Cristiano Ronaldo recebe suspensão de 30 dias e multa de 255 euros após deixar a seleção portuguesa em meio a uma crise com Jorge Jesus.
A Federação Portuguesa de Futebol definiu as punições aplicadas a Cristiano Ronaldo após o jogador deixar a concentração da seleção durante a última Data Fifa, em meio a um desentendimento com o técnico Jorge Jesus. O atacante foi suspenso por 30 dias e multado em 255 euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,4 mil.
As sanções foram estabelecidas pela Comissão Disciplinar da entidade. Apesar da punição, Cristiano Ronaldo poderá voltar a atuar pela seleção portuguesa caso seja convocado para a próxima Data Fifa. Portugal tem compromisso contra a Dinamarca marcado para 14 de novembro.
O episódio que provocou a crise aconteceu em 30 de setembro, após uma sequência de desentendimentos entre o capitão português e o treinador. A relação, que vinha desde o período em que trabalharam juntos no Al-Nassr, sofreu um desgaste depois que o atacante ficou no banco de reservas e não entrou em campo durante uma partida contra a Noruega.
Entenda a crise entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus
Antes dos episódios que culminaram no afastamento de Cristiano Ronaldo da concentração, o ambiente na seleção portuguesa parecia favorável à continuidade do atacante. Depois da Copa do Mundo, o jogador havia se colocado à disposição da equipe nacional, enquanto Jorge Jesus sinalizava que contava com o camisa 7 para os compromissos da Liga das Nações.
A expectativa se confirmou inicialmente na partida contra Gales, quando Cristiano Ronaldo começou entre os titulares. No entanto, a situação mudou no confronto seguinte, diante da Noruega, disputado fora de casa.
Na ocasião, o atacante permaneceu no banco de reservas. Embora tenha aquecido durante vários minutos, não foi utilizado pelo treinador, situação que se tornou o principal ponto de tensão entre os dois.
Três dias depois, quando a delegação portuguesa já estava na Dinamarca para o último treinamento antes do confronto contra a seleção anfitriã, Jorge Jesus concedeu uma entrevista coletiva e foi questionado sobre a situação do craque.
O treinador afirmou que as decisões sobre a escalação cabiam exclusivamente a ele e que nenhum jogador, independentemente de sua importância, poderia interferir em suas escolhas.
“Eu sou o treinador”, declarou Jorge Jesus ao defender sua autoridade para definir quem entraria em campo. O técnico também afirmou que Cristiano Ronaldo poderia ser utilizado por 30 minutos caso considerasse necessário, mas que a decisão final seria sempre sua.
Poucos minutos depois da entrevista, Cristiano Ronaldo deixou a concentração e abandonou a seleção portuguesa durante a Data Fifa. Na ocasião, o jogador informou pelas redes sociais que apresentaria explicações posteriormente.
Jorge Jesus manteve as portas abertas ao atacante
Após a repercussão do episódio, Jorge Jesus evitou prolongar o assunto publicamente e concentrou suas declarações nos compromissos esportivos da equipe. Depois da vitória sobre a Noruega, entretanto, o treinador comentou o desentendimento e afirmou que a situação ainda poderia ser resolvida.
Jesus declarou que Cristiano Ronaldo poderia retornar à seleção caso estivesse atuando por seu clube e desejasse voltar a defender Portugal. Na avaliação do técnico, o episódio havia sido provocado por um mal-entendido.
Apesar de demonstrar disposição para manter o atacante no grupo, Jorge Jesus descartou a possibilidade de pedir desculpas.
O treinador argumentou que o principal motivo da insatisfação havia sido o fato de Cristiano Ronaldo aquecer durante a partida e não ser colocado em campo. Para ele, a decisão fazia parte de suas atribuições técnicas e não justificava um pedido de desculpas.
A versão apresentada pelo técnico, porém, foi contestada posteriormente pelo próprio jogador, que divulgou um comunicado à imprensa portuguesa com um relato detalhado das conversas mantidas antes e durante a Data Fifa.
Cristiano Ronaldo apresenta sua versão do desentendimento
No comunicado, datado de 6 de outubro de 2026, Cristiano Ronaldo afirmou que a crise começou antes mesmo da convocação para os compromissos contra Noruega e Dinamarca.
Segundo o atacante, após a Copa do Mundo de 2026, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol pediu que ele reconsiderasse a possibilidade de deixar a seleção. O dirigente também teria solicitado sua opinião sobre a escolha do novo treinador, e o jogador afirmou ter apoiado a contratação de Jorge Jesus.
Cristiano relatou que, posteriormente, teve uma reunião com o técnico na Cidade do Futebol, durante a pré-temporada de seu clube. Na conversa, Jesus teria apresentado um planejamento para sua participação na seleção, incluindo a previsão de atuar no primeiro e no último jogo do período, com mudanças na equipe para administrar o desgaste físico dos atletas.
