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24.10.26

Bebê declarado morto após afogamento é encontrado vivo 5 horas depois

Bebê de 18 meses declarado morto após afogamento no Arizona foi encontrado vivo cinco horas depois, mas sofreu lesão cerebral permanente.

Um bebê de apenas 18 meses, declarado morto após ser encontrado inconsciente em uma piscina, foi encontrado com sinais de vida cerca de cinco horas depois, quando um funcionário foi buscar seu corpo no necrotério de um hospital no Arizona, nos Estados Unidos. Apesar de ter sobrevivido, Vincent sofreu uma lesão cerebral grave e permanente, segundo os advogados da família. O caso aconteceu em 8 de fevereiro deste ano e voltou a repercutir após a mãe da criança, Alexus Fiordilino, relatar os detalhes em entrevista à emissora KNXV, afiliada da ABC News, na quarta-feira (21).

A criança foi levada ao Centro Médico Mercy Gilbert, na cidade de Gilbert, após ser encontrada inconsciente na piscina da residência da família. Durante o atendimento, o médico Aryan Toosi declarou a morte do menino às 18h20, no horário local, em um domingo marcado pela realização do Super Bowl.

A família acreditou que havia perdido o filho, mas a situação tomou um rumo inesperado horas depois. Enquanto Alexus e o marido, Angelo, prestavam depoimento às autoridades, um detetive informou que Vincent havia sido encontrado vivo por um funcionário do Instituto Médico Legal do Condado de Maricopa, que foi ao hospital buscar o corpo.

Mãe relata momento em que acreditou ter perdido o filho

Alexus contou que, durante a despedida no hospital, teve a impressão de que o bebê ainda estava respirando. Segundo ela, o médico responsável explicou que os movimentos observados seriam os últimos suspiros da criança e que novas tentativas de reanimação poderiam prolongar seu sofrimento.

“Como mãe, você não quer ouvir isso. Eu não queria que ele sofresse. Parecia que tinham feito tudo o que podiam”, relatou.

A mãe afirmou que a descoberta de que o filho ainda estava vivo provocou uma reação de alívio e emoção. Ela contou que o casal gritou, chorou e agradeceu a Deus ao receber a notícia inesperada.

“Meu marido e eu gritamos de alívio. Louvamos ao Senhor. Choramos. Passar de ouvir que ele tinha morrido para descobrir que não tinha é uma sensação inexplicável”, disse.

Apesar da felicidade por Vincent ter sobrevivido, a família passou a questionar por que o menino permaneceu durante horas sem receber atendimento médico após ter sido declarado morto.

“Ele ficou sozinho durante cinco horas e meia. Como alguém pode fazer isso com um bebê?”, questionou Alexus.

Criança sofreu lesão cerebral grave e permanente

Embora tenha sobrevivido ao episódio, Vincent sofreu danos neurológicos graves, conforme informações divulgadas pelos advogados da família. O menino recebeu alta hospitalar em abril, mas continua apresentando limitações significativas.

Segundo os representantes legais dos pais, a criança não consegue andar sozinha e ainda não recuperou a capacidade de falar.

A família questiona a conduta do médico que declarou o óbito e sustenta que a demora no atendimento após a descoberta de sinais de vida pode ter contribuído para o agravamento das lesões.

Os advogados argumentam que os danos associados à ausência de assistência médica durante o período em que Vincent permaneceu no necrotério podem ter sido ainda maiores do que aqueles provocados pelo próprio afogamento.

Diante da situação, os pais pretendem ingressar com uma ação judicial contra os responsáveis pelo atendimento. A família busca apurar as circunstâncias que levaram à declaração de morte e esclarecer se a demora para prestar assistência teve impacto no estado de saúde do menino.

Médico afirma lamentar situação enfrentada pela família

Em comunicado enviado à ABC News na quinta-feira (22), um advogado de Aryan Toosi afirmou que o médico lamenta o ocorrido e mantém seus pensamentos voltados à criança e aos familiares.

“Os pensamentos do médico estão com o jovem paciente e sua família”, declarou o representante, acrescentando que o profissional deseja a continuidade da recuperação de Vincent.

O advogado também afirmou que o compromisso do médico com a qualidade do atendimento sempre esteve relacionado à segurança, ao conforto e à recuperação dos pacientes.

No entanto, destacou que não poderia comentar os detalhes do atendimento prestado diante da possibilidade de um processo judicial e das leis de privacidade médica.

A Dignity Health, responsável pela administração do Centro Médico Mercy Gilbert, também se manifestou. A instituição classificou o episódio como uma situação comovente, mas informou que não poderia divulgar detalhes devido às regras de privacidade dos pacientes.

“A segurança dos pacientes e a prestação de cuidados excepcionais são nossas maiores prioridades”, declarou a empresa.

Polícia não identificou evidências de crime dos profissionais

O Departamento de Polícia de Gilbert informou que a investigação não encontrou evidências de conduta criminosa por parte dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento. Por esse motivo, nenhuma acusação criminal foi apresentada contra os funcionários do hospital.

Um porta-voz da polícia afirmou que o caso seria encaminhado à Procuradoria-Geral para análise.

As autoridades também investigaram as circunstâncias do afogamento e, inicialmente, recomendaram que os pais fossem acusados de maus-tratos infantis por suposta negligência. A Procuradoria do Condado de Maricopa, porém, decidiu não apresentar acusações.

Segundo os promotores, a residência contava com diversas fechaduras de segurança infantil e outras medidas de proteção. Além disso, vários adultos estavam presentes no imóvel no momento do incidente, e todos acreditavam que outra pessoa estava supervisionando Vincent.

A investigação também não encontrou provas de que os pais apresentassem sinais evidentes de incapacidade para cuidar da criança. Apesar disso, ambos admitiram ter consumido maconha naquela manhã.

O caso permanece marcado pelas dúvidas da família sobre o atendimento médico, pelas consequências neurológicas enfrentadas pelo menino e pela intenção dos pais de buscar esclarecimentos na Justiça sobre as circunstâncias que levaram à declaração equivocada de morte.

Por: Informativo em Foco

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