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3.10.26

Fifa destaca Brasil em relatório tático da Copa do Mundo 2026

Relatório da Fifa analisa 104 jogos da Copa 2026 e destaca tendências táticas, incluindo atuação do Brasil e papel de Vini Jr.

A Fifa publicou nesta sexta-feira (2) um relatório elaborado pelo grupo de estudo técnico que analisou os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. O documento identificou 11 tendências técnicas e táticas observadas durante o Mundial e destacou comportamentos de diferentes seleções, incluindo Brasil, Espanha, Argentina e Japão.

Entre os pontos analisados estão a construção das jogadas com linha de três, a movimentação dos jogadores pelos lados do campo, as transições ofensivas, a pressão alta, os blocos defensivos, a pressão pós-perda, os escanteios e a participação dos goleiros na construção das jogadas.

Linha de três aparece em 63% das equipes

Segundo o relatório, 63% das seleções utilizaram em algum momento a construção com uma linha de três jogadores. O Brasil aparece entre as equipes citadas nesse comportamento.

A atuação brasileira contra a Escócia foi utilizada pela Fifa como exemplo de uma estrutura com um volante atuando como pivô à frente da linha defensiva. Nesse caso, Casemiro exerceu essa função.

A Espanha, campeã do mundo, adotou uma estrutura diferente. A equipe utilizou uma linha de quatro jogadores na defesa e, em diversas situações, adiantou o goleiro Unai Simón para auxiliar na construção e formar uma linha de três.

Jogadores de lado ganharam participação

A Copa de 2026 também registrou aumento na participação de jogadores abertos dentro da estrutura defensiva adversária. O índice chegou a 26% das recepções de bola, acima dos 23,5% registrados em 2022 e dos 23,4% de 2018.

Os laterais tiveram participação significativa nesse comportamento e, em determinadas situações, apareceram ocupando posições na faixa central do campo.

O relatório também apontou a mudança do ponto de ataque como uma estratégia importante para escapar da pressão adversária, criar espaços para avançar com a bola, gerar oportunidades no terço final e encontrar jogadores importantes em condições de receber.

Transições ofensivas e pressão alta

Nas transições ofensivas, houve aumento de 3,5% na proporção de movimentos de ruptura nas costas da defesa realizados pelos corredores internos em comparação com a Copa de 2022.

O relatório também identificou crescimento nas corridas de ruptura que terminaram em entradas na área, finalizações e gols.

Já a pressão alta ocupou 4,7% do tempo sem posse de bola em 2026, percentual próximo dos 4,6% registrados em 2022. Em 2018, o índice havia sido de 3%.

Ao mesmo tempo, os tiros de meta curtos aumentaram 58% em relação a 2022 e 26% na comparação com 2018.

Bloco baixo ganha espaço

A utilização do bloco baixo aumentou 4,2% em relação à Copa de 2022. O crescimento correspondeu a mais 1 minuto e 55 segundos por partida utilizando esse comportamento defensivo.

O Japão foi citado pela Fifa como exemplo de equipe que se destacou pela organização em bloco baixo, com alta concentração de jogadores à frente da própria área e grande compactação.

O Brasil enfrentou esse tipo de dificuldade contra os japoneses no mata-mata. A seleção brasileira teve trabalho para superar o bloqueio e marcou o gol da virada nos acréscimos, com Martinelli.

Vini Jr. aparece como jogador-chave do Brasil

Na análise sobre os jogadores importantes na construção dos ataques, a Fifa destacou a Argentina pela utilização da região central do campo, com participação de Paredes, Enzo Fernández e Rodrigo De Paul, além da liberdade concedida a Messi para circular pelos espaços.

No Brasil, o relatório apontou Vini Jr. como peça-chave para o desenvolvimento das jogadas ofensivas.

A estratégia brasileira, segundo o documento, consistia em atrair o adversário para a região central e, posteriormente, buscar o isolamento dos jogadores pelos lados. Dessa maneira, os atletas recebiam com espaço para avançar com a bola e enfrentar os defensores no um contra um.

O posicionamento da equipe durante o chamado ataque em repouso também favorecia transições rápidas para os lados, tornando o isolamento e a condução da bola mecanismos importantes para progredir e criar oportunidades.

A atuação de Vini Jr. foi colocada pela Fifa em paralelo ao papel desempenhado por Yan Diomandé na Costa do Marfim.

Pressão pós-perda foi menos frequente

As seleções realizaram pressão pós-perda em 49% dos momentos considerados potenciais, abaixo dos 52,7% registrados na Copa de 2022.

Apesar da menor frequência, a taxa de recuperação da posse aumentou para 15,1%, contra 14,6% no Mundial anterior.

Quando iniciaram a pressão pós-perda, as equipes conseguiram limitar a chegada do adversário ao próprio terço final em 24,7% das situações. Em 2022, esse índice era de 28,8%.

Escanteios tiveram maior impacto

As bolas paradas também ganharam destaque no relatório. Ao todo, foram registrados 73 gols provenientes de escanteios, cobranças de falta, pênaltis e laterais longos durante a Copa de 2026.

A participação dos escanteios nos gols do torneio subiu de 8,8% em 2022 para 12,9% em 2026.

A eficiência dos escanteios curtos também aumentou. Foram seis gols marcados a partir desse tipo de cobrança, quatro a mais do que em 2022.

Na fase de grupos, as tentativas de gol originadas de jogadas ensaiadas em escanteios curtos cresceram 11% em comparação com 2022, chegando a 65% em 2026.

Goleiros participam mais da construção

Outro comportamento identificado pela Fifa foi a participação mais avançada dos goleiros quando suas equipes estavam com a posse de bola.

Sem a bola, porém, a posição média dos goleiros permaneceu praticamente igual à observada na Copa de 2022.

Na distribuição, o relatório apontou a participação dos goleiros como opção de passe dentro da estrutura de posse das equipes.

Também houve mudança nas disputas aéreas em cruzamentos. Os socos dos goleiros representaram 47% dessas disputas, contra 39% em 2022. A taxa de sucesso também aumentou, passando de 72% para 76%.

Por: Informativo em Foco

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