Relatos de violência extrema durante travessias de migrantes com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, chamaram atenção nos últimos dias. Entre os casos relatados estão a denúncia de estupro coletivo de uma mulher e a afirmação de que uma criança de 2 anos teria sido jogada ao mar porque chorava.
O primeiro episódio ocorreu em uma embarcação resgatada em 16 de setembro, a nordeste de Lanzarote. Segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola com base em fontes ligadas à investigação, uma mulher relatou aos serviços de emergência, após chegar à ilha, que havia sido vítima de violência sexual praticada por três homens que estavam no mesmo barco.
Os suspeitos, de 21, 25 e 30 anos, foram detidos pela Polícia Nacional espanhola. A investigação também passou a apurar outros possíveis episódios de violência depois que integrantes dos serviços de emergência identificaram ferimentos e marcas de mordidas em alguns sobreviventes.
Embarcação estava em situação precária
A embarcação foi localizada em condições extremamente precárias. Durante a aproximação das equipes de resgate, algumas pessoas caíram no mar.
Ao todo, 65 sobreviventes foram retirados com vida e três corpos foram recuperados. Outros passageiros permaneceram desaparecidos.
Os três homens suspeitos de estupro chegaram a ser encaminhados para prisão provisória, mas posteriormente foram colocados em liberdade por decisão judicial.
Segundo a imprensa local, o Ministério Público levantou uma discussão sobre a competência da Justiça espanhola para analisar o caso. O suposto crime teria ocorrido a mais de 12 milhas da costa, fora das águas territoriais da Espanha, enquanto a mulher e os suspeitos seriam estrangeiros.
A questão sobre qual autoridade teria competência para investigar e julgar o caso ainda estava em análise. A libertação dos suspeitos, portanto, não significa que a denúncia tenha sido considerada falsa, mas está relacionada à discussão jurídica sobre a jurisdição.
Criança de 2 anos teria sido lançada ao mar
Ao comentar o caso da mulher, Enrique Espinosa, gerente do Consórcio de Segurança e Emergências do Cabildo de Lanzarote, relatou outro episódio que classificou como ainda mais grave.
Em entrevista ao programa “A Buena Hora”, da rádio espanhola Crónicas Radio, Espinosa afirmou que uma criança de 2 anos teria sido jogada no oceano durante uma travessia porque estava chorando ao lado da mãe.
“Em uma embarcação, jogaram na água uma criança de 2 anos que estava chorando com a mãe”, relatou o responsável pelos serviços de emergência.
Na entrevista divulgada pela emissora, Espinosa não apresentou informações sobre a data da viagem, a identidade da criança ou quem teria praticado o ato. Também não informou o que aconteceu com a criança depois que ela foi lançada ao mar.
Por esse motivo, embora algumas publicações tenham afirmado que a criança morreu, essa informação não aparece confirmada no relato original consultado.
Espinosa também descreveu uma realidade marcada por disputas e episódios de violência em algumas embarcações superlotadas. Segundo ele, algumas pessoas ocupam posições mais protegidas no barco, enquanto outras permanecem nas partes inferiores, em condições ainda mais precárias.
Rotas migratórias registram mortes no Atlântico
Os relatos surgem em meio à elevada letalidade das rotas marítimas utilizadas por migrantes para chegar à Europa.
Dados da Organização Internacional para as Migrações indicam que aproximadamente 60 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa pelo mar em 2026 até meados de setembro, uma queda de 39% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da redução no número de chegadas, pelo menos 2.292 pessoas morreram ou desapareceram no mar durante o período, número superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
Na rota específica para as Ilhas Canárias, a organização espanhola Caminando Fronteras contabilizou 1.317 mortes de pessoas que tentavam chegar à Espanha nos cinco primeiros meses de 2026. Desse total, 635 ocorreram na rota atlântica com destino ao arquipélago.
Entre as vítimas contabilizadas estavam 129 crianças e adolescentes.
No início de setembro, outra embarcação que havia partido da Gâmbia com aproximadamente 127 pessoas foi localizada depois de permanecer quase um mês à deriva no Atlântico. Apenas 44 sobreviventes foram resgatados.
A Caminando Fronteras estimou que 83 pessoas morreram ou desapareceram durante a viagem, entre elas mulheres e um bebê.
Por: Informativo em Foco



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