâncias e, principalmente, o que será feito a partir dessas informações”, destacou.

O presidente da Anadem ressaltou ainda a importância da prevenção, da investigação dos episódios e da responsabilização quando cabível. Na avaliação do especialista, os dados precisam servir de base para ações efetivas, evitando que os registros se limitem à produção de estatísticas sem consequências práticas.

Direito do paciente e segurança do médico devem ser preservados

O especialista também defendeu que a proteção dos profissionais de saúde seja tratada em conjunto com o direito dos pacientes a um atendimento digno.

Segundo Raul Canal, dificuldades como demora no atendimento, falta de recursos e problemas estruturais do sistema precisam ser enfrentadas pelas instituições responsáveis, sem que a insatisfação seja direcionada aos profissionais que atuam diretamente na assistência.

“O paciente tem direito a um atendimento digno, e o profissional tem direito de trabalhar sem ser ameaçado ou agredido. Uma coisa não exclui a outra”, afirmou.

Para ele, a violência não resolve os problemas do sistema de saúde e ainda acrescenta novos obstáculos ao funcionamento dos serviços.

Com o lançamento do Observatório da Violência contra o Médico, o CRM-PB pretende ampliar a identificação dos casos e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de prevenção. O levantamento de informações sobre as ocorrências é apresentado como uma etapa para orientar medidas que reforcem a segurança de médicos e pacientes nos ambientes assistenciais.

Por: Informativo em Foco

  • Comentar com o Gmail
  • Comentar com o Facebook

0 commentarios:

Postar um comentário

Item Reviewed: Mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram violência Rating: 5 Reviewed By: Informativo em Foco