Operação investiga grupos fechados após morte de menina de 13 anos em MS e apreende seis adolescentes em cinco estados.
Grupos virtuais fechados investigados após a morte de uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul funcionavam por meio de convites e reuniam, em sua maioria, participantes menores de idade, segundo as investigações. A operação deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou seis adolescentes, entre 14 e 17 anos, que foram apreendidos, além de um adulto.
A investigação apura a prática de chamada “escravidão digital” e suspeitas de indução ao suicídio relacionadas à morte da adolescente. O caso também motivou medidas envolvendo a plataforma Discord.
Segundo o Ministério da Justiça, a operação precisou ser executada simultaneamente em cinco estados para evitar que os investigados fossem alertados e pudessem eliminar provas digitais.
Grupos eram chamados de “panelas”
De acordo com a polícia, os grupos eram conhecidos como “panelas” e contavam com diferentes funções, incluindo administradores, recrutadores e moderadores. As investigações apontam que os participantes promoviam violência, automutilação e conteúdo relacionado ao suicídio.
Ainda segundo os investigadores, os grupos disputavam reconhecimento entre si. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido, maior seria o chamado “hype”, expressão utilizada pelos integrantes para indicar o reconhecimento obtido dentro dessas comunidades.
O Ministério da Justiça informou que a atuação ocorria em diferentes plataformas, com migração entre redes sociais, fóruns e servidores temáticos.
Investigados usavam perfis falsos
A aproximação com possíveis vítimas começava fora dos grupos, principalmente em redes sociais e plataformas de conversa. Conforme os policiais, os investigados utilizavam perfis falsos e, em alguns casos, se apresentavam como pessoas com idade ou características semelhantes às dos alvos.
Depois de conquistar a confiança, os suspeitos faziam convites para os grupos. A investigação aponta que a recusa poderia ser seguida por chantagem, manipulação psicológica e coerção, incluindo ameaças envolvendo informações de familiares das vítimas.
Os seis adolescentes apreendidos, segundo os investigadores, ocupavam funções diretamente relacionadas à administração dos grupos e à prática de intimidações e pressão psicológica.
Operação ocorreu em cinco estados
A ação foi realizada nesta terça-feira (15) e cumpriu seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes, além de seis mandados de busca e apreensão domiciliar.
As diligências ocorreram na Bahia, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. A operação contou ainda com a participação do Ciberlab, Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça.
A análise de celulares, computadores e outras mídias recolhidas na primeira fase da investigação possibilitou, segundo o Ministério da Justiça, a identificação de novos envolvidos.
Os investigadores também informaram que uma das pessoas identificadas nesta etapa dizia ser amiga da adolescente que morreu em julho. Parte das possíveis vítimas, conforme a apuração, não havia relatado aos pais as ameaças recebidas.
Discord se manifesta
Em nota, o Discord afirmou ter compromisso com a segurança dos usuários. A plataforma informou que exige idade mínima de 13 anos e disponibiliza a Central da Família.
A empresa declarou ainda que o caso envolveu múltiplas plataformas e que as evidências fornecidas às autoridades indicam que a morte ocorreu em outra plataforma.
Segundo o Discord, o servidor privado investigado foi desativado antes da morte da adolescente.



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