Hugo Motta é citado no Caso Master em mensagens com Daniel Vorcaro
O paraibano e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), voltou a ser citado no Caso Master, investigação que apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro.
Mensagens encontradas a partir da análise do celular do ex-banqueiro mostram conversas entre Motta e Vorcaro sobre diferentes assuntos. Entre os diálogos, estão tratativas relacionadas à compra de um terreno em João Pessoa, envolvendo um empréstimo de R$ 22 milhões feito pela cunhada do parlamentar junto ao Banco Master.
As mensagens também mostram Hugo Motta pedindo a Vorcaro ingressos para um camarote do Carnaval do Rio de Janeiro, para acompanhar o desfile das escolas de samba campeãs.
O conteúdo dos diálogos foi publicado pelos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense.
Pedido de ingressos para o Carnaval
Segundo as mensagens analisadas pela Folha de S.Paulo, em 3 de março do ano passado, Hugo Motta teria enviado uma mensagem a Daniel Vorcaro pedindo quatro entradas para o camarote do desfile das campeãs do Carnaval do Rio.
“irmão consegue 4 entradas no camarote para as campeãs?”, escreveu Motta.
Vorcaro respondeu que poderia disponibilizar os ingressos e solicitou os dados dos convidados. O desfile das campeãs ocorreu no dia 8 de março.
Em outra conversa, registrada em 23 de maio do mesmo ano, Vorcaro afirmou que estava em São Paulo e que passaria o fim de semana em Belo Horizonte. Na sequência, disse que gostaria de estar em Mônaco com Motta.
Ainda segundo as mensagens, em julho Vorcaro teria ido à residência de Hugo Motta para tomar café da manhã. Em agosto, o parlamentar teria convidado o ex-banqueiro para “a casa de Davi”, possível referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Conversas sobre terreno em João Pessoa
Conforme informações publicadas pelo Correio Braziliense, mensagens extraídas pela Polícia Federal também mostram diálogos entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro relacionados à compra de um terreno em João Pessoa.
Parte do valor do imóvel teria sido paga com recursos de um empréstimo de R$ 22 milhões contratado pela cunhada de Motta junto ao Banco Master.
Em uma das mensagens, Motta relata a Vorcaro que estava reunido com pessoas envolvidas na negociação da área e menciona que os documentos já haviam sido assinados para a transferência da empresa para sua cunhada.
O presidente da Câmara também pediu orientação sobre como deveria proceder diante de um prazo para o pagamento à Intercement, empresa que atua na produção de cimento.
Quatro dias depois, Motta voltou a falar sobre o negócio e mencionou que seu sogro estava presente. Segundo a mensagem, as assinaturas necessárias para dar continuidade ao pagamento haviam sido concluídas.
Mensagens indicam agradecimento após conclusão de contrato
Em 15 de março, Hugo Motta teria enviado outra mensagem a Vorcaro para agradecer pela confiança e parceria.
Segundo o conteúdo divulgado, o parlamentar afirmou que o negócio havia sido concluído a tempo de cumprir o contrato e sugeriu uma conversa posterior para tratar dos próximos passos do projeto.
Vorcaro respondeu dizendo estar feliz com a parceria e afirmou admirar Motta. O presidente da Câmara respondeu que a admiração era recíproca.
Conversas sobre projeto de lei e FGC
Os diálogos analisados pela Polícia Federal também registram conversas sobre um projeto de lei relacionado ao mercado de carbono. Em novembro, Vorcaro teria pedido auxílio a Motta sobre o tema.
Em uma das mensagens, o ex-banqueiro pergunta se conseguiria encontrar o parlamentar. Motta respondeu que estava buscando o texto aprovado no Senado para encaminhá-lo.
As conversas também mencionam o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em 23 de março, Motta pediu a Vorcaro que lembrasse de solicitar a sua equipe um estudo sobre o assunto.
O parlamentar também mencionou a possibilidade de conversar sobre o tema caso Vorcaro estivesse em Brasília.
O que diz Hugo Motta
Em nota, Hugo Motta afirmou que, durante seus quatro mandatos na Câmara dos Deputados, sempre manteve diálogo com diferentes setores do empresariado e representantes da sociedade brasileira.
O parlamentar negou que os diálogos publicados indiquem qualquer ilícito e rejeitou a interpretação de que as conversas representariam relação de interesse indevido ou favorecimento.
Motta também afirmou que o contrato de empréstimo realizado por uma empresa privada com um banco privado ocorreu antes de serem conhecidos os fatos e as investigações posteriormente divulgados sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
O presidente da Câmara declarou ainda confiar nos órgãos responsáveis pelas investigações e afirmou que cabe a essas instituições conduzir as apurações sobre o caso.
Por: Informativo em Foco



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