Super El Niño pode aumentar temperaturas em até 2,7°C e agravar seca e desabastecimento de água na Paraíba em 2027.
O super El Niño, fenômeno climático que pode elevar as temperaturas em até 2,7°C, deve intensificar a seca e agravar o risco de desabastecimento de água na Paraíba em 2027. A previsão faz parte de um estudo realizado pelo Governo Federal e divulgado durante entrevista coletiva com ministros na quarta-feira (2).
El Niño deve atingir maior intensidade entre setembro e novembro
Segundo dados do Governo Federal, o El Niño atualmente em atuação no mundo é considerado “muito forte”. Previsões de órgãos internacionais, confirmadas por agências brasileiras, indicam que o fenômeno deve alcançar maior intensidade entre setembro e novembro.
Para o Nordeste, a expectativa é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal. O cenário pode reduzir o potencial produtivo das lavouras, aumentar a necessidade de irrigação e, consequentemente, elevar os custos de produção.
A menor ocorrência de chuvas também deve diminuir a disponibilidade de água e de forragem para a pecuária.
Situação dos reservatórios é considerada confortável
Apesar da previsão de aumento das temperaturas e redução das chuvas, o Governo Federal avalia que a situação hídrica do Nordeste é “confortável” neste ano.
Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, 50% dos reservatórios da região estão em nível adequado de armazenamento para o período.
“Para essa época do ano, os reservatórios do Nordeste estão em situação confortável, em melhores condições do que em outros períodos. O São Francisco está em uma vazão razoável, com continuidade do bombeamento dos canais. As condições são melhores do que as previstas. Mesmo com El Niño, a situação é mais confortável”, afirmou.
Açudes da Paraíba apresentam diferentes níveis de armazenamento
Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas na Paraíba (Aesa) mostram que, dos 131 açudes monitorados, 32 estão em estado de observação, com armazenamento entre 20,1% e 50%.
Outros 13 estão em estado de atenção, entre 10,1% e 20%, enquanto 26 são classificados em situação crítica, com menos de 10% da capacidade.
Ainda segundo os dados, 12 mananciais estão com capacidade normal, entre 50% e 70%; 37 estão em situação favorável, entre 70,1% e 100%; e 11 estão sangrando.
As regiões com mananciais em menor capacidade de armazenamento são Agreste, Cariri e Curimataú. No Sertão, o volume dos grandes açudes também segue em queda.
Entre os mananciais citados estão:
- Engenheiro Arcoverde, em Condado, no Alto Sertão: capacidade de 36,8 milhões de metros cúbicos e armazenamento de 15%;
- Janipapeiro, em Olho d’Água, no Sertão: capacidade de 70,7 milhões de metros cúbicos e armazenamento de 18%;
- Retiro, em Cuité, no Curimataú: capacidade de 40,5 milhões de metros cúbicos e armazenamento de 11,7%.
Governo anuncia ações para enfrentar crise hídrica
De acordo com Miriam Belchior, foram realizadas manutenções preventivas em diversos mananciais do Nordeste para reduzir perdas de água provocadas por problemas estruturais.
Para auxiliar municípios que enfrentem situações de crise hídrica, o Governo Federal está investindo R$ 2,1 bilhões na operação carro-pipa.
Na Paraíba, das 14.488 cisternas contratadas para construção, 11.536 já haviam sido entregues até julho deste ano.
Queimadas também preocupam
O fenômeno El Niño também aumenta a preocupação com as queimadas. Segundo dados do Governo Federal, mais de 95% dos incêndios tiveram início por ação humana.
De acordo com o Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Paraíba registrou aumento nos focos de queimadas entre 2024 e 2025. O número passou de 136 para 243.
Até 31 de agosto deste ano, o estado já contabilizava 176 focos. Mantida a média de 22 focos por mês, a previsão apresentada no estudo é de mais 88 ocorrências até dezembro, chegando a 264 focos no ano.
Esse cenário seria o pior desde 1998, quando o levantamento começou a ser realizado.
Governo amplia investimentos contra incêndios
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que o Governo Federal melhorou o sistema de monitoramento para reduzir a incidência de queimadas e combater os incêndios.
Segundo ele, a severidade esperada para o El Niño também levou à ampliação dos investimentos.
“O Brasil precisou melhorar o sistema (de monitoramento). Foram muitos investimentos, e temos informações mais confiáveis recebidas agora. Os incêndios estão muito associados ao desmatamento. Tivemos em nível nacional uma redução de 36,8%, de janeiro a agosto, em área queimada”, afirmou.
O ministro também informou que quase 7 mil profissionais atuam no combate aos incêndios florestais em todo o Brasil e que o Ibama investiu mais de R$ 300 milhões na área.
Por: Informativo em Foco




0 commentarios:
Postar um comentário