De acordo com o jogador, o treinador chegou a propor que ele não viajasse para os confrontos contra Noruega e Dinamarca, permanecendo em Portugal para se juntar novamente ao grupo antes de uma partida no Estádio do Dragão.
Cristiano afirmou que recusou a proposta por considerar que, como capitão, deveria acompanhar a equipe também nos compromissos disputados fora de casa. Segundo seu relato, Jorge Jesus concordou com o posicionamento.
O atacante também declarou que uma nova conversa ocorreu na véspera do início da Data Fifa e que, naquele momento, os entendimentos anteriores foram mantidos.
Atacante diz que esperava jogar por 30 minutos
Sobre a partida contra a Noruega, Cristiano Ronaldo afirmou que inicialmente não esperava entrar em campo, pois estava concentrado em sua recuperação física e acreditava que jogaria apenas no compromisso seguinte, no Estádio do Dragão.
Segundo o relato, um integrante da comissão técnica o procurou durante o almoço e informou que Jorge Jesus queria conversar. Na ocasião, o treinador teria perguntado se o atacante estava em condições de jogar por 30 minutos.
Cristiano afirmou que aceitou a possibilidade de entrar em campo, apesar de o plano ser diferente daquele que havia sido combinado anteriormente. Ele contou que começou a aquecer no intervalo, mas acompanhou a passagem dos minutos sem ser chamado.
Para o jogador, a situação representou uma quebra da palavra dada pelo treinador.
O atacante reconheceu, entretanto, que errou ao não cumprimentar os torcedores após a partida. No comunicado, pediu desculpas aos portugueses presentes no estádio, aos demais adeptos e às pessoas que teriam viajado para acompanhá-lo.
Reunião terminou com divergências sobre a entrevista
Cristiano Ronaldo relatou que, 48 horas depois do jogo, participou de uma reunião com Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor desportivo do Al-Nassr, que, segundo o jogador, havia acompanhado as conversas anteriores.
De acordo com o comunicado, o encontro foi marcado por uma conversa direta, na qual os envolvidos teriam concordado que o episódio precisava ser esclarecido publicamente.
O atacante afirmou que o combinado era o treinador iniciar a entrevista coletiva falando sobre o assunto e reconhecer que havia proposto o planejamento para sua participação, que Cristiano não havia questionado suas decisões e que foi um erro colocá-lo para aquecer sem utilizá-lo.
Segundo o jogador, Jorge Jesus também teria se comprometido a explicar que desejava mantê-lo na seleção portuguesa.
Cristiano, porém, afirmou que a entrevista não correspondeu ao que havia sido acordado durante a reunião. Ele disse ter ouvido declarações em tom agressivo e considerou que o comportamento público do treinador foi diferente daquele apresentado na conversa privada.
O atacante também declarou que nenhuma das anotações que havia validado incluía um pedido de desculpas por parte do técnico.
Diante do que considerou uma segunda quebra de compromisso, Cristiano Ronaldo decidiu deixar a concentração. Em sua versão, a decisão foi motivada pela perda de confiança e pela avaliação de que sua permanência poderia prejudicar o grupo.
Cristiano reconhece responsabilidade e aceita punição
No próprio comunicado, Cristiano Ronaldo reconheceu que sua saída da concentração deveria ter consequências. O jogador afirmou que a Federação Portuguesa de Futebol tinha a responsabilidade de avaliar e punir sua atitude, ressaltando que sua condição de capitão tornava o episódio ainda mais relevante.
O atacante também pediu desculpas aos companheiros de seleção e reiterou que não deveria ter abandonado o grupo, mesmo diante do desentendimento com o treinador.
Ao abordar a possibilidade de uma despedida da equipe nacional, Cristiano afirmou que haverá tempo para realizar uma ou mais partidas de homenagem. No entanto, ressaltou que seu principal objetivo continua sendo competir e conquistar resultados com Portugal.
O jogador lembrou ainda que, em um momento pessoal difícil, quando recebeu a notícia da morte do pai, decidiu permanecer concentrado com a seleção até o término de um compromisso esportivo.
Ao concluir sua manifestação, Cristiano Ronaldo afirmou que continuará disponível para defender Portugal desde que esteja fisicamente bem e atuando por seu clube, respeitado o cumprimento da suspensão que lhe for aplicada.
Com a definição das sanções pela Federação Portuguesa de Futebol, o caso entra em uma nova etapa. A possibilidade de retorno do atacante dependerá de convocação para os próximos compromissos e do cumprimento da punição estabelecida pela entidade.



0 commentarios:
Postar um comentário