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5.10.26

Livro revela como Diddy tentou impedir divulgação de vídeo de agressão contra Cassie

 O livro “Bad Boy for Life: A Ascensão e a Queda de Sean ‘Diddy’ Combs”, da jornalista Cheyenne Roundtree, reconstitui os bastidores da tentativa de impedir a divulgação de uma gravação em que Sean Combs aparece agredindo a então namorada, Cassie Ventura, em um hotel de Los Angeles.

Segundo o relato apresentado na obra, Combs teria pago US$ 100 mil, valor equivalente a cerca de R$ 500 mil, para obter as imagens e evitar que fossem divulgadas. O dinheiro teria sido recebido por Eddy Garcia, um dos seguranças do estabelecimento, com a previsão de divisão do valor entre outros dois funcionários.

O episódio ocorreu em março de 2016. O vídeo, no entanto, só se tornaria público oito anos depois, quando foi divulgado pela CNN.

Segurança entregou pendrive com as imagens

De acordo com a reconstituição feita por Roundtree, Garcia entregou um pendrive contendo a gravação e aguardou enquanto o empresário contava os valores em uma máquina de contagem de cédulas.

O segurança também assinou um acordo de confidencialidade que estabelecia uma multa de US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5 milhões, caso o conteúdo fosse divulgado.

Antes de deixar o local, Garcia teria recebido uma recomendação de Combs. “Ele disse para eu não fazer nenhuma compra grande”, relata o segurança no livro.

A autora, jornalista da Rolling Stone, descreve ainda o esforço feito para evitar que a gravação chegasse ao público. Segundo a obra, a chefe de gabinete do empresário tentou conseguir acesso ao vídeo, enquanto um segurança e amigo de Combs acompanhava a situação envolvendo Cassie.

Relação entre Diddy e Cassie ocupa parte central do livro

Conhecido também como Puff Daddy e P. Diddy, Sean Combs construiu uma carreira associando música, negócios e exposição pública. O livro acompanha essa trajetória e reúne relatos sobre episódios de violência anteriores à consolidação da imagem pública do empresário.

Roundtree também aborda as festas promovidas por Combs, incluindo as famosas “White Parties”, realizadas em locais como os Hamptons e frequentadas por celebridades. A autora diferencia esses eventos dos chamados “freak-offs”, encontros sexuais privados que posteriormente passaram a integrar as acusações contra o empresário.

“Esse temperamento e essa raiva sempre estiveram presentes. Acho que o poder e a fama apenas ofereceram uma camada adicional de proteção”, afirma a jornalista.

Para reconstruir a trajetória de Combs, Roundtree reuniu entrevistas com pessoas próximas ao empresário, reportagens anteriores, processos e depoimentos judiciais.

O relacionamento com Cassie ocupa dois capítulos da obra. Segundo o livro, a vida profissional da cantora se misturava à relação pessoal com Combs e à dependência financeira.

Cassie tinha 19 anos quando assinou, em 2006, um contrato que previa dez álbuns com a gravadora Bad Boy. Ela lançou apenas um. O relacionamento com Combs teria começado no ano seguinte e durado aproximadamente uma década.

Dependência financeira dificultava rompimento

Combs era 17 anos mais velho que Cassie e tinha influência sobre a carreira que ela tentava construir. Roundtree também menciona um apartamento que o empresário teria dado à cantora como presente de aniversário.

Segundo a autora, o imóvel tornou-se parte da relação de dependência financeira. Dessa forma, terminar o relacionamento significaria se afastar de uma pessoa que ocupava simultaneamente os papéis de namorado, empregador e provedor.

“Ela já havia contado que tentou ir embora e começar novos relacionamentos, mas acabava sendo trazida de volta ao ciclo. Todos esses fatores tornavam muito difícil sair”, afirma Roundtree.

O livro também descreve os encontros chamados por Combs de “freak-offs”, nos quais Cassie mantinha relações sexuais com acompanhantes masculinos contratados.

A participação da cantora nesses episódios foi um dos pontos discutidos durante o julgamento. A questão envolvia determinar se ela participava voluntariamente ou se era submetida aos encontros por meio de violência, ameaças e outras formas de coerção.

Mensagens foram analisadas durante o julgamento

A defesa apresentou mensagens nas quais Cassie demonstrava interesse em participar dos encontros. Questionada sobre como esses textos poderiam ser conciliados com os relatos de coerção, Roundtree afirmou que as conversas precisavam ser analisadas dentro do contexto de uma relação que também envolvia afeto.

“Ela falava com frequência sobre querer ter uma relação sexual com o parceiro que amava. Diddy, e só ele”, afirmou a autora.

Segundo Roundtree, Cassie explicou que em algumas ocasiões aceitava participar por amar Combs, mas que não desejava manter relações sexuais com outros homens.

Uma das conversas reproduzidas no livro ocorreu antes da agressão no hotel. Na ocasião, Cassie se preparava para a estreia do filme “O Par Perfeito”.

Ela teria dito a Combs que queria um “freak-off”, mas demonstrava preocupação com a possibilidade de ficar debilitada antes do evento. Conforme a explicação apresentada pela autora, a mensagem seria uma tentativa de agradá-lo para evitar uma discussão que pudesse prejudicar a estreia.

Após a agressão, Cassie e Combs apareceram juntos no tapete vermelho. De acordo com a reconstituição de Roundtree, a cantora utilizou maquiagem para esconder um olho roxo e outras marcas no corpo. Mesmo assim, um dos ferimentos ainda permanecia visível em seu braço.

Combs foi condenado por dois crimes

O julgamento terminou com uma diferença entre as acusações apresentadas pela promotoria e os crimes pelos quais Combs acabou condenado.

Em julho de 2025, o júri o absolveu das acusações de tráfico sexual e conspiração para associação criminosa, mas o considerou culpado de dois crimes de transporte para fins de prostituição.

Para essa condenação, não era necessário comprovar que as mulheres haviam sido coagidas, mas que Combs havia organizado viagens interestaduais destinadas a encontros sexuais pagos.

Em outubro daquele ano, a pena foi estabelecida em 50 meses de prisão.

“Ele foi considerado culpado de facilitar atos de prostituição, não de forçar alguém a participar de sexo”, afirmou Roundtree.

Na avaliação da jornalista, a acusação teve dificuldades para relacionar as experiências de duas ex-namoradas à tese de que Combs comandava uma organização criminosa. Segundo ela, os relatos das duas mulheres apresentavam dinâmicas diferentes.

Livro reúne relatos sobre trajetória de Diddy

Roundtree também procurou pessoas que conheceram Combs antes da fama para tentar compreender como ele construiu a trajetória que posteriormente passou a ser investigada.

Questionada sobre novas acusações que conseguiu comprovar além dos processos já conhecidos, a autora não apontou outro crime demonstrado por sua apuração.

Ela destacou, porém, o medo relatado por entrevistados, sentimento que, segundo a jornalista, já existia desde os anos 1990.

“Havia medo de represálias ou de ser impedido de trabalhar. Isso era constante naquela época e continua até hoje”, afirmou.

Serviço

Livro: Bad Boy for Life: A Ascensão e a Queda de Sean “Diddy” Combs
Autora: Cheyenne Roundtree
Editora: BestSeller
Tradução: Alessandra Bonrruquer, Rita Paschoalin e Marcelo Vieira
Páginas: 390
Preço: R$ 74,90

Por: Informativo em Foco

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